Marca Novo Banco vai ser analisada pela nova gestão

O banco liderado por António Ramalho não fecha a porta a uma mudança de marca. As vendas em Cabo Verde e em França estão avançadas.

Rafael Marchante/Reuters

A nova gestão do Novo Banco –, composta pelo Conselho Geral de Supervisão liderado por Byron Haynes e com o vice-Presidente Karl-Gerhard Eick – e pelo Conselho de Administração Executivo liderado por António Ramalho vai ainda estudar a marca Novo Banco. A mudança de marca é uma possibilidade em aberto para o banco detido pela Lone Star. Fonte do banco questionado, não comenta.

Segundo soube o Jornal Económico, junto de fonte ligada ao processo, a administração do banco deverá avançar com um estudo da marca, pois a marca Novo Banco está associada a um banco de transição.

Mas nada está ainda decidido uma vez que vai ser avaliado se mantêm a marca ou se criam uma nova marca. Estando o processo em aberto a marca poderá ser alterada, se assim indicarem os estudos.

O Novo Banco começou a primeira semana com o novo acionista em grande a azáfama. Estão a ser analisados os planos estratégicos do acionista e os da gestão para se traçarem os planos de atuação futura, com vista a cumprir o plano de negócios e de reestruturação acordados com Bruxelas.

Mantêm-se as vendas de ativos internacionais. Para já está praticamente fechada a venda do banco em Cabo Verde. O Novo Banco vai ficar com 10% do Banco Internacional de Cabo Verde, que terá os restantes 90% nas mãos de uma sociedade do Bahrein, do Médio Oriente. Tal como comunicado ao mercado em agosto, mantêm-se o processo que está na fase final: “O Novo Banco, celebrou com a sociedade IIBG Holdings B.S.C., sociedade constituída no Bahrein, um contrato de compra e venda de 90% do capital social do Banco Internacional de Cabo Verde”, indicou no ínicio de agosto em comunicado o banco presidido por António Ramalho.

Também há já, surgiu há relativamente pouco tempo, um interessado no BES Vénétie. A valores de balanço, Novo Banco pode encaixar pouco mais de 150 milhões com esta venda.

Quanto aos ativos imobiliários que estão no balanço do Novo Banco e fora do mecanismo de capitalização contingente (pois esses são geridos pelo Fundo de Resolução) irão também ser analisados sobre que destino lhes será dado. Se serão vendidos ou mantidos para rentabilizar.

Já é conhecido que o banco vai manter o apoio às pequenas e médias empresas e vai até ao fim de dezembro de 2021, descontinuar a atividade de private banking.

Recorde-se que plano de reestruturação acordado com a DG Comp europeia é contingente dos resultados do banco. Sem terem sido detalhadas que tipo de metas condicionam o grau de medidas de reestruturação a aplicar, sabe-se já que quanto melhores os resultados e os indicadores definidos, menor a dimensão dos remédios e da reestruturação (cortes) a aplicar.

Na declaração da cerimónia de assinatura da venda do Novo Banco, o norte-americano Donald Quintin, senior managing director do Lone Star, adiantou que a gestora de fundos Lone Star “deseja continuar a parceria com as autoridades portuguesas, o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia no sentido de tornar o Novo Banco mais forte, mais estável, um pilar do sistema bancário português, focado no mercado doméstico, com o capital, recursos e a experiência necessários para promover o sucesso dos seus clientes e da economia portuguesa”.

O Lone Star assumiu que o futuro da economia portuguesa, reconhecemos a força e a relevância única do novo banco no apoio às pequenas e médias empresas, um motor fundamental para o crescimento de Portugal e hoje queremos deixar uma mensagem de confiança e de esperança”.

 

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