Manifesto pela liberdade económica

A abertura das economias ao exterior tem permitido a forte competição nos mercados fazendo com que as empresas se superem e inovem. O isolacionismo não é o caminho.

Entre 1950 e 1973, a economia mundial atravessou a fase mais favorável de sempre. Nesse período – conhecido como Golden Age –, o PIB do mundo cresceu, em média, a quase 5% ao ano; o ritmo mais elevado desde que há registos.

Há diversos factores explicativos para a prosperidade da Golden Age. Do lote dos indiscutíveis fazem parte a criação de instituições fortes e flexíveis que aprofundaram as relações entre os países e possibilitaram uma maior flexibilização do comércio internacional. Mesmo o Portugal do Estado Novo – conotado com o “orgulhosamente sós” –, assinou acordos internacionais e aderiu a um conjunto de importantes instituições, o que contribuiu para a época do maior crescimento da economia portuguesa[1].

O mundo, tal como o conhecemos, seria hoje bem diferente (para pior) se após a Segunda Guerra Mundial a maior parte das nações tivesse optado por se fechar na sua própria “quinta”. É que a abertura das economias ao exterior tem permitido, por exemplo, a forte competição nos mercados fazendo com que as empresas se superem e inovem, isto é, procurem ser melhores do que os seus concorrentes, o que tem trazido inegáveis benefícios para todos.

A crise das dívidas soberanas, o terrorismo, as migrações ilegais, bem como a Covid-19 têm, no entanto, contribuído para afectar a coesão e para minar a confiança nas instituições internacionais. De dia para dia, aumenta o número de partidários do proteccionismo económico (veja-se o caso dos EUA com a aplicação de tarifas alfandegárias) e do isolacionismo (veja-se o caso do Reino Unido com o Brexit).

O mundo enfrenta hoje enormes ameaças. É certo que uma maior liberdade deve sempre ser acompanhada por uma maior responsabilidade (e responsabilização). É inacreditável que a China ainda não tenha compensado, por sua própria iniciativa, os países afectados pela pandemia; muitos estão agora a entrar em recessão económica. Contudo, a História também já nos ensinou que as coisas não se resolvem com proteccionismos e isolacionismos. É precisamente nestas alturas difíceis que os grandes líderes são postos à prova.

O autor escreve de acordo com a antiga ortografia.

 

[1] Recorde-se que Portugal foi membro fundador da OECE em 1948, membro fundador da NATO em 1949, tornou-se membro de pleno direito da ONU em 1955, foi membro fundador da EFTA em 1960, tornou-se membro do FMI em 1961 e aderiu ao GATT em 1962.

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