João Paulo Rebelo: “I Liga pode nem sequer retomar. Mais dramático: pode regressar e ter de parar novamente”

Em entrevista ao “Jornal Económico”, o governante mostrou-se cético em relação ao regresso do futebol profissional em Portugal.

Cristina Bernardo

A I Liga pode nem sequer retomar mas num cenário mais “dramático”, traçado por João Paulo Rebelo, secretário de Estado da Juventude e do Desporto, pode regressar e ter de parar novamente. Na primeira parte desta entrevista ao “Jornal Económico” (entrevista efetuada na passada quinta-feira, 7 de maio, antes de serem conhecidas as regras definidas pela DGS para a retoma da I Liga), o governante mostrou-se cético em relação ao regresso do futebol profissional em Portugal.

António Costa disse que não teria qualquer problema em dar um passo atrás. O que é que isso acarreta no contexto do futebol português?

Isso não foi algo que o primeiro-ministro tivesse afirmado para o contexto do futebol em particular, disse-o para toda a atividade económica da nossa sociedade. O raciocínio é simples: depois de algumas semanas em sucessivos Estados de Emergência e num confinamento generalizado de todas as pessoas, à exceção de atividades consideradas essenciais, vivemos hoje uma segunda fase em que se procura criar condições para uma retoma mas sem equívocos porque o mundo não está exatamente igual ao que era há dois ou três meses atrás.

 

Acredita que a I Liga vai mesmo retomar?

Tenho lido e ouvido muitas pessoas a darem como adquirido o regresso da I Liga de futebol. Quando me colocou a questão inicial, colocou-a bem porque ressalvou a possibilidade de acontecer algo que impeça este retorno. É que a I Liga pode nem sequer retomar e também acontecer uma possibilidade que pode ser ainda mais dramática, do meu ponto de vista, que é retomar a competição e voltar a interrompê-la. Daí que esta possibilidade retoma tenha sido agendada para o final deste mês. Vamos estar constante monitorização e acompanhamento tendo em conta a capacidade de contágio desta doença. Vai ser preciso um entendimento entre a Federação Portuguesa de Futebol, mais concretamente os especialistas que a FPF envolveu, com os especialistas da Direção-Geral de Saúde que estão a trabalhar para garantir um conjunto de condições que implicam a saúde dos participantes e a saúde pública de uma forma geral.

 

Qual o racional de retomar a I Liga e suspender a II Liga?

Antes mesmo de existir qualquer intervenção do Estado através do Governo, essa foi uma matéria consensual porque é público que existiu uma reunião com o Governo e a Federação Portuguesa de Futebol, prévia àquela onde estiveram Liga e os três representantes de clubes portugueses, onde houve logo muito trabalho feito com os especialistas indicados pela Federação Portuguesa de Futebol e pela Direção-Geral de Saúde. Por um lado, e num momento em que queremos minimizar o risco, é evidente que estamos a maximiza-lo o risco se o alargarmos a uma população maior; por outro lado, há uma questão económica mas essa questão não foi ponderada quando se decidiu cancelar a II Liga. Todos sabemos que os clubes têm manifestado, de uma forma geral, as suas dificuldades financeiras por não haver a retoma do campeonato e que isso pode ter impactos financeiros fatais para esses clubes. Por aí, aceita-se o risco existente, por mais baixo que seja. É este equilíbrio que tem de ser encontrado.

Nota de redação: entrevista efetuada na passada quinta-feira, 7 de maio, antes de serem conhecidas as regras definidas pela DGS para a retoma da I Liga

Ler mais
Recomendadas

Dos 549 milhões para o PIB aos 150 milhões em impostos. Quanto pesa a indústria do futebol em Portugal? Amanhã há “Jogo Económico”

A nova edição do Anuário do Futebol Profissional Português, uma parceria entre a Liga Portugal e a EY, regista o contributo total desta indústria para o PIB português, as receitas geradas pelas 32 SAD e os impostos arrecadados pelo Estado português a partir do futebol. Não perca o debate esta sexta-feira às 19h00.

Arsenal quer despedir 55 trabalhadores mas paga a Mesüt Özil 388 mil euros por semana em salários

O clube londrino comunicou a sua decisão de continuar com um processo de reestruturação que considera necessário. Adeptos e jogadores não ficaram contentes.

AS Roma vai ter novos donos. Negócio próximo de 600 milhões de euros

O acordo anunciado termina definitivamente o envolvimento de Jim Pallotta no clube que, nos últimos meses, já tinha demonstrado o interesse em abandonar o projeto, depois dos planos para a construção de um novo estádio terem ficado paralisados.
Comentários