Lucros do BPI caem 68% no semestre para 42,6 milhões de euros

A queda do resultado deveu-se essencialmente à constituição de imparidades de crédito líquidas de 83 milhões de euros no consolidado, que foram constituídas com um carácter preventivo. Os lucros em Portugal caíram 93% para 6,5 milhões de euros.

Rafael Marchante/Reuters

O BPI reportou um resultado líquido de 42,6 milhões no primeiro semestre de 2020, no consolidado, o que se traduz numa variação negativa homóloga de 68%.

A queda do resultado deveu-se essencialmente à constituição de imparidades de crédito líquidas de 83 milhões de euros, que foram constituídas com um carácter preventivo (incluem 48 milhões de imparidades não alocadas).

Na atividade nacional, a contração do lucro foi assim mais profunda do que no consolidado, tendo a instituição financeira reportado um resultado líquido de 6,5 milhões, isto é, uma queda homóloga de 93%.

A atividade internacional — BFA e BCI — contribuíram com 36,1 milhões de euros para o resultado líquido consolidado.

Na atividade doméstica, o produto bancário caiu 6,1%, para 311,8 milhões de euros. Isto deveu-se, por um lado, com menores receitas do produto bancário corte — as comissões caíram 7,1% e os dividendos e resultados de equivalência patrimonial cederam 17,3%, mas margem financeira subiu 2,4% — e, por outro, pelas perdas de 12,4 milhões em operações financeiras e com a contribuição de 15,5 milhões para o setor financeiro.

Os custos de estrutura caíram 3,6% para 215,9 milhões de euros, devido à descida de 13,2% das amortizações e de 6,3% dos custos administrativos. Os custos com pessoal permaneceram praticamente idênticos ao primeiro semestre de 2019, passando de 122,2 milhões para 122,4 milhões de euros.

O rácio cost-to-income, fixou-se nos 59,6%.

Os recursos dos clientes subiram 4,6% para 35.658 milhões de euros, impulsionados pela subida de 10,8% dos depósitos dos clientes, que expandiram 10,8% para 24.583 milhões de euros, mas os depósitos de investidores institucionais e financeiros caíram 52%, para 349 milhões de euros.  Já os ativos sob gestão caíram 1,3%, para 9.288 milhões de euros.

A carteira de crédito subiu 5,6% para 24,9 mil milhões de euros, sendo que o segmento do crédito às empresas foi o que cresceu mais (+7,1%), seguindo-se o crédito a particulares (+5%).

Na qualidade do crédito, o BPI tinha a 30 de junho de 2020 696 milhões de euros em NP, com um rácio de NPE de 2% e um rácio de coberutra de 69%.

O rácio de capital total atingiu os 17%, o CET1 fixou-se nos 13,8% e os Tier 1 ascendeu a 15,3%.

(atualizada com mais informação)

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