Lucros de seis bancos em Angola afundam 28% no primeiro semestre

A crise que se instalou neste país africano obrigou as instituições bancárias a procurem alternativas de negócios que os permitisse maximizar os seus resultados

O resultado líquido de seis dos 26 bancos a operarem no setor bancário angolano afundou em cerca de 28% no primeiro semestre do corrente ano, face ao período homólogo de 2018, uma queda em mais de 100 mil milhões kwanzas (Kz), o equivalente a 273,4 milhões de dólares e 246,3 milhões de euros, segundo cálculos do jornal “Mercado” baseados nos resultados trimestrais dos bancos.

Foram objeto de análise seis dos maiores bancos a operarem no sistema bancário nacional e que por sinal, também estão a ser submetidos a um processo de avaliação da qualidade dos ativos, entre eles os bancos de Fomento Angola (BFA), Internacional de Crédito (BIC), Económico (BE), SOL, de Negócios Internacional (BNI) e o Angolano de Investimentos (BAI).

Até junho de 2019, os lucros dos bancos supracitados, ascenderam em mais de 260,7 mil milhões Kz, contra os 361 mil milhões Kz apurado no período homólogo de 2018 com o BAI a representar cerca de 35% dos resultados, o equivalente a 90,7 mil milhões Kz.

A instituição liderada por Luís Lélis, que viu o Estado a anunciar a venda da sua participação da estrutura acionista do banco, segundo o Programa de Privatizações 2019/2022 (PROPRIV), foi o banco que mais lucrou nos primeiros seis meses do ano. O lucro passou dos anteriores 42,8 mil milhões Kz para os atuais 90,7 mil milhões Kz, um aumento de 112%.

Na segunda posição surge, o banco BIC que registou, até Junho, resultados positivos em torno dos 35,2 mil milhões Kz, o equivalente a mais de 6 mil milhões Kz quando comparado com o mesmo período de 2018. Assim sendo, no capítulo dos resultados, o banco agora sob o comando de Hugo Teles, apresentou-se como um dos mais lucrativos entre aqueles analisados pelo Mercado, ao assinalar um crescimento em torno dos 21%.

 

Por sua vez, o BE que conheceu na passada semana de Agosto o seu novo Presidente do Conselho de Administração (PCA), o ex-ministro da Economia e Planeamento, Pedro Luís da Fonseca, surge como o banco que apresentou o pior desempenho em termos de resultado líquido durante o período considerado pelo Mercado.

Assim sendo, o lucro conseguido no primeiro semestre de 2019 foi de cerca de 43 mil milhões Kz, uma queda de cerca de 67 mil milhões Kz, o equivalente quase 61% quando comparado com o primeiro semestre de 2018, período em que os resultados ascenderam os 110 mil milhões Kz.

Recorde-se que o BE, passou a ter como acionista maioritário a Sonangol, com cerca de 70,3% do capital social.

O BNI destaca-se igualmente pela negativa. Segundo cálculos do Mercado, com base no balancete do banco, a variação foi de cerca de 58% resultante da queda dos seus resultados dos anteriores 17 mil milhões Kz, para os atuais 6,8 mil milhões Kz.

A avaliação do BFA não foi diferente. Durante o período, a instituição detida pelo Estado, por via da Unitel, registou, até Junho do corrente ano, lucro em torno dos 79,8 mil milhões Kz, uma queda de aproximadamente 48% face ao período homólogo de 2018, quando o lucro ascendia os 154,5 mil milhões Kz. Contas feitas, o BFA assinalou uma queda na ordem dos 74,7 mil milhões Kz.

Já o SOL, ao fechar o top quatro no capítulo dos resultados negativos, assinalou igualmente uma queda de cerca de 33%. O montante passou dos 4,9 mil milhões Kz no primeiro semestre de 2019, para os 7,4 mil milhões Kz face a 2018. A diferença entre os períodos foi de aproximadamente 2,5 mil milhões Kz.

Artigo da autoria de Rúben Ramos

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