Maioria das empresas do PSI20 mantém política de dividendos com pandemia e resultados inferiores (com áudio)

Até agora, 13 das 18 empresas que compõem o índice de referência confirmaram a intenção de apresentar propostas de distribuição de dividendos em 2021 às respetivas assembleias-gerais.

A generalidade das empresas do PSI20 vai manter a política de dividendos dos anos anteriores, apesar da pandemia e de resultados anuais inferiores a 2019, com três empresas (Semapa, Sonae SGPS e Ramada Investimentos) a anunciar aumento das remunerações aos acionistas.

Até agora, 13 das 18 empresas que compõem o índice de referência confirmaram a intenção de apresentar propostas de distribuição de dividendos em 2021 às respetivas assembleias-gerais.

A Jerónimo Martins já, inclusivamente, aprovou em assembleia-geral, na quinta-feira, a distribuição de um dividendo bruto de 0,288 euros por ação (excluindo as ações próprias em carteira) e que o pagamento do dividendo ocorrerá dia 06 de maio.

A Altri, a Galp e a Jerónimo Martins propuseram uma descida do dividendo, em linha com a queda dos seus resultados em 2020, a Corticeira Amorim, EDP Renováveis, EDP, NOS, REN e Navigator propõem uma manutenção e a Semapa, Sonae e Ramada Investimentos propõem uma subida da remuneração aos acionistas, enquanto os CTT, que no ano passado cancelaram o dividendo, este ano anunciaram já a intenção de o distribuir.

Para o analista do Banco Carregosa, Paulo Rosa, as cotadas do PSI20 deverão entregar este ano cerca de 83% do lucro aos acionistas, em dividendos, num ano em que os resultados líquidos desceram 23% devido aos efeitos da covid-19.

Paulo Rosa espera que sejam 14 as cotadas do PSI20 que vão remunerar os seus acionistas em 2021, e que vão reduzir, em média, o dividendo em 13%, sendo que algumas delas ainda não divulgaram a sua intenção.

Também para o diretor da XTB Portugal, Eduardo Silva, a expectativa é a de que até 14 empresas do PSI20 paguem dividendos este ano.

Assim, acrescenta, depois das empresas portuguesas terem pago menos 7% de dividendos em 2020, comparativamente com o ano anterior, este ano de 2021 a queda deverá ser um pouco superior e os dividendos pagos não deverão ultrapassar os 2,0 mil milhões de euros.

Segundo Paulo Rosa, a política de distribuição de dividendos em 2021 é idêntica à dos anos anteriores “e não se constatam exageros”.

“É uma distribuição que carrega algum otimismo para 2021 quanto à pandemia, aos progressos das vacinações e à reabertura e retoma económica”, refere.

Para João Dias, do Montepio, na generalidade dos casos, os resultados apresentados pelas cotadas no PSI20 encontram-se dentro dos níveis esperados pelos analistas.

Relativamente à política de dividendos, refere, “constata-se que apesar da pandemia e de resultados anuais inferiores a 2019, a generalidade das empresas optou por manter a política de dividendos dos anos anteriores, com empresas, inclusive, a aumentarem o dividendo pago aos acionistas”.

Regra geral, segundo Eduardo Silva, a expectativa é de que nas empresas que anunciaram que devem pagar dividendo, mais de 50% dos resultados gerados possam vir a ser aprovados para dividendo e, em casos como a REN, o valor proposto ultrapassa inclusive o valor de lucro gerado em 2020.

“Os valores propostos para votação em assembleia-geral animaram os investidores ao mostrar que, por um lado, existe otimismo quanto a uma retoma, enquanto, por outro, o foco segue em manter uma forte estrutura de capital para lidar com os desafios atuais”, sublinha.

De acordo com os dados divulgados pelas empresas à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, a Altri propôs baixar o dividendo para 0,25 euros por ação (de 0,30 euros em 2020), com a remuneração aos acionistas a diminuir 17% num ano em que o lucro desce também 65% para 34,98 milhões de euros.

O BCP, por sua vez, baixou o lucro para 183 milhões de euros em 2020, contra os mais de 300 milhões de 2019 e anunciou que só tomará uma decisão sobre regresso aos dividendos em setembro.

Os CTT, por seu turno, retomam o pagamento de dividendos em 2021 e propõem pagar aos acionistas 0,085 euros por ação. O valor proposto pela administração representa um corte de 22,7% face aos 11 cêntimos propostos no último exercício, que acabaram por não ser distribuídos devido ao impacto da pandemia. O Clube dos Pequenos Acionistas (Maxyield) considera que a proposta é “muito baixa e dececionante”.

O lucro da Corticeira Amorim baixou também 14,2% para 64,3 milhões de euros, mas a empresa decidiu manter o pagamento de dividendos no montante de 24,6 milhões de euros, ou seja, 0,185 euros.

A EDP Renováveis, que aumentou o lucro em 17% em 2020 para 556 milhões de euros, decidiu também manter o dividendo de 0,08 euros por ação e a EDP – Energias de Portugal anunciou que o dividendo continuará de 0,19 euros por ação, depois do lucro ter avançado 56% para 801 milhões de euros em 2020.

A Galp Energia, por sua vez, vai propor um dividendo de 0,35 euros, menos 50% do que no ano passado, cerca de 290 milhões de euros, depois de ter fechado o ano com prejuízos de 42 milhões de euros.

A Jerónimo Martins irá remunerar os seus acionistas em 2021 com um dividendo de 0,288 euros, 181 milhões de euros (menos do que os 0,35 euros de 2020), depois do seu lucro ter caído 20% no ano passado para 312 milhões de euros.

A NOS, por sua vez, viu o seu lucro em 2020 cair quase 36% em 2020, para 92 milhões de euros, mas a administração propõe manter o dividendo em 0,278 euros por ação.

A Novabase propõe não pagar dividendos em 2021, depois do lucro de 2020 ter caído 63% para 7,5 milhões de euros.

O resultado líquido da Pharol em 2020 foi negativo em 14,3 milhões de euros, contra um lucro de 20,7 milhões um ano antes, não tendo a empresa divulgado qualquer intenção de remunerar os seus acionistas.

Já a Ramada Investimentos anunciou que lucrou 6,9 milhões de euros em 2020, o que representa uma quebra de 14% face a 2019 e que tenciona pagar um dividendo de 0,60 euros em 2021.

A REN mantém a proposta de remuneração dos seus acionistas nos 0,171 euros, apesar do lucro ter caído 8% para 109,2 milhões de euros em 2020.

A Semapa, com uma queda de 14% no lucro para 106,6 milhões em 2020, anunciou que irá propor o pagamento de um dividendo de 0,512 euros por ação, regressando ao valor pago em 2019 referente ao exercício de 2018 após o corte do ano passado e a Navigator, cujo lucro caiu 35% para 109 milhões de euros, manterá o pagamento próximo do valor do ano passado (0,14 euros por ação).

A Sonae, por sua vez, propôs um aumento de 5% no seu dividendo face ao anterior exercício para 0,0486, apesar da queda no lucro de 57,2%, em respeito a 2019, para 71 milhões de euros.

A Mota-Engil fechou 2020 com prejuízos de 20 milhões de euros, que compara com lucros de 27 milhões no ano anterior, não tendo ainda divulgado qual será a sua política de dividendos.

A Ibersol ainda não divulgou os seus resultados de 2020, nem a política de dividendos para este ano.

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