Marcelo não descarta subida do défice para reforçar pessoal no setor da saúde

O Presidente da República disse hoje, no Algarve, não descartar uma subida do défice, em caso de necessidade de reforço de pessoal na área da saúde para combater a pandemia.

Miguel Figueiredo Lopes/Presidência da República handout via Lusa

“Se se chegar à conclusão de que é preciso reforçar o orçamento da saúde, não estou a ver nenhum partido a dizer que não, por muito que isso custe sacrificar uma ou outra área ou, neste ano que é muito especial, em termos de subida do défice”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

No final de uma visita ao município de Vila do Bispo, Marcelo recorreu-se das palavras do ex-Presidente Jorge Sampaio para reafirmar “que a vida nem começa nem acaba no défice”.

“O défice é muito importante, mas se for provado que, efetivamente, é preciso mais uns tantos zero vírgula qualquer por cento pela urgência de reforço do orçamento da saúde e os partidos entenderem que assim deve ser, pois assim deve ser”, sublinhou.

Marcelo defendeu que, numa altura em que o orçamento para 2021 “está em cima da mesa” e que a pandemia “ainda vai sobrar para o ano que vem”, é preciso responder à questão concreta se “há profissionais em número suficiente, sim ou não”.

O Presidente da República considerou importante saber se “nos termos” em que os concursos são abertos “permitem a progressão de carreira”, que “haja novo pessoal a entrar em funções” ou se “é preciso mais pessoal”.

“Este é um debate e uma discussão que tem de ser feita serenamente”, adiantou.

Questionado pelos jornalistas no final daquela que foi a sua última vista a todos os municípios algarvios após o impacto da covid-19 no turismo da região, Marcelo Rebelo de Sousa realçou também que “não basta haver ventiladores, é preciso haver equipas que assegurem os cuidados intensivos com esses ventiladores”.

Deixando uma palavra de apoio e reconhecimento aos profissionais da saúde que estão, “muitos deles, cansados e esgotados”, o Presidente da República destacou que estão “nisto há muitos meses e sabem que vão continuar nisto muitos meses também”.

Marcelo Rebelo de Sousa vai iniciar na próxima semana uma consulta a várias personalidades da área da saúde, começando pela ministra da tutela, Marta Temido, mas recebendo também o atual e os ex-bastonários da Ordem dos Médicos, outros bastonários das áreas ligadas à saúde, ex-ministros da saúde, sindicatos e confederações sindicais e patronais, no que serão “duas ou três semanas muito importantes”, adiantou.

O Presidente da República revelou que no final dessas consultas gostaria de encontrar um “consenso de pontos de vista”, quer “quanto à evolução da pandemia e das medidas para a enfrentar”, mas também de que “há um equilíbrio entre a preocupação com a vida e a saúde e a não paragem radical da economia e da sociedade portuguesa.

Por isso, vai também ouvir o “setor económico e social”, concluiu.

Ler mais
Recomendadas

Novas medidas de confinamento. Conheça as novas restrições definidas pelo Governo

Entre as medidas anunciadas estão a reposição da proibição de circulação ao fim-de-semana, a redefinição dos horários de encerramento de todos os estabelecimentos, assim como o encerramento de campos de ténis e paddle.

Primeira toma das vacinas nos lares vai ficar concluída até ao final da próxima semana, garante António Costa

Excluídos desta primeira fase da vacinação nos lares, estão as residencias onde existem surtos de Covid-19. Lares ilegais estão incluídos na aceleração do processo de vacinação aos idosos e utentes destes estabelecimentos.

Circulação entre concelhos proibida ao fim de semana. Lojas fecham às 20h durante a semana e às 13h ao sábado e domingo

António Costa anunciou hoje as medidas aprovadas pelo Governo para endurecer o atual Estado de Emergência.
Comentários