Líder da extrema-direita italiana deixa no ar hipótese de sair do euro

Na sua primeira ida ao Parlamento Europeu depois de arrancar um segundo lugar nas eleições, Matteo Salvini optou por manter a União Europeia em alerta amarelo.

Na sua primeira viagem a Estrasburgo, para participar na sessão plenária do Parlamento Europeu, o líder da extrema-direita italiano, Matteo Salvini (da Lega, ou Liga Norte), quis deixar claro que todos os receios que a União Europeia e em particular a Comissão Europeia pudessem ter sobre ele são… completamente fundados.

Depois de ter arrebatado o segundo lugar nas eleições legislativas de há pouco menos de duas semanas – e com isso ter ultrapassado o Força Itália, de Silvio Berlusconi, naquela que uma das poucas surpresas da noite – Salvini disse explicitamente que esperava ser primeiro-ministro do próximo governo italiano, apesar de (muito) à sua frente ter sido o Movimento 5 Estrelas (M5E) a ganhar o escrutínio.

Dirigindo-se aos jornalistas presentes na sala de imprensa, Salvini, citado pela agência Euronews, acusou a União Europeia de concentrar-se demasiado em regras e números e não nos cidadãos comuns. “Somos pessoas de senso comum e como tal esperamos renegociar alguns destes tratados, diretivas e obrigações”, disse ainda, que implicam diretamente na vida das pessoas.

E Salvini referiu-se explicitamente à regra orçamental do défice abaixo dos 3% do PIB e ao euro. O pior medo da Comissão ficava assim exposto: o líder da extrema-direita não terá dito que quer a Itália fora do euro, mas o facto de o colocar em causa é suficiente para deixar nervosa a União Europeia.

“Somos pessoas de senso comum e como tal esperamos renegociar alguns destes tratados, diretivas e obrigações. Caso contrário, não coloco de parte outras opções. Improvisar a nossa saída do euro não é algo que antevejo. Se houver uma maioria de governos preparados para discutir as políticas monetárias, então contar-nos-emos entre eles”, disse Salvini antes de se dirigir aos eurodeputados.

Salvini abordou o outro tema importante da campanha eleitora, a imigração e os refugiados – que lhe deve granjear maiores apoios na Europa que a questão da saída do euro – tendo deixado claro que a sua prioridade é a defesa das fronteiras externas de Itália.

“O nosso objetivo é evitar as chegadas e investir nas deportações. Temos que defender as nossas fronteiras externas, o número de relocalizações tem sido muito baixo, é uma espécie de insulto à custa de Itália. Há pequenos passos que foram tomados como a abertura de centros em África para identificação e acompanhamento dos migrantes mas temos que acelerar o processo”, disse o líder da extrema-direita italiana.

Numa altura em que a Europa ainda não vê o fim das negociações com o Reino Unido para a sua saída da União Europeia,

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