Lucros do Commerzbank afundam 76%. Dívida da Wirecard pesou mais que a Covid-19

Uma das especificidades dos resultados do banco alemão, é que registou mais perdas com o write-off do crédito da Wirecard do que com as provisões para a Covid-19. O write-off (imparidades a 100%) da dívida da fintech de tecnologia que colapsou somou 175 milhões de euros, acima das provisões constituídas para os efeitos da pandemia que, no segundo trimestre, foram de 131 milhões.

O Commerzbank – o segundo maior banco comercial privado alemão e no qual o governo alemão mantém uma participação um pouco acima de 15% e é o maior acionista (o fundo Cerberus é o segundo maior acionista com mais de 5%) – registou perdas de 96 milhões de euros no primeiro semestre de 2020, o que compara com o resultado atribuível líquido de 401 milhões no mesmo período do ano anterior. Isto traduz uma queda anual de 76%.

O banco alemão espera fechar o ano de 2020 com prejuízos.

Na análise ao segundo trimestre, o lucro operacional do Commerzbank caiu 34%, para 205 milhões nos três meses até junho, em comparação com o ano anterior, enquanto seu lucro líquido caiu 21%, para 220 milhões. Ambos os números foram melhores do que o esperado pelos analistas, mas o banco alertou os investidores de que o banco deverá ter prejuízos no ano, uma vez que as imparidades para crédito e os custos de reestruturação provavelmente aumentarão.

Uma das especificidades dos resultados do banco alemão, é que registou mais perdas com o write-off do crédito da Wirecard do que com as provisões para a Covid-19. O write-off (imparidades a 100%) da dívida da fintech de tecnologia que colapsou somou 175 milhões de euros, acima das provisões constituídas para os efeitos da pandemia que, no segundo trimestre, foram de 131 milhões.

O Commerzbank fazia parte de um consórcio de 15 bancos que financiou a fintech com uma linha de crédito revolving de 1,75 mil milhões de euros. O banco, que foi um dos quatro principais lead arrangers do empréstimo, contribuiu com 200 milhões para a linha de crédito. A Wirecard entrou em falência depois de se ter descoberto que as contas estavam falsificadas e que havia 1,9 mil milhões de euros “desaparecidos”.

No fim do segundo trimestre, o rácio de capital de melhor qualidade (CET1) era de 13,4%, o que compara com 13,2% em março e 12,9% em junho de 2019.

Na rubrica de resultados, destaque para o produto bancário que, entre janeiro e junho, atingiu 4.125 milhões, o que reflete uma queda de 3,7%. Isto apesar do aumento de 3,7% na receita líquida de juros, para 2.597 milhões e de 10,7% da receita líquida de comissões, até 1.668 milhões.

As ações do Commerzbank estão a subir em bolsa 4,14%.

Ler mais
Recomendadas

UBS vai ser julgado na segunda-feira feira por fraude fiscal

O banco é suspeito de ter, entre 2004 e 2012, enviado ilegalmente vendedores França para convencer clientes a abrir contas não declaradas na Suíça.

Novo Banco confirma venda do portefólio de malparado ‘Projecto Wilkinson’

A entidade liderada por António Ramalho confirmou a venda da carteira por 216,3 milhões de euros em ativos ao fundo Davidson Kempner, que desta forma vão provocar um impacto “marginalmente positivo” nas contas.

CEO do Goldman Sachs anuncia investimento de 156 mil milhões de dólares na sustentabilidade

David Solomon, presidente e CEO da Goldman Sachs, anunciou o progresso anual rumo ao compromisso do banco norte-americano em termos de Sustainable Finance Commitment. O banco norte-americano quer que os EUA regressem ao Acordo de Paris.
Comentários