Depois de um breve alívio, preço da electricidade atinge novo recorde esta quinta-feira

Depois de quatro dias a subir, esta quinta-feira é dia de novo máximo histórico no preço do mercado grossista ibérico. Governo já garantiu ter “almofadas” para controlar precários e garante que não haverá “subidas significativas” do preço da luz.

Ao fim de uma semana de alívio, o preço da eletricidade no mercado grossista ibérico (Mibel) voltou a atingir um novo teto máximo esta quinta-feira, mantendo a tendência assistida no início de setembro.

Segundo os cálculos apresentados pela OMIE, o operador do mercado diário e intradiário do Mibel, esta quinta-feira, 9 de setembro, o preço médio será de 141,71 euros/MWh em Portugal e Espanha, um valor ligeiramente acima daquele verificado a 2 de setembro, altura em que o nível máximo histórico (agora ultrapassado) fora de 140,23/MWh na Península Ibérica. Na passada terça-feira, 7 de setembro, o valor situava-se nos 127,36 euros por MWh.

Assim, depois de oito máximos históricos durante o mês de agosto (entre os quais cinco dias consecutivos de recordes, entre 9 e 13 de agosto), setembro continua igualmente sob forte pressão no mercado grossista de eletricidade (quatro dias de recordes consecutivos, entre 30 de agosto a 2 de setembro), condicionado, desta vez, por uma nova contração da produção de energia eólica.

O secretário de Estado Adjunto e da Energia, João Galamba, garantiu, esta terça-feira, que, com a informação disponível à data, não haverá “subidas significativas” do preço da eletricidade para os consumidores domésticos, mas não se comprometeu com a ausência de subida.

“Não nos comprometemos com valores concretos, não nos comprometemos se sobe 1%, se não sobe de todo […], o que sabemos é [que], face à enorme subida no preço grossista de eletricidade, temos os meios para evitar aumentos significativos dos consumidores domésticos e tudo faremos para que não haja aumentos, só que as contas só se fecham mais à frente e não temos toda a informação e portanto é tão longe quanto podemos ir”, afirmou o governante aos jornalistas, à margem da sessão de apresentação de um estudo sobre o impacto da eletricidade de origem renovável, apresentado ontem pela Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN), num hotel em Lisboa.

No dia em que os preços no Mibel tinham atingindo os 130,53 euros/megawats/h (MWh), o ministro do Ambiente frisou que Portugal tem “muitas almofadas” para contrariar aumento do preço da eletricidade, frisando que o preço foi reduzido em 11% com este Governo.

“É óbvio que o aumento da eletricidade da produção é um fator que inibe a possibilidade de podermos reduzir o seu custo, temos muitas outras almofadas para o poder contrariar. Quem faz a conta final, é a ERSE”, adiantou.

Em Espanha, a ministra da Transição Ecológica, Teresa Ribera, já admitiu que a fatura da eletricidade pode disparar 25% este ano em relação a 2020, devido aos acréscimos no mercado ibérico, conforme noticiou o “El País”. Além disso, descartou qualquer intervenção pública na fixação de limites.

Em reação, o ministro do Ambiente garantiu que “quem vende eletricidade não tem feito nenhum aumento no preço”, algo que já corroborado pela EDP e Galp, embora a Iberdrola não subscreva à mesma posição.

“A situação de Portugal é completamente diferente da de Espanha, porque se o preço base para Portugal e Espanha é o mesmo, em Espanha a maior parte dos contratos e das variações são mensais. Em Portugal são anuais, não há qualquer comparação”, afirmou Matos Fernandes.

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