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Liderar o risco é liderar o futuro: a cibersegurança na agenda da gestão de topo

A cibersegurança deixou de ser uma questão técnica para se afirmar como um risco estratégico de negócio. No setor financeiro, onde a confiança é o ativo mais valioso, garantir resiliência digital é hoje um imperativo para a liderança.
Cláudio Pimentel, Diretor de Sistemas de Informação da Cofidis Portugal
22 Setembro 2025, 18h01

Num mundo cada vez mais interligado, os riscos que afetam as instituições financeiras vão muito além do crédito ou da volatilidade económica. A cibersegurança assumiu-se como uma das principais preocupações, não apenas pela complexidade das ameaças, mas pelo impacto direto que pode ter na confiança dos clientes e na continuidade do negócio.

Durante demasiado tempo, este tema foi encarado como responsabilidade exclusiva das equipas de IT. Hoje, sabemos que não é apenas uma questão técnica: é um risco organizacional, que deve ser avaliado ao mais alto nível de gestão. Um incidente cibernético pode comprometer a reputação, a liquidez e, no limite, a própria sobrevivência de uma empresa.

O setor financeiro está na linha da frente desta realidade. A sensibilidade dos dados que gere, o volume de transações em tempo real e a atratividade para cibercriminosos tornam-no um alvo preferencial. Segundo o relatório ENISA Threat Landscape – Finance Sector 2024, só no último ano foram registados 432 ataques cibernéticos contra instituições financeiras europeias. O número impressiona, mas mais relevante é o que está em causa: a confiança.

Na Cofidis, tratamos a cibersegurança como risco estratégico, avaliado regularmente pelo Comité de Direção. Não é um ponto secundário na agenda: é central. Este compromisso traduz-se em formações contínuas para todos os colaboradores, testes de resiliência e planos de crise e continuidade bem definidos. Além disso, práticas de desenvolvimento seguro são aplicadas a cada novo projeto, garantindo que a segurança está integrada desde a origem.

O novo paradigma da liderança de risco exige mais do que prevenir: é preciso antecipar e preparar respostas. A resiliência constrói-se com políticas claras, processos robustos e equipas treinadas para agir de forma rápida e transparente. Só assim é possível reduzir o impacto de um incidente e preservar a confiança.

E é precisamente a confiança o ativo mais crítico do setor financeiro. A proteção rigorosa dos dados e a capacidade de responder com transparência em caso de incidente são determinantes para manter a credibilidade junto dos clientes e do mercado. Mais do que proteger ativos, uma instituição que investe em cibersegurança fortalece a sua marca e a sua posição competitiva.

Mas não basta tecnologia e governação. A literacia digital e de segurança das equipas é hoje essencial. Quanto mais preparados estiverem os colaboradores para identificar riscos e comportamentos fraudulentos, maior será a resiliência da organização. Por isso, a formação contínua e a cultura de segurança devem ser encaradas como investimento estratégico, não como custo.

Para os gestores de topo, a mensagem é clara: integrar a cibersegurança no mapa global de riscos, envolver todas as áreas da organização e avaliar regularmente a capacidade de resposta. Liderar o risco é liderar a confiança. E sem confiança não há sustentabilidade possível.

No setor financeiro, a cibersegurança já não é uma escolha — é um imperativo estratégico. Só as organizações que combinam visão integrada, cultura de resiliência e governação de risco robusta estarão preparadas para prosperar. Em última análise, liderar o risco é liderar o futuro.

Este artigo foi produzido em parceria com a Cofidis.


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