O resultado líquido atribuível aos acionistas da Altri foi de 21,4 milhões de euros no final de 2025, uma queda de mais de 80% face aos 107,2 milhões de 2024. Do mesmo modo, o EBITDA situou-se em 94,1 milhões de euros, valor que compara com 218,3 milhões um ano antes, menos 57%, “essencialmente afetado pelos preços da pasta nos mercados internacionais (impacto das tarifas) e desvalorização do dólar norte-americano”, refere a empresa em comunicado enviado à CMVM. As receitas totais do grupo Altri atingiram 702,8 milhões de euros em 2025, uma redução de 17,8% face a 2024. Já os custos totais reduziram-se 4,4% para 608,7 milhões comparando com o ano anterior.
O comunicado adianta que “o Grupo Altri continua a desenvolver vários projetos de diversificação e crescimento alinhados com o seu plano estratégico, onde se insere além da recuperação e valorização do ácido acético e furfural de base renovável na Caima, que deverá estar concluído no primeiro semestre de 2026, a migração da produção da Biotek para fibra solúvel com conclusão prevista para o final deste ano”.
O documento enfatiza “a aquisição da Greenalia Forest, uma das principais empresas do setor florestal galego, e da Greenalia Logistics, consolidando a presença do Grupo na Galiza”, e a “aquisição de uma participação maioritária na AeoniQ, concretizada no terceiro trimestre, vem reforçar a estratégia do Grupo Altri de desenvolver projetos na área de têxteis sustentáveis de alto valor acrescentado e baixo impacto ambiental”.
“O ano de 2025 foi um ano de desafios globais intensos, mas também de demonstração clara da força e resiliência da Altri. Num cenário marcado por grande volatilidade nos preços das fibras, tensões comerciais e flutuações cambiais, mantivemos a nossa capacidade de adaptação e o nosso compromisso com a excelência operacional. Produzimos 1,1 milhões de toneladas de fibras, um crescimento de 1,1% face a 2024, com especial destaque para o quarto trimestre, pela melhoria significativa da produtividade e eficiência das nossas unidades industriais”, refere o CEO do grupo, José Soares de Pina, citado pelo comunicado.
“Num ano financeiramente difícil, a evolução dos custos foi novamente num sentido de melhoria pelo segundo ano consecutivo, refletindo o empenho das nossas equipas, a disciplina operacional e a busca constante pela otimização de processos. O ano de 2026 parece evidenciar sinais de melhoria para o setor, especialmente na Ásia, onde a recuperação da procura tem sustentado a progressão dos preços. Apesar das incertezas geopolíticas globais, os fundamentos do mercado mantêm-se sólidos”.
“O Grupo Altri seguirá focado na eficiência operacional, na disciplina financeira e na execução rigorosa de projetos estratégicos, reforçando a sua liderança em soluções de base renovável e de maior valor acrescentado. Relativamente aos constrangimentos registados durante o primeiro trimestre de 2026, decorrentes do impacto provocado pelas fortes intempéries em Portugal, a Altri prevê uma normalização da situação no curto prazo”, disse ainda.
Em 2025, o volume de produção de fibras celulósicas atingiu 1.087,1 mil toneladas, um acréscimo de 1,1% face ao registado em 2024. O volume total de vendas de fibras foi de 1.059,4 mil toneladas, ou seja 1,8% inferior ao exercício anterior.
As paragens programadas da Biotek e da Caima ocorreram durante o segundo trimestre de 2025 como planeado, com impacto mais notório de reduções de volumes produzidos no segmento de fibra solúvel. “O Grupo mantém a política de otimização dos stocks de produtos acabados, ajustando os níveis de produção às estimativas de vendas, tendo também em conta as paragens programadas”.
Em termos de uso final, o tissue continua a ser o principal destino para as fibras celulósicas produzidas pelo Grupo Altri, com um peso no total de volume de vendas de fibras de 48% em 2025, com o têxtil a representar 10%. Com o aumento da produção de Fibra Solúvel (DP) na Biotek, “deveremos continuar a ver uma tendência de crescimento deste segmento no peso total dos volumes vendidos, sendo que o enfoque atual da Biotek está na qualificação de DP em múltiplos clientes. Em termos regionais, a Europa (incluindo Portugal) é responsável por 59% das vendas, seguida pelo Médio Oriente e Norte de África com 29%, sendo a Turquia o principal destino neste segmento geográfico e a Ásia com 12%”.
“Apesar de ser um dos produtores de fibras mais eficientes na Europa, o Grupo Altri apresentou uma rentabilidade operacional abaixo dos níveis históricos, sendo que este contexto pouco favorável tem levado a ajustamentos do lado da oferta no setor, restabelecendo algum equilíbrio de procura e oferta. Com um aumento global da procura de fibras, assistimos no quarto trimestre, a uma recuperação ligeira dos preços de fibras, depois de atingir mínimos durante o terceiro trimestre deste ano, o que permitiu uma melhoria de rentabilidade para o Grupo Altri no último trimestre do ano”.
O investimento líquido total realizado pelo Grupo Altri em 2025 foi de 48,4 milhões de euros, o que compara com 30 milhões de euros em 2024, refere ainda o comunicado.
A dívida líquida atingiu 329 milhões de euros no final de 2025, que compara com 346,5 milhões no final de setembro de 2025 e com 213,milhões no final de 2024. “Esta evolução é devida essencialmente a um aumento já expectável no nível de investimento relacionado com os vários projetos de diversificação (migração para DP na Biotek, recuperação e valorização de ácido acético e furfural e a aquisição da AeoniQ). Este nível de dívida equivale a um rácio de Dívida Líquida/EBITDA LTM de 3,5x”.
O Grupo Altri obteve um financiamento de 50 milhões de euros através da emissão de Obrigações Verdes (‘Green Bonds’) junto da Caixa Geral de Depósitos. A emissão de Green Bonds tem uma maturidade até oito anos e destina-se a financiar a execução do projeto de conversão da Biotek de pasta papeleira em pasta solúvel.
O grupo faz ainda referência à série de intempéries e tempestades no final de janeiro e fevereiro. “Estas tempestades atingiram com maior severidade o centro do País, com impacto nas infraestruturas públicas, incluindo as redes rodoviária e ferroviária, assim como nas unidades industriais do Grupo Altri.
Além de danos patrimoniais e perdas de inventário, maioritariamente cobertos pelas apólices de seguro ativas, acresceram paragens, necessárias para restabelecer o normal funcionamento operacional. Os principais efeitos sentidos nas unidades industriais foram: 1 dia de paragem na Celbi (e 3 dias com volumes de produção condicionados), 11 dias de paragem na Biotek (e 3 dias com volumes de produção condicionados) e 1 dia de paragem na Caima (e 6 dias com volumes de produção condicionados)”.
Relativamente ao evento geopolítico recente no Irão, “os efeitos que sentimos a curto prazo são essencialmente relacionados com o aumento dos custos energéticos (mitigados pelos instrumentos de cobertura contratados). Dependendo da duração, poderemos ver impactos indiretos adicionais que se relacionam com prováveis pressões inflacionistas de custos com logística, químicos e madeira, via aumentos dos preços dos fornecedores, a refletir os seus próprios custos mais elevados”.
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