A Avenida da Liberdade voltou a cumprir o valor-limite anual de dióxido de azoto (NO₂) em 2025. No entanto, os dados da Associação ambiental ZERO mostram que a capital portuguesa ainda enfrenta níveis de poluição até duas vezes superiores ao que será legal a partir de 2030, evidenciando a necessidade urgente de medidas mais restritivas no trânsito urbano.
A análise dos dados provisórios de 2025 das estações de monitorização da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT) indicam que a concentração média anual de NO₂ na Avenida da Liberdade foi de 40 μg/m³, cumprindo exatamente o valor-limite legal de 40 μg/m³. Entre outros locais monitorizados, registam-se 32 μg/m³ em Entrecampos e 27 μg/m³ em Benfica (Al. Padre Álvaro Proença).
Apesar do cumprimento da legislação atual, todos os locais analisados continuam problemáticos: os valores médios são duas a quatro vezes superiores ao recomendado pela Organização Mundial da Saúde (10 μg/m³) e excedem amplamente o limite que entrará em vigor a partir de 2030 (20 μg/m³). Para a Avenida da Liberdade, o valor de 2025 é o dobro do limite futuro, em Entrecampos cerca de 60% acima, e em Benfica cerca de 35% acima. A ZERO alerta que a Câmara Municipal de Lisboa dispõe agora de quatro anos para reduzir drasticamente estes níveis.
A poluição atmosférica tem impactos graves: na Europa, morreram prematuramente cerca de 279 mil pessoas em 2023 devido à exposição a poluentes como PM2,5, O₃ e NO₂, com consequências particularmente graves para crianças, adolescentes e pessoas com doenças respiratórias e cardiovasculares. Em Portugal, a poluição mata cerca de 4.200 pessoas por ano, além de gerar custos elevados para o Sistema Nacional de Saúde e perda de produtividade.
O trânsito automóvel é a principal fonte de NO₂ nas cidades. Embora a Avenida da Liberdade faça parte da única Zona de Emissões Reduzidas (ZER) de Lisboa, a falta de atualização e fiscalização torna-a ineficaz. Atualmente, a avenida possui oito faixas de circulação, sem infraestrutura ciclável contínua, permitindo tráfego excessivo de veículos de uso privado.
A organização sublinha ainda a necessidade de envolver a sociedade civil e organizações ambientais na elaboração do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável, garantindo que a qualidade do ar e o bem-estar da população sejam prioritários.
CAIXA
A ZERO recomenda uma série de medidas para reduzir a poluição:
Tagus Park – Edifício Tecnologia 4.1
Avenida Professor Doutor Cavaco Silva, nº 71 a 74
2740-122 – Porto Salvo, Portugal
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