Lucro da EDP desce 8% para 422 milhões de euros nos nove meses

A energética salientou que prejuízo em Portugal foi de 23 milhões de euros, numa sequência de perdas que começou em 2018. A nível do grupo, o EBITDA – lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização – recuou 2% para 2.625 milhões de euros

O lucro líquido da EDP-Energias de Portugal desceu 8%, em termos homólogos, nos primeiros nove meses de 2020, para 422 milhões de euros, pressionado pelas “quedas significativas” da procura e dos preços da eletricidade e ainda por vários custos não-recorrentes num total de 247 milhões, anunciou a empresa esta quinta-feira.

O EBITDA – lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização – recuou 2% para 2.625 milhões de euros, adiantou, em comunicado publicado no site da CMVM.

Em Portugal, a energia distribuída no terceiro trimestre ficou praticamente em linha com o ano anterior (+0,3%), após a forte queda de 11% no terceiro trimestre, resultando na queda acumulada de 3,4% nos nove meses, em linha com a tendência observada em Espanha e no Brasil, adiantou.

“Nos nove meses de 2020, a crise pandémica COVID-19 teve impacto negativo de 54 milhões no resultado líquido, excluindo impacto cambial, sobretudo pela queda da procura de electricidade e aumento de provisões por dívidas de clientes”, sublinhou.

Ao nível dos itens não- recorrentes negativos, a empresa sublinhou que foram principalmente ao nível das actividades convencionais em Portugal, incluindo, custos extraordinários com a antecipação do encerramento da central a carvão de Sines, prevista para os primeiros dias de 2021, uma provisão relativa à devolução da alegada sobrecompensação das centrais CMEC no mercado de serviços de sistema no período de 2009-2013, incluída na proposta de tarifas reguladas para 2021, e o custo anual com a contribuição extraordinária do sector energético (CESE).

Este enquadramento contribuiu para um resultado líquido negativo em Portugal de 23 milhões no seguimento de anos consecutivos de prejuízos nas actividades convencionais no mercado doméstico.

“Relativamente à CESE, no contexto da actual crise pandémica e no seguimento da análise periódica da probabilidade de sucesso e custos com processos judiciais em curso, a EDP decidiu desistir da litigância judicial com o Estado Português sobre esta Contribuição,” explicou.

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O resultado líquido recorrente aumentou 14%, para 669 milhões, suportado pela normalização dos recursos hídricos na Península Ibérica (comparativamente com o período seco de 2019) e pela política de gestão de risco nos mercados energéticos, com resultados positivos associados à elevada volatilidade no período.

A EDP adiantou que estes efeitos mais do que compensaram a desvalorização do real brasileiro face ao euro (-23% em termos médios), os recursos eólicos 9% abaixo da média de longo prazo e uma redução face ao período homologo dos ganhos com rotação de activos renováveis, que totalizaram 200 milhões nos nove meses. associados à criação da joint-venture com a Engie para o negócio eólico off-shore.

No final de setembro de 2020, a dívida líquida situava-se nos 13 mil milhões de euros, 6% abaixo do valor do final do ano passado, “com impacto positivo do aumento de capital de mil milhões de eueros realizado em agosto”.

A empresa desde o início do ano emitiu 2,2 mil milhões de euros em obrigações verdes, a um custo médio de 1,7%, com o financiamento sustentável (green bonds) a representar actualmente 30% da dívida da EDP.

“É expectável que um volume significativo de transacções anunciadas ao longo dos últimos 12 meses seja concluído ainda em 2020, nomeadamente, a venda de 2 centrais a gás e carteira de clientes de retalho em Espanha, a venda das 6 centrais hídricas em Portugal, as 2 transacções de rotação de activos renováveis acordadas na Europa e nos EUA, assim como a aquisição da Viesgo em Espanha e consequente parceria com a Macquaire para a distribuição de electricidade em Espanha”, explicou.

“Estas transacções irão contribuir para reforçar o perfil de baixo-risco e o alinhamento da EDP com a transição energética”, concluiu a energética.

A EDP Renováveis, na qual a EDP detém uma participação de 82,6%, anunciou esta manhão que o lucro líquido desceu 7% para 319 milhões nos primeiros nove meses face a período homólogo. A queda dos lucros deveu-se à descida de 7% da produção de energia para 20,4 terawatts hora, devido à venda de ativos da elétrica liderada por Rui Teixeira, presidente executivo interino.

 

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[Atualizada às 18h24]

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A energética anunciou ainda que vai pedir a Bruxelas a análise da conformidade relativamente ao futuro do mecanismo de financiamento da Tarifa Social. “A EDP não questiona a existência da Tarifa Social em si mesma, com cujo propósito concorda, mas não pode, atendendo à evolução do respectivo regime, conformar-se com os termos de financiamento”.

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A queda dos lucros deve-se ao recuo da produção de eletricidade que, por sua vez, se deve à venda de ativos com uma potência superior a 1 gigawatt.
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