Lamborghini e Porsche disparam vendas enquanto Renault dá um dos maiores trambolhões do mercado

De janeiro a agosto as vendas acumuladas da Lamborghini dispararam 220% e as da Porsche subiram 108,9%. Em sentido contrário, a Renault registou uma das maiores quedas de sempre, recuando 57,2% nas vendas mensais de agosto. O mercado nacional registou 12.435 vendas de veículos ligeiros de passageiros em agosto, o que traduz uma quebra de 19% face a igual mês de 2018

Seria difícil imaginar que a Renault tivesse uma queda homóloga nas vendas mensais da ordem dos 57,2% precisamente no mesmo mês em que a Porsche contabilizou um aumento global de 108,9% no número de carros novos vendidos oficialmente de janeiro a agosto e em que as transações de Lamborghini cresceram 220% no mesmo período. Mais surpreendente ainda é o facto da Mercedes ter vendido no mesmo mês 1222 veículos ligeiros de passageiros, o que corresponde a mais 159 vendas mensais que o número de veículos Renault comercializados neste segmento, segundo dados da Associação Automóvel de Portugal (ACAP).  Ou seja, este agosto foi o mês de todas as surpresas nas vendas de automóveis registadas no mercado português.

Na realidade, a Renault só vendeu 1063 veículos ligeiros de passageiros em agosto, contra 2486 unidades vendidas no mesmo mês de 2018 – ou seja, comercializou menos 1423 carros no passado mês de agosto, comparativamente ao mesmo mês do ano anterior. Isto traduz uma queda de vendas de 57,2%, que é precisamente um dos maiores “trambolhões” comerciais no historial de vendas da marca em Portugal. Trata-se do desempenho das vendas da Renault, a marca líder do mercado nacional entre 1980 em 1991 e novamente desde 1998 até à data. No acumulado de janeiro a agosto de 2018, a Renault vendeu 25.026 ligeiros de passageiros, correspondentes a uma quota de mercado de 14,73%, quando nos mesmos oito meses de 2019 só vendeu 21.263 unidades de ligeiros de passageiros, correspondentes a uma quota de mercado de 13,33% – isto é, de janeiro a agosto a Renault vendeu neste segmento menos 3.763 unidades que no ano passado.

Fonte da Renault em Portugal referiu ao Jornal Económico que “o nível excecional de vendas da Renault em agosto de 2018 dificilmente seria repetível”, admitindo, mesmo assim, que “este último agosto não correu bem por várias razões, determinando uma quebra considerável no desempenho de vendas, que mesmo assim mantêm a quota de mercado da marca num nível confortável, superior a 13% do mercado de ligeiro de passageiro, e que por isso não são motivo de preocupação”.

Uma das razões para o fraco desempenho comercial da Renault relaciona-se com a sua oferta ao nível da gama do Clio, que tem um peso relevante nas vendas da marca. Estando numa fase de transição para um novo modelo, com o fim de vida do Clio IV e a inexistência do Clio V, as vendas da marca francesa refletem esta falta de resposta comercial num segmento decisivo.

Outra das razões poderá estar relacionada com as menores encomendas por parte dos Rent-a-Car, que não terão sentido tanta necessidade de reforçar as suas frotas, atendendo à redução sentida no nível de crescimento dos turistas estrangeiros. As encomendas feitas pelos Rent-a-Car não terão incluído reforços significativos das frotas existentes, o que terá algum reflexo nas vendas das marcas que lideram o mercado nacional.

Finalmente, as frotas das empresas não terão beneficiado de tantas renovações de contratos ou reforços de veículos com expressão semelhante às negociações ocorridas em 2018. Também há empresas que cortaram o nível de regalias concedidas aos quadros, o que levou a uma redução significativa nas frotas automóveis existentes em Portugal ao serviço das empresas.

Pela sua experiência de líder do mercado, a Renault já foi confrontada com situações de contração do mercado, tendo capacidade para gerir quebras de vendas e para acomodar estratégias que permitam retomar o crescimento. “Durante os anos da crise a Renault mostrou que soube manter-se na liderança do mercado português”, comenta a fonte da marca francesa.

As marcas que ocupam os segundo e terceiro lugar no ranking do mercado nacional de ligeiros de passageiros em agosto – a Peugeot e a Mercedes, respetivamente – consolidaram posições, mas traduzem situações diferentes. A Peugeot, sendo uma marca com preços e com segmentos de produtos mais enquadráveis nos grandes volumes de vendas, fez o seu percurso melhorando gradualmente a sua oferta, o que levou ao reforço da sua imagem de qualidade. Os 16.843 veículos ligeiros vendidos de janeiro a agosto representam um crescimento homólogo de 2,1% nas vendas da Peugeot e um aumento da sua quota de mercado de 9,71% para 10,56%, respetivamente, de 2018 para 2019.

