Lucro do BCP sobe 13% para 170 milhões no primeiro semestre

Em comunicado divulgado no site da CMVM, o BCP explicou a lucro foi “impulsionado pela expansão dos proveitos ‘core’ e pela redução das imparidades e provisões”. O banco ganhou 55 milhões com a venda de dívida pública portuguesa.

Cristina Bernardo

O lucro líquido do Millennium bcp subiu 13% no primeiro semestre do ano, em termos homólogos, para 169,8 milhões, anunciou esta segunda-feira o banco liderado por Miguel Maya, salientado os ganhos com venda de títulos de dívida e a redução das imparidades.

Em comunicado divulgado no site da CMVM, o BCP explicou a lucro foi “impulsionado pela expansão dos proveitos core e pela redução das imparidades e provisões”.

Os analistas do Caixabank BPI estimavam uma subida de 12% no lucro para 169 milhões de euros face aos 151 milhões de euros do ano passado.

O BCP sublinhou que a evolução foi determinada pelo bom desempenho da atividade em Portugal, com um menor contributo da atividade internacional face ao semestre homólogo do ano anterior. O resultado do semestre inclui um ganho de 13,5 milhões de euros, resultante da alienação do Grupo Planfipsa em fevereiro de 2019, refletido como resultados de operações descontinuadas ou em descontinuação.

O produto bancário, que inclui a margem financeira, as comissões e os resultados de trading, registou uma evolução positiva, tendo crescido, em igual período, 6,4% para cerca de 1.124 milhões.

“A margem financeira alcançou 740,1 milhões de euros no primeiro semestre de 2019, um crescimento de 7,6% comparativamente com os 687,7 milhões de euros registados no primeiro semestre de 2018, devido maioritariamente ao desempenho favorável da atividade internacional, mas também à evolução positiva da atividade em Portugal”, sublinhou.

Esta segunda-feira, o polaco Bank Millennium, detido em 50,1% pelo Millennium bcp, anunciou lucros de 334 milhões de zlótis (77,9 milhões de euros), no primeiro semestre. O número compara com um resultado de 348 milhões de zlótis (82,3 milhões de euros) no período homólogo, com a descida causada pelas imparidades iniciais recém-comprado EuroBank.

Ganhos com títulos em Portugal mais que triplicam

No primeiro semestre de 2019, as comissões líquidas totalizaram 342,2 milhões de euros, situando-se ligeiramente acima dos 340,2 milhões de euros obtidos no mesmo período do ano anterior. A evolução das comissões líquidas, em termos consolidados, reflete o desempenho registado quer na atividade em Portugal, quer na atividade internacional, na medida em que as taxas de variação face ao primeiro semestre de 2018 foram de 0,7% e 0,4%, respetivamente, referiu o BCP.

As comissões líquidas, em termos consolidados, incorporam desempenhos distintos, na medida em que as comissões bancárias continuam a progredir favoravelmente ao evidenciar um crescimento de 4,1% face ao primeiro semestre de 2018, enquanto as comissões relacionadas com os mercados financeiros reduziram 15,0% no mesmo período, absorvendo quase na íntegra o impacto positivo das comissões bancárias, adiantou.

Nos primeiros seis meses de 2019, os resultados em operações financeiras situaram-se em 95,5 milhões de euros, comparando favoravelmente com os 77, milhões de euros registados em igual período do ano anterior, traduzindo o bom desempenho, quer da atividade em Portugal, quer da atividade internacional que cresceram, respetivamente, 16,8% e 34,6%, face ao primeiro semestre de 2018.

“Na atividade em Portugal, destacam-se os ganhos, no montante de 55,4 milhões de euros, reconhecidos com a alienação de títulos de dívida pública portuguesa (13,4 milhões de euros no primeiro semestre de 2018), bem como os menores custos com a alienação de créditos, que no primeiro semestre de 2019 ascenderam a 11,0 milhões de euros, representando cerca de metade dos custos suportados no semestre homólogo do ano anterior”, frisou.

