Líderes sindicais internacionais enviam carta à presidente do Grupo Santander

Sindicatos internacionais enviaram uma carta a Ana Botín por causa dos despedimentos anunciados no Santander Totta e esperam resposta.

Os líderes sindicais internacionais enviaram esta terça-feira uma carta à presidente do Conselho de Administração do Grupo Santander em Madrid, Ana Botín, solicitando uma tomada de posição do grupo face à intenção de despedimento de que são alvo os trabalhadores bancários portugueses.

Os sindicatos da UGT enviaram a carta assinada pelos congéneres internacionais às redações. A carta é dirigida à chairwoman, Ana Patrício Botín – Sanz de Sautuola y O’Shea. Recorde-se que o presidente executivo do Banco Santander é José Antonio Álvarez e o assunto são os despedimentos dos trabalhadores bancários no Banco Santander em Portugal.

O Santander Totta informou que 230 trabalhadores, de um total de 685 inicialmente previstos, não aceitaram as propostas de rescisões voluntárias ou a passagem à reforma, e que vai avançar com um “processo unilateral e formal” a partir de Setembro, o que na prática significa a realização de um despedimento coletivo. O processo não está todavia concluído.

É na sequência disso que as estruturas sindicais escreveram à presidente do grupo espanhol. A carta refere que desde Setembro de 2020, os sindicatos bancários portugueses – Mais Sindicato/ Sindicato do Sector Financeiro, Sindicato dos Bancários do Centro (SBC) e Sindicato dos Trabalhadores do Sector Financeiro de Portugal (SBN), filiados na UGT-Portugal – têm estado em conflito com o Santander Totta (BST).

“Durante este último ano, os trabalhadores do Santander em Portugal foram sujeitos a ameaças e pressões para aceitarem a rescisão dos seus contratos de trabalho e estão agora confrontados com os procedimentos para um despedimento coletivo”, avançam.

“Nós, abaixo assinados, expressamos a nossa profunda preocupação com o comportamento contínuo do Banco Santander em Portugal. Com o pretexto da pandemia de Covid-19 e a aceleração na utilização de ferramentas digitais, o banco mostra um total desrespeito pelo bem-estar dos seus trabalhadores, avançando com os seus planos de reestruturação, independentemente dos apelos sindicais para uma abordagem ponderada”, dizem na epístola.

Os sindicatos acrescenta, que “tal situação mina os princípios básicos do diálogo social e deixa em risco de desemprego centenas de trabalhadores durante tempos de precariedade”.

Os sindicatos da UGT desafiam o grupo bancário espanhol a “encetar um verdadeiro diálogo com os sindicatos portugueses em questão e a continuar a procura de uma solução oportuna e mutuamente negociável no respeito pelos direitos dos trabalhadores, protegendo os seus empregos e condições de trabalho, e garantindo o papel desempenhado pelos sindicatos na negociação coletiva”.

A carta acaba com um “aguardamos com expectativa uma tomada de posição sobre esta matéria”.

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