Maurice e Maralyn Bailey são um casal para quem lar rima com mar. Contudo, devido ao abalroamento por uma baleia, terão de passar 117 dias – quase quatro meses – à deriva no Oceano Pacífico, o que provocará uma drástica mudança de rumo na sua vida.
Sophie Elmhirst descreve a vida dos dois protagonistas antes de se conhecerem e casarem, até concluírem que a vida suburbana em Inglaterra, na década de 1970, era bastante aborrecida (seguir-se-ia Margaret Thatcher!). Uma vez esclarecidas as diferenças entre corda/cabo, proa/popa e bombordo/estibordo, Maurice introduz Maralyn aos encantos da navegação e o casal decide vender a casa, construir um barco e velejar até à Nova Zelândia (sem rádio e antes da invenção do GPS).
Embalados pelo sonho, fazem-se ao mar e só à custa de um amor realmente dedicado, uma feroz capacidade de sobrevivência e uma quantidade gigantesca de tartarugas acabarão salvos por um pesqueiro sul-coreano e chegar a bom porto – e com honras de heróis.
A qualidade da narração, sustentando de forma perfeita o suspense sobre o quotidiano numa jangada minúscula no meio da maior massa de água do planeta, transforma numa lição de vida esta história de um matrimónio que se mantém à tona apesar de o vento não estar de feição. Uma aventura extraordinária que não é para marinheiros de água doce.
“Náufragos”, com que a autora ganhou o prémio Nero de não-ficção de 2024, foi agora publicado em Portugal pela Livros Zigurate, com tradução de Sara Veiga.
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