Lucros dos CTT caem 38% para 3,7 milhões. Receitas do Banco sobem para 9 milhões

No primeiro trimestre deste ano, as receitas do banco liderado por Francisco Lacerda subiram quase 19% para nove milhões de euros, mas não compensou as quedas de três milhões do negócio dos Correios e de 1,6 milhões do negócio Expresso & Encomendas.

Miguel A. Lopes/Lusa

Os lucros no primeiro trimestre do ano dos CTT – Correios de Portugal (CTT) caíram 38,1%, em termos homólogos, para 3,7 milhões de euros. Os CTT justificam a queda dos lucros com a contração de 20,4% do EBIT – receitas antes impostos – para 14,2 milhões, o que compara com os 17,9 milhões em igual período do ano anterior.

As indemnizações por rescisões por mútuo acordo, enquadrado no Plano de Transformação Operacional em curso, ainda que inseridas na rubrica “itens específicos”, que registou uma melhoria de 0,3 milhões de euros em termos homólogos, e cujos encargos ascenderam a 5,6 milhões de euros, fixaram-se nos quatro milhões de euros entre janeiro e março deste ano, e tiveram impacto no resultado líquido.

Os resultados financeiros fixaram-se nos 2,1 milhões negativos, o que também pesou nos lucros, que também não beneficiaram do decréscimo do imposto a pagar, que contraiu 0,3 milhões, para 2,9 milhões.

Os resultados operacionais, “em linha” com o primeiro trimestre do ano anterior, caíram cem mil euros, para 176,9 milhões de euros.

Entre as quatro áreas de negócio dos CTT, destaque para a queda de 3,3% (-4,1 milhões) da atividade do “Correio e Outros”, que gerou 123,3 milhões em receitas. A quebra no segmento mais relevante dos CTT – representou quase 70% das receitas –  deveu-se à queda de 11,3% do tráfego de correio endereçado, que foi “fortemente impactada pelo adiamento de envios do Estado para o [segundo trimestre de 2019] e pela perda de tráfego de clientes na banca e seguros para a concorrência em finais de março de 2018”, explicou a empresa em comunicado enviado à Comissão do Mercado dos Valores Mobiliários. “Excluindo estes efeitos, a queda [do tráfego endereçado] seria entre 8% a 8,5%”, lê-se na nota.

As receitas do segmento “Expresso & Encomendas” representaram cerca de 30% das receitas totais e apresentaram uma variação positiva de 2%, ascendendo a 36,7 milhões. A operação portuguesa foi a que mais contribuiu para este crescimento (+3,5% ou 0,8 milhões) e compensou as perdas em Espanha (-0,4%) em Moçambique (-1,1%).

As receitas do Banco CTT, detido a 100% pelo Grupo, foram as que mais cresceram. No primeiro trimestre deste ano, as receitas do banco liderado por Francisco Lacerda subiram quase 19% para nove milhões de euros, o que traduz o “crescimento da margem financeira (66,3%)  e comissões recebidas 78,7%, impactadas negativamente pela redução de -5,8% de pagamentos e transferências da Payshop e outros”.

A nível operacional, os CTT destacaram o “crescimento significativo” do número de contas abertas junto do Banco CTT e do “robusto crescimento” dos depósitos no final de março de 2019. No primeiro trimestre do ano passado, o Banco CTT tinha 255 mil contas abertas, número que subiu cerca de 48% para 379 mil em março deste ano.

Os serviços financeiros também registaram um desempenho positivo quando comparados com igual período do ano passado, ao apresentarem um crescimento de 31,1% das receitas para 7,8 milhões.

Os gastos operacionais subiram 1,1% para 155,9 milhões “devido sobretudo aos gastos diretos da atividade (…) nas áreas de negócio Expresso e Encomendas e Banco”. Mas o Plano de Transformação Operacional em curso permitiu reduzir em 1,1 milhões os gastos operacionais nas áreas de negócio Correio e Outros e também na área dos Serviços Financeiros, cujos custos contraíram 0,7 milhões.

O EBITDA – resultados antes de impostos e amortizações – caiu 7,5% para 21 milhões, tendo sentido o impacto das quedas verificadas nos segmentos Correios e Outros e Expresso & Encomendas, que não foram compensadas pela evolução verificada nas áreas de negócios dos Serviços Financeiros e do Banco CTT.

Contratos a termo aumentaram

Em março deste ano, os CTT tinham 12.075 colaboradores, isto é, 119 a menos do que em igual período do ano passado. Os CTT explicaram que foram reduzidos “os meios afetos às áreas de negócio de ‘Correio” e dos  ‘Serviços Financeiros’ e reforçaram-se as áreas de negócio de ‘Expresso e Encomendas'” assim como do Banco CTT.

Da número total de trabalhadores, cerca de 90% são trabalhadores efetivos, enquanto o remanescente corresponde a contratos a termo. Registou-se uma diminuição de 217 efetivos e um aumento de 98 contratos a termo, sendo que, nesta evolução “teve especial impacto a redução dos trabalhadores efetivos dos CTT (-270)”.

Estes números já refletem as saídas de trabalhadores efetivadas em 2019 (55), que acrescem às saídas já realizadas nos dois últimos anos ao abrigo do Programa de Otimização de Recursos Humanos, enquadrado no Plano de Transformação Operacional em curso. Em 2017 saíram 161 colaboradores, número que aumento para 268 em 2018.

 

 

 

(atualizada às 19h14)

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