O banco espanhol Bankinter obteve resultados líquidos de 812 milhões de euros até setembro, mais 11% que no período homólogo do ano anterior. A ajudar à subida dos lucros esteve a subida da carteira de crédito que compensou a queda de 3,5% da margem financeira (para 1.667 milhões de euros).
“No entanto, ao longo do ano observa-se uma tendência de melhoria, com a margem de juros trimestral a evoluir positivamente em cada um dos três trimestres do ano, sustentada pela redução do custo dos depósitos”, refere o banco.
As receitas com comissões subiram 11% para 577 milhões de euros.
A queda da margem de juros acumulada é compensada pelo crescimento de outras atividades, como a gestão de ativos, a intermediação bolsista, o negócio transacional de empresas ou os seguros, que registaram desempenhos particularmente positivos. Todas estas atividades de elevado valor acrescentado geram maiores receitas de comissões.
Também a queda das provisões para crédito e outros riscos ajudou à subida dos lucros uma vez que recuaram 9,4%.
Os custos operacionais subiram 9,4% num ano para 815 milhões de euros.
A carteira de crédito do banco cresce 5,3% acima da média do setor em todos os países em que o Grupo está presente, em especial na Irlanda (+20% de crescimento da carteira) e em Portugal (+11%), compensando em volume a queda da margem de juros.
A sucursal Bankinter Portugal registou um resultado antes de impostos de 157 milhões de euros e é a segunda geografia em volume de negócio e resultados.
Portugal conclui o terceiro trimestre com uma carteira de crédito de 11 mil milhões de euros, o que representa um crescimento de 11%.
Em detalhe a carteira de crédito da banca comercial cresceu 12% para 7 mil milhões de euros e a da banca de empresas cresceu 10% para 4 mil milhões de euros.
O banco em Portugal o rácio de crédito malparado ascende a 1,4%, melhor que o da casa-mãe e melhor que o do setor.
Os recursos de clientes, tanto do segmento grossista como do retalho, ascendem a 10.000 milhões de euros, mais 5% do que há um ano. No que respeita aos recursos geridos fora de balanço, incluindo os ativos sob custódia, o crescimento é bastante superior, de 23%, totalizando 11.000 milhões de euros, “o que evidencia um forte dinamismo comercial e uma clara orientação para produtos de maior valor acrescentado”.
“O resultado antes de impostos do Bankinter Portugal de 157 milhões de euros, representa um aumento de 2%, mesmo após o impacto de maiores custos associados ao investimento em novos projetos e à nova distribuição dos custos de forma equilibrada ao longo de todos os trimestres do ano”, explica o grupo espanhol liderado por Glória Ortiz.
Segundo a apresentação de contas pela administração do banco em Espanha, em Portugal a receita subirá 1% para 213 milhões de euros; as comissões crescem 5% para 59 milhões e os custos aumentaram 12% para 89 milhões de euros, graças a uma subida do investimento na rede comercial e na digitalização.
O rácio de eficiência (cost-to-income) fixou-se em 33%.
O resultado antes de provisões caiu 1% para 182 milhões, mas como as provisões para riscos caíram muito (14%) o banco acabou a ter resultados antes de impostos a crescerem 2% para 157 milhões.
No consolidado o Grupo Bankinter alcança, a 30 de setembro de 2025, um resultado antes de impostos de 1.143 milhões de euros, 5,6% superior ao valor registado há um ano, o que traduz um resultado líquido que ascende a 811,5 milhões de euros, mais 11% do que no final do terceiro trimestre de 2024. “Este valor representa um maior ritmo de crescimento do que o verificado no mesmo período de 2024 face ao exercício anterior, que foi de 7%”, refere o banco.
Entre os principais rácios da conta de resultados, destaca-se a rentabilidade, que se situa em níveis históricos, com um ROE (rentabilidade sobre os capitais próprios) de 18,2%, superior ao valor de 17,9% registado em 2024; e com um ROTE de 19,4%, colocando o banco numa posição de liderança face ao restante setor em Espanha.
Por sua vez, o capital e a solvência mantêm-se em níveis muito sólidos, com um rácio de capital CET1 de 12,94%, o que representa um aumento de 38 pontos-base face ao valor registado há um ano e quase cinco pontos percentuais acima do requisito mínimo regulamentar atualmente exigido ao Bankinter pelo BCE, fixado em 7,95%.
Em termos de eficiência, o Grupo mantém a sua já tradicional posição de liderança em Espanha, com um rácio de 36,2%.
No que diz respeito ao rácio de morosidade do crédito verifica-se uma melhoria de 17 pontos-base face ao valor de há doze meses, situando-se nos 2,05%, com um índice de cobertura de 70%, superior em mais de um ponto percentual ao verificado no mesmo período do ano anterior.
No balanço a 30 de setembro de 2025 os ativos totais do Grupo ascendem a 128.702 milhões de euros, o que representa um crescimento de 8,7% face ao mesmo período do ano anterior.
A carteira de crédito a clientes ascende a 82.501 milhões de euros, mais 5,3% do que há um ano, num contexto de forte concorrência.
Já os recursos de clientes, que englobam tanto os recursos de retalho como os recursos fora de balanço, ascenderam a 151.114 milhões de euros, representando um aumento homólogo de 11%. Dentro deste valor, os recursos de retalho (principalmente depósitos e contas à ordem) totalizam 85.302 milhões de euros, mais 4,9%. Por sua vez, os recursos geridos fora de balanço (fundos de investimento próprios e de terceiros, fundos de pensões, gestão de patrimónios, SICAVs e investimento alternativo) registam um crescimento recorde no setor, alcançando um total de 65.812 milhões de euros, com um aumento de 19,9%.
O grupo Bankinter destaca que teve um bom resultado nos testes de stress da Autoridade Bancária Europeia (EBA) realizados aos principais bancos do continente, em cooperação com o Banco Central Europeu (BCE).
Os resultados, publicados em agosto, destacaram o Bankinter como o banco cotado mais resiliente da Zona Euro, sendo também aquele que registaria o menor impacto no seu capital no cenário adverso apresentado, com uma redução estimada de apenas 55 pontos-base.
O banco de investimentos Jefferies revela que o resultado líquido do Bankinter no 3º trimestre ficou ligeiramente abaixo do consenso, com pequenas diferenças nas receitas (receita de trading e margem financeira líquida) e nos custos. “A diferença de 1% na margem financeira líquida é impulsionada por volumes de empréstimos 2% abaixo do esperado, com a dinâmica das margens a progredir como esperado”, dizem os analistas.
O Bankinter apresentou um resultado líquido de 270 milhões de euros no terceiro trimestre, 1% abaixo do consenso.
“No entanto, acreditamos que o consenso foi muito elevado em relação ao crescimento dos empréstimos, nos +7% num ano para o 3º trimestre, contra os +5% reais. Os custos apresentaram uma tendência de subida de 3% anual, a caminho de atingir a projeção para o ano fiscal. As comissões apresentaram uma tendência de melhoria (+11% num ano)”, refere o banco de investimento norte-americano.
O rácio de capital CET1 superou as expectativas em 30 pontos base.
(atualizada com dados da conferencia de imprensa)
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