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Maioria das companhias aéreas consegue suportar o impacto do encerramento do espaço aéreo no Médio Oriente, diz DBRS

Para além das interrupções operacionais, o risco mais significativo para as companhias aéreas globais decorre da volatilidade dos preços dos combustíveis. O conflito levanta preocupações sobre as cadeias de abastecimento de crude, e qualquer aumento significativo ou prolongado dos preços do petróleo e do querosene de aviação teria amplas implicações para a rentabilidade das companhias aéreas.
3 Março 2026, 00h02

A maioria das companhias aéreas globais consegue suportar o impacto directo do encerramento do espaço aéreo no Médio Oriente, mas o preço do combustível representa um risco. A conclusão é da Morningstar DBRS.

A 28 de fevereiro de 2026, os Estados Unidos e Israel realizaram ataques coordenados contra alvos militares iranianos. O Irão respondeu lançando mísseis e drones contra bases americanas e os países aliados na região.

A escalada alastrou para o Golfo Pérsico e fechou temporariamente o espaço aéreo sobre o Irão, Iraque, Kuwait, Israel, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Qatar, encerrando importantes aeroportos internacionais, como o Aeroporto Internacional do Dubai, o Aeroporto Internacional Zayed em Abu Dhabi e o Aeroporto Internacional Hamad em Doha. Estes acontecimentos causaram perturbações significativas para o setor da aviação global.

A DBRS analisou as implicações para o setor e descobriu que são as companhias aéreas regionais que enfrentam maior pressão operacional e podem ver os seus perfis de crédito deteriorados em caso de um conflito prolongado.

Ao contrário, as companhias aéreas globais enfrentam perturbações moderadas, mas controladas, com a suspensão dos voos para o Médio Oriente e o encerramento do espaço aéreo em toda a região, o que obriga a rotas alternativas mais longas, aumenta o tempo de voo e o consumo de combustível.

Para além do impacto directo do encerramento do espaço aéreo, o conflito introduz incertezas nos mercados petrolíferos globais, e qualquer aumento sustentado dos preços do combustível de aviação representa um risco significativo para as companhias aéreas em todo o mundo, especialmente num ambiente económico onde muitas delas podem ter uma capacidade limitada para repercutir integralmente os custos mais elevados devido à fragilidade da confiança dos consumidores.

O combustível de aviação representa uma parte significativa dos custos operacionais das companhias aéreas, pelo que a subida dos preços do querosene de aviação representam um risco significativo. Qualquer aumento substancial e sustentado pode exercer pressão sobre as margens de lucro e os perfis de crédito. A procura mais fraca limita a capacidade das companhias aéreas de repercutir integralmente os custos mais elevados.

“Esperamos que o impacto operacional e financeiro direto permaneça controlável para a maioria das companhias aéreas globais fora do Médio Oriente, pelo menos no curto prazo”, defende Rohit Kumar, vice-presidente de Classificações Corporativas.

“O conflito introduz incertezas em torno dos mercados petrolíferos globais, e qualquer aumento sustentado dos preços do querosene de aviação representa um risco significativo para as companhias aéreas em todo o mundo, especialmente num ambiente económico em que muitas companhias aéreas podem ter uma capacidade limitada para repercutir integralmente os custos mais elevados devido à fragilidade da confiança do consumidor”, acrescenta.

Para além das interrupções operacionais, o risco mais significativo para as companhias aéreas globais decorre da volatilidade dos preços dos combustíveis. O conflito levanta preocupações sobre as cadeias de abastecimento de crude, e qualquer aumento significativo ou prolongado dos preços do petróleo e do querosene de aviação teria amplas implicações para a rentabilidade das companhias aéreas.

O combustível representa normalmente cerca de 20% a 30% dos custos operacionais das companhias aéreas, e o sector beneficiou nos últimos anos de um ambiente de preços dos combustíveis relativamente favorável, o que sustentou as margens mesmo com a baixa rentabilidade por passageiro em determinados mercados.

Portanto, qualquer aumento afetará as margens e os lucros globais das companhias aéreas globais. Já o assistimos durante eventos e crises geopolíticas globais anteriores, dado que o setor da aviação sofreu vários choques ao longo dos últimos 25 anos.

No entanto para as companhias aéreas regionais o risco é maior. As companhias aéreas do Médio Oriente estão a enfrentar as interrupções mais graves. As suas operações, que dependem fortemente da conectividade dos mega-hubs do Golfo, Dubai, Abu Dhabi e Doha, podem permanecer severamente limitadas até que as tensões regionais diminuam. O encerramento de importantes centros de trânsito está a resultar em frotas paradas, tripulações retidas e horários reduzidos. Estas companhias aéreas podem ver os seus perfis de risco de crédito deteriorados se o conflito se prolongar por um período prolongado.


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