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Leilões milionários impulsionam valor e internacionalização do mercado de arte

O leilão da obra “Portrait of Elisabeth Lederer”, de Gustav Klimt, atingiu 204 milhões de euros em Nova Iorque, tornando-se a segunda obra de arte mais cara alguma vez vendida em leilão. A venda simboliza o forte regresso da confiança internacional no mercado de arte de luxo, que regista maior liquidez, expansão no Médio Oriente e crescente participação de colecionadores globais, segundo a London Art Exchange (LAE).
@Cortesia da Sotheby`s
27 Dezembro 2025, 10h26

O mundo da arte parece estar a virar uma nova página. Entre pinceladas milionárias e mercados emergentes, o mercado global de arte atravessa um período de reajustamento estrutural, marcado por um regresso da confiança dos colecionadores, maior liquidez e uma participação internacional mais alargada. É esta a conclusão da London Art Exchange (LAE), plataforma londrina especializada em arte contemporânea, que identifica sinais claros de dinamização após anos de incerteza.

Segundo a análise da LAE, os grandes leilões internacionais de 2025 atuaram como catalisadores de um novo ciclo de procura. Entre eles destaca-se a venda de Portrait of Elisabeth Lederer, de Gustav Klimt, leiloada pela Sotheby’s em Nova Iorque por 236,4 milhões de dólares (aproximadamente 204 milhões de euros) em 18 de novembro de 2025, tornando-se a segunda obra de arte moderna mais cara alguma vez vendida em leilão e a mais valiosa obra moderna comercializada em casa de leilões até hoje.

Em 20 minutos, seis compradores disputaram este retrato, que representa a filha do principal mecenas de Klimt num vestido imperial chinês branco. A pintura que pertenceu à coleção de Leonard A. Lauder, gerou uma disputa cerrada com vários lances. Tem uma história única, incluindo ter sido confiscada pelos nazis e ter sobrevivido à segunda guerra mundial.

Para contextualizar, o quadro mais caro até agora vendido em leilão continua a ser a pintura “Salvator Mundi”, atribuída a Leonardo da Vinci, vendido por 450,3 milhões de dólares (cerca de 387 milhões de euros) em 2017 na Christie’s, em Nova Iorque, segundo a Visual Capitalist. Esta comparação evidencia a dimensão histórica da venda de Klimt e reforça o impacto dos leilões de 2025 no mercado global. “Continuamos a observar um aumento do envolvimento internacional nos mercados de arte contemporânea”, sublinha Kylie James, CEO da London Art Exchange, citada no comunicado.

Médio Oriente como novo eixo de crescimento

Um dos fatores mais relevantes apontados pela análise é a rápida expansão do mercado de arte no Médio Oriente, em particular nos Emirados Árabes Unidos. O surgimento de novos colecionadores, plataformas e instituições está a redistribuir a procura global, reduzindo a tradicional concentração em centros históricos como Londres, Nova Iorque ou Paris.

De acordo com a LAE, esta dinâmica tem contribuído para uma maior circulação internacional de obras e para uma visibilidade acrescida de artistas contemporâneos com carreiras globais, reforçando a liquidez do mercado secundário e a estabilidade do mercado primário.

A London Art Exchange defende que o momento atual não deve ser interpretado como uma simples recuperação, mas antes como uma fase de ajustamento. Os modelos de formação de preços, o comportamento dos compradores e as estratégias de colocação de obras estão a evoluir num contexto de maior transparência e acesso à informação. O estudo aponta ainda para uma mudança estrutural: menos especulação de curto prazo e maior enfoque em estratégias de posicionamento a longo prazo, tanto por parte de colecionadores como de galerias.

Artistas e posicionamento internacional

A plataforma londrina destaca o desempenho consistente de vários artistas contemporâneos que representa, entre os quais Pierre Simone, Gabrielle Malak, Nitin Ganatra e Mr Phantom. Este último tem registado crescimento sustentado ao longo dos últimos quatro anos, beneficiando de uma gestão controlada da oferta e de uma base internacional de colecionadores.

Outro elemento central identificado pela análise é o papel da tecnologia na democratização do acesso ao mercado. A LAE opera uma plataforma digital que integra leilões, vendas diretas e negociação entre membros, permitindo maior eficiência e participação transfronteiriça, sobretudo em períodos de maior procura.

O outlook traçado pela London Art Exchange é cautelosamente otimista. A combinação entre maior integração global, crescimento de mercados emergentes e participação internacional sustentada aponta para um setor em transformação, onde o valor será cada vez mais determinado por estratégias de longo prazo e não por ciclos especulativos rápidos.

Num contexto económico global ainda marcado por volatilidade, o mercado de arte parece, segundo esta análise, estar a reencontrar um equilíbrio mais maduro — menos dependente de picos ocasionais e mais alinhado com tendências estruturais de investimento e colecionismo global.

 


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