Diferente é a situação da Mercedes, que é uma marca premium, e que descolocou da proximidade à BMW (que está em sexto lugar no ranking dos ligeiros de passageiros), consolidando a terceira posição nas vendas nacionais com 11.383 veículos vendidos de janeiro a agosto e 1222 unidades vendidas em agosto (mais 159 veículos que o total mensal vendido pela Renault). Só nas vendas de agosto, a Mercedes regista um crescimento homólogo de 10,2%, aumentando a sua quota de mercado mensal para 9,83% (o que é superior à quota de mercado das vendas da Renault em agosto, que foi de 8,55%).

Em quatro lugar surge a FIAT, que registou uma quebra de 27,5% nas vendas de agosto, limitadas a 564 veículos ligeiros de passageiros, para um acumulado de janeiro a agosto com 10.728 veículos ligeiros de passageiros (menos 7,3% que no período homólogo de 2018).

A Citroën aparece em quinto lugar, aumentando as vendas de agosto (para 843 veículos) e do acumulado de janeiro a agosto (com 10.702 unidades, mais 13,7% que em igual período do ano passado). A BMW – em sexta posição neste ranking –, esteve na mesma “guerra” das marcas premium que a Mercedes e a Audi, tentando ascender às posições cimeiras do ranking, mas afastou-se da Mercedes, porque os alemães da “estrela” conseguiram conquistar mais compradores, à conta da estratégia do rejuvenescimento da marca Mercedes e da aposta no Classe A, que se passou a vender em grandes volumes. Na BMW a estratégia foi diferente, apostando em maior número de SUV – com destaque para o pequeno X2 – e uma nova geração de veículos com tração dianteira, onde se destaca o Série 1. No entanto, o marketing da BMW não conseguiu elevar as vendas acumuladas além dos 9.409 veículos, de janeiro a agosto, o que representa uma quebra de 2,9% em termos homólogos.

Em sétimo lugar aparece a Opel, que regista uma quebra de 16,8% no acumulado de janeiro a agosto e regista uma forte redução de vendas em agosto, da ordem dos 44%. Neste caso, a marca alemã foi integrada no grupo francês PSA, liderado pela Peugeot e pela Citroën, a que pertence também a marca premium DS, mas a quebra de vendas da Opel mostra que há questões comerciais no grupo que não foram resolvidas de forma a potenciar o crescimento da Opel, que na realidade sofre a concorrência da Peugeot e da Citroën – apesar de estarem no mesmo grupo industrial.

Em oitavo lugar vem a Seat, muito próxima da VW, que está em nono – numa posição que pouco reflete o potencial industrial deste grupo automóvel alemão, devastado com o problema do escândalo da manipulação das emissões poluentes e com a situação da falência da SIVA em Portugal. A Nissan, em décimo lugar no ranking português de vendas de ligeiros de passageiros, é outro dos grandes derrotados, com uma quebra de 31,2% no acumulado de janeiro a agosto e uma redução muito forte nas vendas de agosto, que recuam 50,4% – a marca que teve no modelo Qashqai um dos campeões de vendas do mercado português, mas que depois acabou por ser penalizado na reformulação dos preços de venda ao público.

Para baixo no ranking de vendas estão marcas fortes como a Toyota, que só vendeu 593 unidades em agosto, a Ford (554 carros vendidos), a Dacia (465), a Hyundai (321), a KIA (370), a Volvo (281), a Audi (295), a Mitsubishi (195), a Smart (160), a Mazda (169), a Mini (137), a Tesla (66), a Jeep (69), a Skoda (154), a Honda (104), a Jaguar (66) e a Alfa Romeo (48). Ao todo, em agosto o mercado nacional registou um total de 12.435 vendas de veículos ligeiros de passageiros, o que traduz uma quebra de 19% face a igual mês de 2018.

Em suma, num mercado pequeno e pobre como o nacional, as vendas automóveis apresentam o paradoxo dos crescimentos de vendas de janeiro a agosto terem sido liderados pelas marcas de luxo desportivas Lamborghini, com um aumento de 220%, e Porsche, que cresceu mais de 108%, em termos homólogos. Enquanto as marcas automóveis de luxo Lamborghini, Porsche, Bentley, Aston Martin ou Ferrari aumentaram vendas, as generalistas que lideram a venda de utilitários, citaninos e comerciais ligeiros registaram quebras, com a Renault a descer 57,2% nas vendas homólogas efetuadas em agosto.

A Mercedes, que é uma marca premium, consolidou a terceira posição entre as marcas mais vendidas em Portugal, detendo uma quota de mercado de 7,14% entre janeiro e agosto – o que supera a quota de mercado de 6,7% que detinha em igual período do ano passado, segundo a ACAP. De janeiro a agosto a Porsche vendeu 422 carros, o que representa mais do dobro dos 202 veículos vendidos em igual período do ano passado, segundo a ACAP.

Acrescenta-se que no acumulado de janeiro a agosto o mercado automóvel global português registou uma quebra de vendas de veículos ligeiros e pesados de 5%, correspondentes a 188.514 veículos (foram vendidos menos 9.898 veículos que em igual período de 2018), quebra que foi acentuada pela forte travagem nas vendas de agosto, e que, só por si, tiverem uma redução homóloga de 14,2%.

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