Marcelo na ONU: “Conselho de Segurança deve ter presença de África, Brasil e Índia”

É um dos temas mais difíceis no interior da UNO, mas o Presidente português não quis deixar de se lhe referir. A sua intervenção foi toda ela no sentido da defesa do multilateralismo como única arma global para os problemas, que são também globais.

Cristina Bernardo

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse na sua intervenção na 76ª assembleia-geral da ONU que “a reforma do Conselho de Segurança” é essencial para que a ONU se modernize e responda de forma clara ao mundo novo do século XXI – e, nesse contexto, defendeu que “a África, o Brasil e a Índia devem fazer parte permanente” desse órgão cimeiro da organização.

Um tema que carece de consenso e que não será fácil de dirimir junto dos atuais membros permanentes do conselho (Estados Unidos, China, Reino Unido, França e Rússia) mas também na assembleia-geral propriamente dita – onde se digladiam forças que tentar ancorar-se a países que pretendem fazer parte do Conselho e tentar angariar apoios.

A restante intervenção de Rebelo de Sousa foi bem menos polémica, tendo de alguma forma, e tal como tinha prometido, alinhado com o discurso de António Guterres ao início da tarde. “Felicito-o pelo exemplar primeiro mandato, apoio integralmente as prioridades por si escolhidas”, disse a António Guterres.

Mais à frente na intervenção, o Presidente português disse que a pandemia mas também o Afeganistão servem para explicar que “o mundo é multipolar, nenhuma nação pode enfrentar sozinha ou com apenas alguns parceiros” os desafios que se deparam ao planeta, sejam de que índole for.

“Compromisso e concertação, isto é multilateralismo” e é a resposta, a única resposta a todos os desafios, sejam o pandémico ou o climático: “Sempre que rejeitamos o multilateralismo, falhamos”, disse Rebelo de Sousa.

“Portugal está sempre, tal com a União Europeia, do lado do multilateralismo”, acrescentou, para explicar mais particularmente que o país “está emprenhado na reforma da Organização Mundial de Saúde, na garantia das vacinas como um bem público global”, mas também “com a agenda 2030” e “com o alívio das dívidas dos países mais vulneráveis”.

Marcelo Rebelo de Sousa teve ainda tempo para recordar a Conferência dos Oceanos”, que as Nações Unidas realizarão em Lisboa, mas também o problema de Moçambique na luta contra o terrorismo. Lembrou ainda a presidência do conselho da União Europeia por parte de Portugal no primeiro semestre do ano – tal como assegurou que a Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa (CPL), “que caminha para os 25 anos de vida” é também, afinal, um exemplo de multilateralismo.

E até mesmo o facto de Portugal recolher refugiados no seu país é ainda multilateralismo – ficando neste particular uma mensagem especial à memória de Jorge Sampaio, que Rebelo de Sousa fez questão de nomear.

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