Kai-Fu Lee prevê que empregos em cadeias de fast-food e telemarketing serão substituídos por IA

O ex-presidente da Google China, considerado um dos maiores especialistas em IA no mundo, esteve na Web Summit, onde fez referência à “relutância” da Europa em abdicar da privacidade mesmo que seja por “algo muito importante, como a saúde e a segurança”.

Kai-Fu Lee, um dos mais reconhecidos especialistas mundiais em Inteligência Artificial (IA), aproveitou o “palco” da Web Summit esta quarta-feira para alertar para a resistência da Europa às aplicações de rastreamento da pandemia (contact tracing).

“É um assunto que continua a ser desafiante para a Europa, onde a Covid-19 se está a espalhar. Parte disso deve-se à relutância em abdicar da privacidade mesmo que seja por algo muito importante, como a saúde e a segurança”, afirmou o chairman e CEO da Sinovation Ventures.

As declarações do antigo presidente da Google China foram proferidas no painel “The future of AI, and AI for good”, moderado pelo diretor executivo da empresa de semicondutores ARM Limited, Simon Segars, para quem a IA passou de “um tópico de investigação” para uma “tecnologia que impacta todos os negócios”.

“Estou muito entusiasmado por ver que mais dados estão a desenvolver nova tecnologia”, destacou o autor de obras de renome como “AI” e “AI Superpowers: China, Silicon Valley, and the New World Order”.

Kai-Fu Lee admitiu que uma das maiores transformações – e até surpresas – tem sido o trabalho “maravilhoso” que os cientistas chineses têm realizado em termos de investigação, produzindo relatórios que se destacam entre os seus pares. “Apesar da situação geopolítica, cientistas chineses, europeus, norte-americanos continuam a trabalhar em conjunto e espero que esse continue a ser o caso”, asseverou.

Como não poderia deixar de ser, o impacto da IA mercado laboral foi um dos temas desta conversa. Kai-Fu Lee lembrou que estas tecnologias, do machine learning ao Big Data, auxiliam médicos e empresários, mas explicou que há trabalhos rotineiros que serão, inevitavelmente substituídos, como os empregados de cadeias de fast-food ou profissionais de telemarketing que usam um template para contactar os potenciais clientes. Logo, aconselha quem têm empregos rotineiros e previsíveis a pensar que posições poderão ocupar, uma vez que a “IA também vai criar muitos empregos”.

Para o copresidente do conselho de IA do Fórum Económico Mundial, há duas áreas que foram potenciadas com a pandemia: os cuidados de saúde e a educação, com aulas online e professores virtuais que extravasam os vulgares tópicos escolares e ensinam, por exemplo, música. “A educação é uma chave para a IA”, sustentou o rosto da IA como a conhecemos hoje.

A sociedade de capital de risco que Kai-Fu Lee lidera, com sede em Pequim, investe no setor tecnológico, conta com cerca de 300 empresas no portefólio – entre as quais sete unicórnios – e gere fundos de 2 mil milhões de dólares (aproximadamente 1,7 mil milhões de euros).

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