Ah, a cooperação! Esse conceito tão bonito e tão distante da realidade. Num mundo que clama por colaboração para resolver crises climáticas, desigualdade social, guerras e desafios tecnológicos, estamos reféns de lideranças obcecadas pelo brilho do próprio reflexo no espelho.
O ego, essa entidade que se acha o centro do universo, tem guiado decisões mais do que a razão ou o bom-senso. A lógica parece simples, quanto maior o ego, menor o espaço para o diálogo, para a empatia e para soluções colectivas. O problema? O ego não se alimenta de soluções, mas de status, poder e uma ilusória infalibilidade.
O mundo precisa de líderes que saibam ouvir, aprender e adaptar-se. Mas, ao contrário, assistimos a uma competição acirrada por quem grita mais alto.
O ego não é, por si só, um vilão. Ele pode impulsionar confiança e ambição, mas também pode destruir impérios e minar qualquer tentativa de progresso real. O problema é encontrar o equilíbrio entre um ego saudável e um ego destrutivo.
Equilíbrio? Parece uma miragem! Vivemos na era de líderes com egos descontrolados ditando as regras do jogo. Eles não estão interessados em resolver problemas, mas sim em perpetuar o seu próprio legado. Crise climática? Ah, isso pode esperar! Agora é tempo do negócio da guerra.
O ego inflado cheira a autocracia e impede a escuta activa. A liderança mundial é uma grande mesa de reunião onde ninguém se importa em compreender o outro; todos estão apenas à espera da sua vez de falar (ou gritar). Chegámos ao ponto em que a cooperação internacional se tornou um jogo de vaidades. Líderes fingem buscar consenso enquanto trabalham incansavelmente para se sabotarem uns aos outros, apenas para provar que as suas ideias (por piores que sejam) são as que devem prevalecer.
A ironia é que, enquanto as grandes questões do nosso tempo exigem união, estamos cada vez mais fragmentados por disputas egoístas. Precisamos de respirar. Precisamos de paz para prosperar. Observamos atónitos a tragicomédia global, onde a única certeza é que os egos doentios continuarão a moldar o futuro da humanidade.
Cá pelas Áfricas, alguns egos andam perdidos e surdos, outros começam a perceber que a cooperação real pode ser a solução e não uma fraqueza. Mais uma mulher está ao leme de uma das Áfricas, a Namíbia, e queremos acreditar que o bom senso falará mais alto do que o ego e possa garantir que o seu nome fique esculpido na história pela prosperidade e cooperação.