Liberty cria ecossistema na ‘cloud’ pública

Construir um seguro à medida de cada um e uma oferta personalizável é o objetivo da Liberty Seguros com um novo ecossistema, afirma Alexandre Ramos, da área tecnológica da companhia.

O que ganha a empresa e o consumidor com a recente decisão de construção de uma cloud pública sem ligação ao ecosistema existente?
A criação de um ecossistema digital na cloud pública permite-nos alterar a forma como trabalhamos, sermos mais ágeis em satisfazermos as necessidades dos nossos clientes e em darmos resposta aos nossos parceiros de negócio e mediadores, ao mesmo tempo permanecendo competitivos, enquanto criamos um ambiente de trabalho mais dinâmico para todos. Esta transformação implica uma adaptação de todos no curto e médio prazo, mas, a longo prazo, veremos como o nosso trabalho se transforma na sua versão mais eficiente, obtendo mais tempo e recursos para nos dedicarmos a darmos o melhor de nós aos nossos parceiros estratégicos e subsequentemente aos nossos clientes. Assim que se atinja a maturidade de capacidades e linhas de negócio, bem como serviço a clientes e agentes, o crescimento estimado será sempre de dois dígitos.

Por seu lado, os consumidores passam a ter uma oferta totalmente personalizável, ajustada às suas necessidades, uma vez que todas as coberturas dos nossos produtos passam a ser opcionais. Ou seja, os clientes vão poder construir um seguro à sua medida, escolhendo aquilo que desejam incluir na sua proteção.

 

Não são esperados bugs na migração?
Quando se embarca numa jornada como esta, onde o mindset é arriscar e aprender e corrigir rápido, os erros aparecem. A diferença é que a nossa capacidade de os resolver rapidamente é substancialmente maior. Além disso, a Liberty tem longa experiência em migrações, em todo o mundo, pois temos uma equipa muito experiente a um nível global, criamos parcerias fortes com entidades que têm ainda mais anos de experiência do que nós, e temos um ecossistema ágil que nos permite corrigir desvios muito mais rapidamente. Se podemos prometer perfeição, isso claramente ninguém pode, mas podemos prometer planeamento cuidado, estratégia robusta e execução o melhor possível, isso claramente.

 

Que investimento foi feito e onde estão as grandes novidades tecnológicas?
A criação deste ecossistema digital é o nosso maior investimento nos últimos anos. É um novo modelo de negócio, que estamos a implementar com base na criação do nosso próprio ecossistema tecnológico na nuvem pública. Este ecossistema está e vai dar-nos maior agilidade no design de novas coberturas de riscos, para que possamos oferecer mais tempo de análise das necessidades de cada cliente. Estes vão poder construir um seguro à sua medida, escolhendo aquilo que desejam incluir na sua proteção. Apostou-se em tecnologia baseada em cloud, modular e completamente orientada a API’s. Permitindo deste modo evoluir a tecnologia sempre que necessário e de acordo com a inovação que vai aparecer frequentemente. Tudo isto com evoluções das PaaS, SaaS mensalmente e de forma transparente, evitando deste modo as práticas passadas de ter que se investir tempo e recurso a evoluir soluções, criando grande impacto no negócio.

Além disso, passámos de processos de criação de produtos ou políticas que podem levar até um ano a serem implementados, para um modelo de criação de coberturas modulares personalizáveis, que podem ser disponibilizadas ao cliente em apenas 48 horas.

 

A segurança do sistema a viver na cloud é de 100%?
Sim. Por um lado, os dados que estão a viver na cloud estão salvaguardados com certificações externas (e.g. Verizon) através de práticas e tecnologia que asseguram elevados níveis de segurança; por outro lado, usamos práticas instituídas pela Amazon Web Services (AWS), que está a colaborar com a Liberty neste projeto e que certifica que os dados estão protegidos. Além destas medidas, as plataformas estão de acordo com as normas RGPD e os seus guidelines.

 

Como é ultrapassada a barreira da língua, da conversão da moeda, das diferentes envolventes normativas e regulamentares e a necessidade de controlo do branqueamento de capitais?
Esta nova infraestrutura vai eliminar os sistemas e data centers existentes. Com base no conceito de modularidade de rede, passamos de um greenfield para uma solução completa, na qual os produtos e serviços podem ser lançados sem restrições de idioma, moeda, geografia ou contexto específico de cada mercado. Estes vão facilitar um modelo operacional mais simples, principalmente em relação aos produtos low touch e no touch.

 

Qual a reação do regulador português a esta iniciativa?
O mercado segurador tem evoluído digitalmente nos últimos anos, assim como outras indústrias, sobretudo para responder às necessidades dos clientes, num ambiente omnicanal, para que possamos comunicar de forma cada vez mais simples, rápida e eficaz entre todas as partes – seguradora, mediadores e clientes. Na Liberty estamos a aproveitar a transformação digital para reforçar o posicionamento como uma empresa inovadora, revolucionária e pioneira na forma como oferecemos seguros e respondemos às tendências, estando presentes onde o cliente precisa de nós, a partir de qualquer canal. Queremos estar entre as 10 maiores companhias de seguros da Europa.

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