No próximo mês de março, a taxa de juro base dos Certificados de Aforro (Série F) vai descer para 2,011% (face aos 2,031% de fevereiro). Esta é a terceira descida consecutiva desde o início do ano, refletindo a trajetória de queda da média da Euribor a 3 meses (que se fixou em cerca de 2,147% em fevereiro).
Apesar disso, os Certificados de Aforro continuam a ser a melhor opção de poupança sem risco para a maioria das pessoas e montantes (especialmente acima de 1.000 euros e até 10.000 euros e em prazos iguais ou superiores a 6 meses).
Isto ajuda a explicar a razão pela qual as famílias continuam a aplicar as suas poupanças nos Certificados de Aforro. Em 2025 as subscrições atingiram os 5,5 mil milhões de euros em termos líquidos de resgates.
Este produto de poupança do Estado mantém-se assim como o produto com melhor rentabilidade face à oferta da banca em todos os prazos, com a exceção de 2 produtos o Bankinter a 3 meses para novos clientes e o depósito das CGD a 6 meses para captação de novas poupanças e para montantes de subscrição muito reduzidos. Ou seja, os depósitos a prazo dos bancos só batem os Certificados em promoções muito restritas e de montantes limitados. Por exemplo para aplicar 5.000 euros por 3 meses e sendo novo cliente do Bankinter, aí pode compensar olhar para o Depósito a Prazo promocional do banco.
A banca tem vindo a manter a sua oferta com taxas de juro abaixo das taxas de referência Euribor, é uma das conclusões da análise comparativa com os depósitos a prazo dos principais banco. Comparativamente com o período anterior, as taxas dos depósitos, reduziram de forma geral, em toda a oferta, para todos os prazos. Os Certificados de Aforro continuam assim a ser o produto de poupança mais atrativo em Portugal pela sua elevada rentabilidade, garantindo segurança, liquidez e acessibilidade.
A taxa base (para novas subscrições e revisões trimestrais) dos Certificados de Aforro (março 2026) oscila entre 2,01%–2,012% (bruta), tendo em conta a Euribor 3 meses média dos últimos dias úteis de fevereiro.
Com prémio de permanência (a partir do 2.º ano) o juro sobe para cerca de 2,26% acrescido de prémios adicionais crescentes ao longo dos anos (até cerca de 1% extra em permanências muito longas).
Entre as características principais, está o montante mínimo de aplicação que é de apenas 100 euros e o máximo vai aos 100 mil euros por pessoa. Os Certificados de Aforro apresentam-se ainda com liquidez elevada, já que permitem o resgate total ou parcial em qualquer momento após o 3.º mês (sem penalização significativa na série F atual).
A segurança é também uma das bandeiras deste produto já que o capital investido está 100% garantido pelo Estado.
Os juros são pagos trimestralmente, estão isentos de comissão de subscrição/resgate e a tributação é de 28% sobre juros (através de retenção na fonte).
Os juros do Certificados dependem do prazo de permanência. Assim, a 3 e a 6 meses o juro é 2,012%. A 12 e a 18 meses o juro passa para 2,02%. A 24 meses o juro é de 2,15%. Por fim a 36 meses é de 2,19%.
Depósitos a prazo dos bancos só batem os Certificados de Aforro em promoções muito restritas e de montantes limitados
Na comparação com os depósitos bancários, destaca-se que a curto curto (3 meses), os Certificados Aforro rendem 2,012% (crescente trimestral). Menos que o depósito a prazo Bankinter Boas Vindas Net que oferece 2,25% (mas só até 10.000 euros, para só novos clientes, e um depósito por cliente). Portanto o Bankinter ganha ligeiramente no curto prazo para quem é elegível.
A seguir, para o mesmo prazo, surge o depósito dos CTT que oferece 2,012%, o da Caixa Agrícola que oferece 1,75%, e o da CGD 1,6%, entre outros.
Portanto a 3 meses o vencedor é o Bankinter (mas com condições muito restritivas). Os Certificados Aforro surgem como mais acessíveis e sem limite de clientes.
No prazo a 6 meses, os Certificados Aforro oferecem 2,012%. Mas aqui o vencedor é o depósito a prazo CGD Boas Vindas que oferece 3% (mas só até 1.000 euros para novos depósitos/novos clientes).
O depósito Santander Jovem oferece 1,6% e o do EuroBic/ABanca 1,55%, entre outros. Aqui os Certificados Aforro ganham confortavelmente para montantes médios-altos e sem restrições de “novos clientes”.
No prazo a 12 meses, os Certificados Aforro oferecem 2,02%. O que compara com os melhores depósitos que são do EuroBic/ABanca oferece uma taxa de juro de 1,5%; do BPI que pratica 1,45%; do Bankinter Net que oferece cerca de 1,4%; do Montepio que oferece 1,35%, etc. Neste prazo os Certificados Aforro são claramente melhores opções (quase +0,6% versus o melhor banco sem restrições).
