Líder do PP vence as eleições em Madrid mas vai precisar do apoio do Vox

Com uma câmara onde a maioria absoluta é atingida com 69 lugares, a direita deverá conseguir entre 74 e 79 assentos. A esquerda perde, mas o Cuidadanos perde ainda mais: deverá deixar de ter qualquer lugar na assembleia regional.

Tal como previam todos os analistas e todas as sondagens, a candidata do PP nas eleições regionais deste 4 de maio em Madrid, Isabel Díaz Ayuso, ganhou as eleições, segundo as pesquisas elaboradas à boca das urnas. Com entre 62 e 65 deputados, Isabel Díaz Ayuso vence as eleições para a Comunidade de Madrid, mas precisará do apoio da extrema-direita do Vox (que terá entre 12 e 14 lugares).

Com a maioria absoluta a ser de 69 deputados, o bloco de direita alcançará em princípio entre 74 e 79 lugares, contra 56-63 do bloco de esquerda (25-28 do PSOE, 21-24 do Más Madrid e 10-11 do Unidas Podemos), segundo a mesma sondagem, que está a ser difundida pela TVE.

Este resultado permite ao PP manter a liderança de uma região que governa ininterruptamente há mais de um quarto de século, e torna a arriscada decisão de avançar para eleições numa vitória política que terá um peso importante no futuro de Ayuso dentro do próprio partido: se os resultados se confirmarem, a popular multiplica por dois os resultados de há dois anos (30 lugares). Ayuso governará até 2023, quando houver novamente eleições em Madrid, desta vez para ‘acertar’ o calendário.

O grande derrotado, como também era esperado, é o Ciudadanos, que arrisca ficar fora da assembleia regional, não tendo atingido os 5% de votos que constituem o mínimo para entrar na câmara. O partido que em Madrid é liderado por Edmundo Bal perde os 26 deputados que tinha desde 2019 e sai da coligação com o PP pela porta dos fundos. Inés Arrimadas, líder nacional, pode ter os dias contados à frente da formação, uma vez que as eleições gerais de 2019 lhe correram também de forma muito negativa.

À esquerda, os resultados sublinham o fim da viagem do socialista Ángel Gabilondo na política regional, já que a sua terceira candidatura à presidência deverá registar os piores resultados de sempre – em 2019 obteve 37 lugares e 27,3 % dos votos, mas não conseguiu vencer a coligação do PP com a Cuidadanos.

Para Más Madrid, o ato eleitoral confirma, segundo os analistas, que há espaço para um partido de esquerda com matizes regionalistas e ambientalistas na Comunidade, já que Mónica García, a candidata-revelação da campanha, melhorou o resultado obtido por Íñigo Errejón em 2019.

Pablo Iglesias, líder do Unidas Podemos – que trocou a vice-presidência do governo central para se candidatar – alcança em princípio os objetivos mínimos mas perde em toda a linha uma vez que o objetivo político era impedir a formação de uma maioria de direita. O seu futuro político está também em questões.

Segundo os jornais espanhóis, a Assembleia de Madrid será constituída a 8 de Junho e, no máximo 15 dias depois, deverá ser proposto um nome para ocupar a presidência. Se o candidato não obtivesse a confiança da câmara, terá início uma contagem regressiva de dois meses, a partir da qual será obrigatória a convocação de novas eleições caso ninguém obtivesse a concordância da câmara para formar governo.

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