O ouro segue imparável e esta quarta-feira quebrou a barreira dos quatro mil dólares no mercado spot. Perante isto o banco suíço Julius Baer elevou as suas projeções para o preço do ouro, afirmando que a subida do metal precioso continua a ser sustentada por um cenário fundamental sólido e pelas compras contínua do bancos centrais, que poderão durar mais três a cinco anos, segundo uma notícia divulgada pelo Investing.
O banco elevou as suas metas de preço a três e 12 meses para 4.150 e 4.500 dólares por onça, respetivamente, mantendo a sua visão “Construtiva” para o ouro. As metas para a prata também foram elevadas para 50 dólares e 54 dólares por onça, com perspetivas igualmente positivas.
O Julius Baer defende que a acumulação estrutural dos bancos centrais continua a ser um factor-chave, à medida que os mercados emergentes procuram diversificar as suas posições face ao dólar.
A análise assinada por Carsten Menke, Head of Next Generation Research do Julius Baer defende que a subida foi sustentada pelo abrandamento da economia norte-americana, pelas perspetivas de taxas de juro mais baixas e pelo dólar mais fraco. São estes alguns dos fatores que continuam a atrair a procura de ativos de refúgio.
“Assumindo uma meta de alocação em ouro de 20% a 25%, em linha com a média global, as compras deverão continuar por mais três a cinco anos, de acordo com a nossa análise”, diz Menke.
O preço do metal precioso ultrapassou a marca dos 4.000 dólares por onça na passada terça-feira, o que traduz um aumento de mais de 50% desde o início do ano e a caminho do seu melhor desempenho anual desde 1979.
Com o ouro a atingir hoje os 4.000 dólares por onça, Marco Mencini, responsável pela análise na Plenisfer Investments SGR S.p.A. (Generali Investments), reafirma a sua visão construtiva: o rally, impulsionado por compras recorde dos bancos centrais e por uma oferta mineira estruturalmente rígida, poderá prolongar-se num contexto de taxas de juro mais baixas e pressão sobre o dólar.
Os bancos centrais têm sido o principal motor do rally, responsáveis por 94% da valorização desde 2022, após o congelamento de ativos russos e a multiplicação por cinco das suas compras.
Os exchange traded fund (ETFs) e hedge funds aumentaram significativamente a sua exposição, com fluxos equivalentes a 10% da produção anual e uma concentração notável de ouro nas carteiras de matérias-primas.
Já Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe, destaca que os preços do ouro continuam a subir, atingindo um novo máximo histórico acima dos 4.000 dólares nas primeiras horas de negociação desta quarta-feira, refletindo uma forte procura por ativos de refúgio.
“As persistentes tensões geopolíticas e a incerteza económica gerada pelas tarifas, bem como o enfraquecimento do dólar norte-americano — que já perdeu 9% desde o início do ano — e as compras significativas realizadas por alguns bancos centrais têm impulsionado o metal precioso para ganhos que ultrapassam os 50% em 2025”, explica o CEO da ActivTrades.
“Nas últimas sessões, o panorama geopolítico deteriorou-se ainda mais, com a paralisação do governo nos Estados Unidos a agravar uma narrativa económica já negativa, e uma crise política em França a ameaçar desestabilizar os mercados de dívida soberana em toda a Europa. Esta dinâmica, aliada a alguma atividade especulativa desencadeada pelos ganhos recentes, significa que os preços estão agora, tecnicamente, em território de sobrecompra”, alerta Ricardo Evangelista.
“No entanto, esse facto — juntamente com a recente recuperação do dólar norte-americano, que normalmente atuaria como um fator de pressão sobre o ouro devido à correlação inversa entre os dois ativos — tem sido, até agora, ignorado pelos investidores otimistas em relação ao metal”, continua o analista.
“Com um enquadramento macroeconómico altamente favorável e expectativas crescentes de que a Reserva Federal venha a cortar as taxas de juro mais duas vezes em 2026, os investidores estarão atentos à divulgação das atas mais recentes do FOMC ainda hoje, bem como às declarações públicas de vários responsáveis de alto nível. Neste contexto, poderá haver espaço para novas valorizações do preço do ouro, sendo provável que quaisquer correções sejam vistas pelos investidores otimistas como oportunidades de compra”, defende Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe.
Também Konstantinos Chrysikos, da Kudotrade, considera que os investidores se voltam para o metal no meio a uma confluência de incertezas globais e uma perspectiva de política monetária dovish nos EUA. “A prolongada paralisação do governo em Washington, que vai já na segunda semana, atrasou a divulgação de dados importantes, complicando a tarefa da Fed de avaliar as condições económicas. Os investidores ainda estão a precificar cortes de 25 pontos base nas reuniões de Outubro e Dezembro, apoiados por comentários recentes de responsáveis da Fed que defendem a flexibilização preventiva para proteger o mercado de trabalho”, destaca Chrysikos.
A recente crise de liderança em França e a recente mudança de primeiro-ministro no Japão aumentaram a cautela dos investidores, amplificando a procura de ativos de refúgio, acrescenta.
Por outro lado, os influxos de ETF ampliaram a subida do ouro.
Os fundos de ouro listados nos EUA atraíram um recorde de 35 mil milhões de dólares até ao final de setembro, superando o pico anual estabelecido em 2020, enquanto os influxos globais atingiram os 64 mil milhões de dólares no acumulado do ano. Só em setembro, foram registados 17,3 mil milhões de dólares em novas alocações, sublinhando a força do apetite institucional e do retalho por ouro.
“Os riscos geopolíticos continuam a sustentar o sentimento. As delegações israelitas e do Hamas reuniram-se no Egito para o terceiro dia de negociações de cessar-fogo, mas as hostilidades persistiram em Gaza. Entretanto, as tensões no Leste da Europa não davam sinais de alívio”, conclui Chrysikos.
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