Olhando agora para o prazos mais longos (18–36 meses), os Certificados Aforro oferecem 2,02%, 2,15% e 2,19% (e prémio de permanência faz subir mais). Isto compara com os melhores dos bancos comerciais. O do Banco Montepio que tem taxa de juros entre 1,2% e 1,45%, do Caixa Agrícola que oscila entre cerca de 1,2% e 1,3%, do Novobanco que é de cerca de 1,3%, do BPI também de 1,3%, etc. Ou seja, à medida que avançamos no prazo a diferença ainda maior a favor dos Certificados (e cresce com o tempo).
Concluindo, os Certificados de Aforro, em comparação com Depósitos a Prazo dos bancos dão uma rentabilidade média muito superior na maioria dos prazos e montantes. Não apresentam requisitos de domiciliação de ordenado, de ser novo cliente, de ter app, de ser associado, etc. Depois têm uma melhor liquidez na prática (já que permite o resgate antecipado sem grandes penalizações na série atual).
São produtos de segurança máxima, enquanto os depósitos estão só garantidos até 100 mil euros (por banco) pelo Fundo de Garantia de Depósitos.
No que toca à tributação fiscal não há diferença entre os Certificados e os Depósitos a Prazo, já que é sempre 28%.
Quando é que um Depósito a Prazo pode valer mais?
Em casos muito específicos de promoções de boas-vindas (ex.: CGD que oferece 3% até 1.000 euros por 6 meses; e Bankinter que oferece 2,25% 3 meses até 10 mil euros para novos clientes).
Alguns bancos oferecem contas poupança ou Depósitos a Prazo com taxas baixas (ex.: 0,15%–0,5%), mas sem um mínimo alto ou com condições especiais para certos perfis (jovens até 25/30 anos, reformados com pensão baixa, emigrantes, mulheres, etc). Para montantes minúsculos (ex. 10 euros –250 euros), como os Certificados exigem mínimo 100 euros, perdem na comparação já que alguns destes produtos bancários permitem começar com menos e têm liquidez imediata.
Quem já tem ordenado domiciliado num banco e quer tudo centralizado. Aqui entra a conveniência. Para quem tem o ordenado domiciliado (e às vezes outros produtos como cartão de crédito ou app ativa), alguns bancos dão taxas “extra” nos seus Depósitos a Prazo ou contas poupança, sem necessidade de mudar de banco. Por exemplo se for cliente fiel do BCP, pode depositar 50.000 euros – 250.000 euros que poderá render 1,4%–1,5% e sem burocracia extra, tudo na mesma app. Pode ser mais prático que adquirir Certificados nos CTT.
Em resumo, para quem quer maximizar rendimento em pouco dinheiro curto prazo talvez o ideal sejam as promoções de boas-vindas de alguns bancos (CGD 3%, Bankinter 2,25%).
Se tem montantes minúsculos e prefere liquidez total sem mínimo o ideal são as contas poupança especiais (mas rende pouco).
Para quem valoriza a conveniência e já está “casado” com um banco (ordenado lá) há Depósitos com melhores juros para quem tem domiciliação de ordenado. Evita transferências, comissões ocultas e mantém tudo num só sítio (útil para quem valoriza simplicidade e tem aversão a apps múltiplas).
Na esmagadora maioria dos casos (montantes médios-altos, prazos ≥6 meses, sem restrições), os Certificados de Aforro continuam a ganhar por larga margem: mais taxa, mais segurança (Estado), melhor liquidez e zero condições.
Os Certificados de Aforro (atualmente a Série F) são comercializados em Portugal principalmente através dos Balcões dos CTT (Correios de Portugal). Esta é a principal rede física para subscrever, reforçar ou resgatar certificados.
Também no AforroNet, o portal online do IGCP (Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública), que permite a subscrição e gestão sem deslocações (necessita de adesão prévia, geralmente feita no balcão na primeira vez).
Os Espaços Cidadão também, em locais selecionados, disponibilizam o serviço de abertura de conta aforro e subscrição.
A App CTT permite a subscrição de Certificados de Aforro através do telemóvel. Recentemente foi noticiado que a 20 de fevereiro, o montante acumulado desde o lançamento da funcionalidade ultrapassou os 200 milhões de euros, e os CTT falam em consolidação da tendência de digitalização da poupança em Portugal. A média diária de subscrições em janeiro fixou-se nos 681 mil euros, um aumento face aos 640 mil euros registados no mês anterior. Este desempenho reflete-se no peso crescente da plataforma digital, que já assegura mais de 11% do total de operações de dívida pública realizadas nos canais CTT.
Por fim o Banco de Investimento Global (BiG) é uma das instituições bancárias autorizadas que está comercializar estes produtos de aforro.
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