João Fernandes: o inventor do “Google Maps indoor português”

A BuzzStreets permite aos utilizadores uma navegação indoor, solucionando assim uma lacuna existente no mercado. A aplicação pode ser direcionada a qualquer tipo de estrutura e negócio (centros comerciais, hospitais ou aeroportos). O objetivo é que o utilizador saiba sempre onde está a porta de embarque, a loja ou o gabinete médico que pretende. Tudo em tempo real.

A BuzzStreets é uma app que procura melhorar a qualidade de vida das pessoas. Através da informação em tempo real, o utilizador consegue saber se no seu percurso existe algum problema ou ocorrência, através de uma “push notification” no seu smartphone, computador do automóvel, tablet ou PC.

O negócio desta empresa portuguesa é a criação de plataformas que funcionam como GPS para indoor de grandes estruturas, como hospitais, centros comerciais, aeroportos e estádios. Sempre que quiser encontrar a sua loja, o seu carro, o gabinete do médico, a porta de acesso ao avião ou até o seu lugar no estádio, a BuzzStreets pode ajudar. A ideia nasceu das várias vezes em que João Fernandes se perdeu nesses mesmos sítios.

“O sonho começa em 2013. Sou louco por Lisboa, no bom sentido, mas também sou doido, no mau sentido, pelo trânsito. Em vez de ser o problema, tentei ser a solução. Como conhecia os técnicos de tráfego da Câmara Municpal de Lisboa (CML) tentei perceber como é que se podia melhorar o trânsito. Ou seja, qual era a informação que faltava, do ponto de vista tecnológico. Percebi que têm equipas preparadas para socorrer eventualidades – um cano roto, um poste que cai, etc. –, mas não têm a informação em tempo real. Havia informações que lhes chegavam com dias ou horas de atraso, e por papel. Ou seja, percebi que a CML não sabia o que estava a acontecer na cidade. Nessa altura, desenvolvemos a primeira versão da aplicação, que era basicamente um gestor de ocorrências em tempo real, para as câmaras conseguirem gerir e poderem dar ordem de reparação. O modelo de négocio era giro, mas não sustentável”, admite João Fernandes ao Jornal Económico.

O empreeendedor não desistiu. Continuou a desenvolver e a promover a plataforma. Mais tarde recebeu um telefonema do grupo Canary Wharf (empresa imobiliária proprietária da área londrina que concentra edifícios onde estão instaladas muitas instituições financeiras, ou seja cinco centros comerciais e 36 prédios). Ouviram falar da BuzzStreets e convidaram-no a ir apresentar a empresa.

Na altura, este grupo internacional estava a desenvolver um programa, o “Cognitive Challenge”, para empresas de mobilidade, convidando-as a criar uma ideia para melhorar o trânsito e a mobilidade dos visitantes dessa zona londrina. “E foi aí que me desafiaram a criar um sistema de navegação que funcionasse dentro das infraestruturas. O problema real das pessoas de lá era perderem-se: não saberem onde era o prédio, onde iriam reunir, onde estava o cliente deles, etc. Havia essa dificuldade porque aquilo é uma pequena cidade dentro da cidade de Londres”, explica ao Jornal Económico. Além de ser um espaço de trabalho é também uma área de lazer ao fim de semana, com várias obras de arte espalhadas pela zona.

A tecnologia já está disponível em várias empresas e organizações internacionais na capital britânica. Com o apoio do Portugal 2020 e do Governo, com escritórios em Londres e em Lisboa, a empresa esteve ainda na Seedrs, onde chegou a captar financiamento, mas decidiu suspender a campanha face ao sucesso que teve na London Tech Week. “Decidimos parar um bocadinho e refazer a campanha. Com a entrada de clientes, quero ser sustentável”, justificou na altura João Fernandes.

A BuzzStreets venceu ainda o prémio mobilidade da “Madrid Smart Lab” em 2014, uma iniciativa da capital espanhola e da Ferrovial, uma empresa vocacionada para a procura de soluções que permitam melhorar a qualidade de vida nas cidades. “Quisemos criar uma tecnologia que melhorasse a qualidade de vida das pessoas e, para isso, desenvolvemos uma plataforma agregadora da informação”, explicou o empreendedor João Fernandes ao site “Boas Notícias”.

Atualmente, a empresa tem um escritório virtual no Instituto Pedro Nunes, em Coimbra. Vai inaugurar agora um espaço em Entrecampos, em Lisboa, e conta com um escritório em Londres, no Level 39, que é uma espécie de Startup Lisboa em Canary Wharf.

Cinco anos depois, a empresa portuguesa mantém-se no bom caminho. “O nosso objetivo é viver dos contratos. Por isso, queremos fechar mais. Temos a Arábia Saudita na mira. A nossa equipa de vendas cresceu e já entraram duas profissionais, o que me permite delegar e crescermos”, conclui o fundador.

Artigo publicado na edição nº1976 de 15 de fevereiro, do Jornal Económico

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