Mais Estado e menos privados

1. António Costa e Silva, o gestor escolhido pelo primeiro-ministro para a elaboração do plano de recuperação do país pós-Covid e depois convidado para presidente da Comissão de Acompanhamento do Plano de Resiliência (PRR) percebeu desde o início que aquilo que foi entregue na União Europeia para a obtenção dos fundos comunitários, a famosa “bazuca”, tem Estado a mais e iniciativa privada a menos.

1. António Costa e Silva, o gestor escolhido pelo primeiro-ministro para a elaboração do plano de recuperação do país pós-Covid e depois convidado para presidente da Comissão de Acompanhamento do Plano de Resiliência (PRR) percebeu desde o início que aquilo que foi entregue na União Europeia para a obtenção dos fundos comunitários, a famosa “bazuca”, tem Estado a mais e iniciativa privada a menos. Nas declarações recentes na RTP deixou claro a sua opinião e ao liderar a Comissão de Acompanhamento do PRR teve de “engolir” aquilo que desenhou uns meses antes para ser o plano de recuperação do pós-Covid. Perante a difícil questão sobre a visão daquilo que é o objetivo da “bazuca” europeia e aquilo que é a necessidade do país dentro da sua visão, arranjou um argumento de “bolso”: o seu estudo estava feito numa perspetiva a 10 anos, o da UE é tudo para o imediato. Na verdade, a antecipação das situações é crítica para se ter sucesso para as próximas gerações.

 

2. Mas fora do PRR e com efeitos imediatos temos um problema que tende a crescer e que alguns gestores continuam a não dar a devida importância. O tema das moratórias não parece tão simples como quilo que o presidente da Associação Portuguesa de Bancos, Faria de Oliveira, quis deixar entender. Disse que aquilo que lhe foi transmitido é que o impacto nas famílias de quem teve de recomeçar a pagar as prestações sobre hipotecas em abril não resultou num número de incumprimentos preocupantes. Disse ainda que preocupante será a situação das empresas que terão de retomar os planos de pagamento, sobretudo o grande número que será obrigada a voltar ao cumprimento das obrigações em setembro. Ora, o tema das moratórias para uma economia em dificuldades, com PME sem tesouraria e que a “bazuca” ajudará pouco, e ainda a pressão sobre as famílias não nos parece algo de menor importância.

Setembro será também o mês em que o impacto da eventual recuperação do turismo irá abrandar e não se sabe como evoluirá a pandemia e que solução é que as vacinas trarão. Há sempre o risco da evolução negativa dos contágios. Isto significa que faz sentido estar atento e ter um plano “B de ajuda nas moratórias, sob pena de cavarmos fundo um novo ciclo depressivo.

 

3. As lutas para as autárquicas e as lutas dentro dos partidos com impacto nas lideranças está a subir de tom. O aproveitamento de processos judiciais por parte da política voltou a estar na ordem do dia. Do lado do Governo é preocupante que a pandemia tenha acabado por servir de pretexto para a supressão de alguns direitos democráticos.

Claro que as opções já vinham de trás como a questão do fim dos debates mensais, o tema da procuradoria europeia ou a substituição do presidente do Tribunal Constitucional. Mas este downgrade democrático dentro do PS entrou num outro nível com a redução para metade dos delegados eleitos ao congresso, quando se mantiveram todos os delegados inerentes. Era aqui que a oposição interna tinha alguma hipótese e perdeu. O congresso tem a particularidade de ser dividido em 13 locais espalhados pelo país e cuja ligação é feita via plataformas. O curioso é que o congresso está marcado para 10 a 11 de julho quando o fim do confinamento, incluindo a obrigação de uso de máscara está previsto para 5 de julho. Este é um congresso que se vai fazer depois do confinamento e ainda assim será maioritariamente online.

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