Lucro da EDP dispara 55% para 460 milhões nos nove meses com apoio das renováveis e Brasil

O EBITDA – resultado antes juros, impostos, depreciações e amortizações – subiu 10%, também face ao mesmo período do ano passado,  para 2.661 milhões de euros. Maior capacidade de eólica e ganhos com venda de parques ajudaram os resultados.

O lucro líquido da EDP Energias de Portugal subiu 55%, em termos homólogos, para 460 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2019, anunciou a empresa esta quarta-feira. Os desempenhos positivos dos negócios das renováveis e da unidade no Brasil mais do que compensaram o efeito da forte redução da produção hídrica em em Portugal e em Espanha.

“O resultado líquido reportado aumentou 55%, suportado pela forte contribuição da nossa produção
eólica e solar, e continuando penalizado por eventos extraordinários em Portugal”, referiu, em informação enviada à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). O EBITDA – resultado antes juros, impostos, depreciações e amortizações – subiu 10%, também face ao mesmo período do ano passado,  para 2.661 milhões de euros,

“A subida de 10% do EBITDA beneficiou do forte crescimento no segmento de energias renováveis. A capacidade média instalada eólica aumentou 3% para 11,0 gigawatts (GW), e a estratégia de rotação de activos, materializada neste período com a venda de um conjunto de parques eólicos na Europa (representando 0,5 GW líquidos), gerou um ganho de 200 milhões de euros”, explicou a EDP.

Esta manhã, a EDP Renováveis, subsidiária da EDP para as energias ‘limpas’, anunciou que registou lucros de 342 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2019, um aumento de 197% em relação ao mesmo período de 2018.

“O EBITDA foi também impulsionado pelo impacto positivo no Brasil, incluindo as actualizações
das tarifas e as recentes revisões regulatórias”, explicou a EDP.

A empresa adiantou que “por outro lado, a produção hídrica na Península Ibérica baixou 47% face a 2018, impactada, nos primeiros nove meses de 2019, por recursos hídricos 39% abaixo da média histórica em Portugal, o
que teve um impacto negativo no EBITDA em cerca de 250 milhões de euros”.

A energética acrescentou que o crescimento de 7% do resultado líquido recorrente reflecte a subida de 10% do EBITDA, mas também um aumento dos custos financeiros em termos homólogos, resultado de um aumento do custo médio da dívida em 20 pontos base para 4,0%, associado à emissão em janeiro de mil milhões de euros em
obrigações híbridas; e um aumento do peso do dólar americano e do real brasileiro na dívida consolidada, devido do aumento do peso destas moedas no investimento total.

Prejuízo em Portugal aumenta

Voltando ao lucro reportado, a EDP sublinhou que o os efeitos extraordinários que penalizaram o desempenho em Portugal incluíram uma provisão de 87 milhões relativa ao projeto hídrico do Fridão. No mesmo período do ano passado, a empresa tinha feito uma provisão de 285 milhões de euros relativos aos CMEC.

“Desta forma, as operações convencionais em Portugal (distribuição de electricidade, produção hídrica e térmica, e comercialização de energia) registaram um prejuízo líquido de 33 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2019 (face ao prejuízo de 25 milhões no período homólogo), penalizadas pela manutenção de um contexto regulatório e fiscal adverso, a que se adicionou em 2019 um volume de produção de energia hídrica anormalmente reduzida”, vincou.

No final de setembro de 2019, a dívida líquida situava-se nos 13,8 mil milhões de euros, 2% acima de dezembro de 2018 e 5% abaixo do valor registado em setembro de 2018.

A energética informou que nos nos últimos 12 meses instalou mais +0,9 GW de energia eólica nos EUA, Europa e Brasil.

“Para além disso, desde o início de 2019 foram já celebrados contratos a longo prazo para venda da energia que será produzida por 2,4 GW de novos projetos de energia eólica e solar com entrada em operação prevista no período do atual plano estratégico 2019-2022, cobrindo perto de 70% do objetivo de crescimento para
este período”.

[Atualizada às 17h28]

Ler mais
Relacionadas

EDP Renováveis aumenta lucros em quase 200% para 342 milhões de euros até setembro

A empresa EDP Renováveis, que tem sede em Madrid, mas que está cotada na bolsa de Lisboa, informa o mercado de que as receitas até setembro totalizaram 1.364 milhões de euros, um aumento 10% em relação a um ano antes.

EDP revela quebra na produção de eletricidade de 11% até setembro

Em Portugal, este volume de eletricidade distribuída diminuiu fruto de uma penalização causada por temperaturas amenas que se fizeram sentir nos primeiros nove meses de 2019.
Recomendadas

“Não há solução perfeita ou indolor para a TAP”, diz confederação de turismo

O turismo em Portugal preocupa em queda de receitas e aumento de desemprego, mas o líder da CTP acredita na retoma. Defende a prorrogação do ‘lay-off’ e uma campanha de promoção interna.

Estudo revela que três em cada dez startups do Porto correm o risco de fechar

O relatório “Impacto da Covid-19 nas Startups do Porto”, elaborado pela Porto Digital, FES Agency e Aliados Consulting, revela que 31,7% das startups têm até três meses de capital disponível.

PremiumMontepio Crédito defende CFEI para capitalizar empresas

Pedro Gouveia Alves realça que este instrumento de crédito fiscal já deu provas positivas em 2014. Autonomia financeira do setor ronda apenas os 20%.
Comentários