
Como não olhar poeticamente para o Japão? E quando a escrita acompanha o modo de ver, como não desejar ardentemente visitar este país, em que uma flor – o crisântemo, para lá levado pelos monges budistas chineses, em 400 d.C. – é o símbolo da família imperial?
Depositar poemas e orações em armários vazios, ocasionalmente ocupados por almas de heróis; fios ténues de cor, apenas os suficientes para realçar uma asa ou uma pétala de lótus; raparigas graciosas, por vezes, gueixas, em delicados trajes de cetim. Isto e muito mais nos dá “Japonesismos de Outono”, de Pierre Loti (1850-1923), agora disponível em português pela mão da Livros de Bordo, com a competente tradução de Diogo Paiva.
Como curiosidade, acrescente-se que, no Japão, o crisântemo simboliza precisamente o Outono, já que é nesta estação que desabrocha de forma mais intensa, cada flor chegando a abrir mais de 300 pétalas. O mesmo número (será?) de requintados encantos que não esqueceria quando, convidado para o palácio em Edo, terá um vislumbre raro da imperatriz.
Como oficial da marinha francesa, Loti foi cinco vezes ao Japão, entre 1885 e 1901. Fascinado por paisagens e civilizações exóticas, o arquipélago nipónico inspirou-lhe dois dos seus romances e este relato onde revela as impressões de viagem a lugares como Quioto, Iocoama ou a montanha sagrada de Nikkō, onde encontra, “sob a cobertura de uma espessa floresta, (…) no meio das cascatas que produzem, à sombra dos cedros, um ruído eterno”, a necrópole dos velhos imperadores japoneses.
Eis a sugestão de leitura desta semana da livraria Palavra de Viajante.
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