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Larry Ellison junta-se à Paramount (e a Trump) para comprar a Warner Bros

A entrada do terceiro homem mais rico do mundo no negócio, aliado do presidente norte-americano, é uma nova tentativa para convencer os acionistas da Warner Bros a escolherem a oferta da Paramount.
23 Dezembro 2025, 11h38

É um filme com desfecho imprevisível, mas quem ficar com a Warner Bros moldará o futuro de Hollywood, do entretenimento e da comunicação social norte-americana. Larry Ellison, dono da Oracle e o terceiro homem mais rico do mundo, é o mais recente protagonista deste negócio. Aliado de Trump e com uma fortuna estimada em 243 mil milhões de dólares (206 mil milhões de euros) vai oferecer uma garantia pessoal de 40,4 mil milhões de dólares (cerca de 34,2 mil milhões de euros) à Paramount Skydance, liderada pelo seu filho David, para apoiar a sua oferta de aquisição do estúdio Warner Bros.

O milionário entrou na corrida após a Warner Bros. Discovery (WBD) ter rejeitado a oferta hostil de aquisição da rival Paramount Skydance, de 108,4 mil milhões de dólares (92,23 mil milhões de euros).

No início de dezembro e depois de meses de suspense, a Netflix anunciou a compra definitiva da Warner Bros Discovery por cerca de 83 mil milhões de dólares (71,27 mil milhões de euros), incluindo os seus estúdios de cinema e televisão, HBO Max e HBO. Num movimento inesperado, a Paramount lançou uma contraproposta para ficar com a empresa e conta ainda com fundos do Médio Oriente, mais concretamente da Arábia Saudita, Abu Dhabi e Qatar, bem como da Affinity Partners de Jared Kushner, genro de Donald Trump.

A empresa oferece 30 dólares por ação (25,81 euros, totalmente em numerário) pela totalidade da WBD, incluindo o seu segmento Global Networks, e critica o acordo da Netflix por “expor os acionistas da WBD a um processo regulatório prolongado em várias jurisdições”. Em comparação, a proposta da Netflix é de 27,75 dólares por ação, paga em numerário e ações – a Wells Fargo, em conjunto com o BNP Paribas e o HSBC, comprometeram-se a apoiar a transação.

Se o projeto atual fosse concretizado, a Netflix absorveria a plataforma concorrente de ‘streaming’ de vídeo HBO Max, bem como os estúdios Warner Bros. Esta operação colocaria sob o mesmo teto mais de 300 milhões de assinantes da Netflix e 128 milhões da HBO Max.

A plataforma ficaria à frente de um catálogo gigantesco, que inclui as sagas ‘Harry Potter’ e ‘O Senhor dos Anéis’, os super-heróis da DC Studios (Batman, Superman e Mulher Maravilha) e a série ‘Game of Thrones’. A Netflix não ficaria, no entanto, com os canais de televisão da Warner Bros. Discovery (Discovery Channel e CNN, em particular), que antes da aquisição estariam alojados numa entidade distinta da Warner Bros a ser cotada em bolsa.

Seja qual for a proposta vencedora, o negócio ainda terá de passar pelas autoridades regulatórias antitrust [antimonopólio] dos Estados Unidos. O facto de a proposta da Netflix não contemplar os canais televisivos (Discovery Channel e CNN) está a gerar preocupações sobre uma possível influência política nas decisões editoriais. Barry Weiss, atual diretor da CBS (parte da Paramount), é visto como um executivo mais favorável a Donald Trump e os especialistas acreditam que uma eventual fusão entre a Paramount e a Warner poderia significar mudanças na linha editorial da CNN norte-americana. Trump já disse ter dúvidas sobre a aquisição da Warner Bros pela Netflix e que estaria “envolvido na decisão” dos reguladores”.

Numa reação nas redes sociais, Mario Gabelli, investidor norte-americano que é um dos acionistas da WBD, pede à Netflix que reveja a sua oferta depois de a Paramount ter esclarecido que a sua proposta é totalmente em dinheiro, e salienta que a plataforma precisa de simplificar a sua estrutura, aumentar a sua participação em dinheiro e resolver “questões fiscais”.


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