Imparidades de crédito caem 9,2%

As dotações para imparidade do crédito (líquidas de recuperações) situaram-se em 200,3 milhões de euros, apresentando uma redução de 9,2% face aos 220,6 milhões de euros contabilizados no primeiro semestre do ano anterior.

“Dada a dinâmica decrescente das imparidades de crédito em Portugal, a redução teria sido mais acentuada, não fosse o efeito inicial da aquisição do Euro Bank S.A., na atividade internacional”, explicou o BCP.

Na atividade em Portugal, as imparidades para riscos de crédito continuaram a evidenciar uma tendência decrescente, registando uma quebra relevante de 26,6%, de 191,5 milhões de euros no primeiro semestre de 2018 para 140,6 milhões de euros no primeiro semestre de 2019. Na atividade internacional, as imparidades do crédito, evoluíram de 29,1 milhões de euros para 59,7 milhões de euros entre 30 de junho de 2018 e 30 de junho de 2019, devido, sobretudo, ao efeito, no momento da aquisição do Euro Bank, da imparidade constituída para fazer face aos riscos implícitos na carteira de crédito.

As outras imparidades e provisões situaram-se em 42,8 milhões de euros nos primeiros seis meses de 2019, que compara com 59,2 milhões de euros registados no mesmo período de 2018. Este decréscimo foi determinado simultaneamente pela evolução verificada quer na atividade em Portugal, quer na da atividade internacional.

Qualidade dos ativos e rácios de capital melhoram

Em relação à qualidade dos ativos, o banco destacou a melhoria contínua e a redução significativa no non performing exposure (NPE, na sigla em inglês), de cerca de 1,7 mil milhões de euros face a 30 de junho de 2018), determinada pelo desempenho da atividade em Portugal.

Salientou ainda o reforço da cobertura dos NPE por imparidades para 54% (50% em 30 de junho de 2018) e cobertura total para 108% (106% em 30 de junho de 2018), tal como a redução acentuada do custo do risco para 74 pontos base, face aos 88 pontos base no primeiro semestre de 2018.

“A qualidade da carteira de crédito continuou a evoluir favoravelmente, traduzindo o enfoque na seletividade e monitorização dos processos de controlo do risco de crédito e das iniciativas encetadas pelas áreas comerciais e pelas áreas de recuperação de crédito, no sentido de reduzir o montante do crédito em incumprimento”, referiu.

“Esta melhoria pode ser constatada pela evolução favorável dos indicadores de qualidade do crédito, nomeadamente pela evolução do rácio de NPE que evidenciou uma redução de 13,2% em 30 de junho de 2018 para 9,1% no final do primeiro semestre de 2019”.

O rácio CET1 estimado em 30 de junho de 2019 fixou-se em 12,2% phased-in e fully implemented, refletindo uma variação de +49 e de +52 pontos base, respetivamente, face ao rácio de 11,7% reportado em termos phased-in e fully implemented no mesmo período de 2018, acima dos rácios mínimos definidos no âmbito do SREP (Supervisory Review and Evaluation Process) para o ano de 2019 (CET1 9,625%, T1 11,125% e Total 13,125%).

“A evolução favorável do rácio CET1 fully implemented foi influenciada sobretudo pela geração orgânica de capital, apesar dos impactos da aquisição do Euro Bank, pelo Bank Millennium da Polónia, efetivada em maio de 2019 e da redução da taxa de desconto do fundo de pensões (de 2,1% para 1,6%) em consequência da descida das taxas de juro”, frisou o banco liderado por Miguel Maya.

Adicionalmente, os Rácios Tier 1 e Total beneficiaram da colocação de uma emissão de Additional Tier 1 de 400 milhões de euros em Portugal, tendo o Rácio Total registado ainda uma variação positiva em resultado de uma emissão de Tier 2 na Polónia.

(atualizada às 17h30)

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