Maria Flor Pedroso: “Não chegou a informação de que havia notícia sobre o lítio”

A diretora de informação da RTP, Maria Flor Pedroso, disse esta terça-feira que “não chegou a informação de que havia notícia” sobre o lítio à direção da estação, referindo-se ao adiamento do programa ‘Sexta às 9’.

“Esta direção de informação não guarda notícias na gaveta. À direção de informação, à coordenação da RTP, não chegou a informação de que havia a notícia X e que estava pronta para ir para o ar”, disse Maria Flor Pedroso no parlamento sobre a emissão do programa ‘Sexta às 9’ que foi adiada para outubro, e cujo tema estava relacionado com a exploração de lítio.

No entanto, anteriormente, a diretora da RTP disse que a direção “sabia que isto [o lítio] estava a ser investigado”, mas que ninguém abordou a estrutura com a abordagem “há isto, vou fazer, vamos programar”.

Maria Flor Pedroso reiterou que o adiamento da emissão do programa “não tem nada a ver com o tema do lítio”.

“Se houvesse notícia sobre o lítio, ela iria para o ar assim que ela estivesse pronta para ir para o ar, em tempo de campanha eleitoral ou não”, acrescentou, referindo ainda que para si é ” absolutamente irrelevante” se é tempo de campanha ou não para a emissão de notícias.

A jornalista disse ainda que na reunião de 23 de agosto, que ditou o adiamento do programa, nem a própria nem a diretora-adjunta Cândida Pinto foram para o encontro “a pensar que não iria haver ‘Sexta às 9’ durante a campanha eleitoral”.

“A RTP não suspendeu programa nenhum durante a campanha eleitoral. Suspender, do meu ponto de vista, era uma de duas coisas: para já, tem uma carga negativa, a suspensão. Eu não tenciono acabar com nenhum dos programas, e portanto não suspendi nenhum. Por outro lado, a possibilidade de avaliar se o programa continuaria ou não. Nada disso passou pela nossa cabeça”, garantiu a diretora de informação.

Maria Flor Pedroso disse ainda que antes das férias de verão, alguns elementos da equipa do “Sexta às 9” quiseram sair, e que a RTP, dentro dos seus “parcos recursos”, arranjou outros jornalistas para compor a equipa.

A investigação em causa, emitida no âmbito do programa “Sexta às 9” na RTP, contou com o depoimento do antigo presidente da Câmara do Porto, Nuno Cardoso, que disse ter avisado, em reunião, o ministro do Ambiente, Matos Fernandes, e o secretário de Estado João Galamba das alegadas ilegalidades decorrentes da concessão da exploração de lítio a uma empresa que tinha sido recentemente criada.

Dois dias após o encontro, João Galamba assinou o contrato para a construção da refinaria de lítio, um negócio, segundo a investigação de Sandra Felgueiras, avaliado em, pelo menos, 350 milhões de euros.

Paralelamente, o episódio do “Sexta às 9” avançou ainda que o antigo secretário de Estado Jorge Costa Oliveira estava também ligado ao negócio, como consultor financeiro.

Sobre o contraditório efetuado ao longo do trabalho de investigação do “Sexta às 9”, a jornalista Sandra Felgueiras assegurou também hoje no parlamento que foi “sempre” feito com João Galamba, mas que “as respostas foram sempre negativas, ou então ele dizia que nós a ignorávamos”.

“O que aconteceu no programa seguinte é que o senhor secretário de Estado, depois de me ter respondido e ao Luís Miguel Loureiro [jornalista do “Sexta às 9″], autores desta reportagem, que não tinha nada para responder, fez um contacto via assessores com a direção de informação. E desse contacto resulta que eu sou chamada à direção de informação para que o senhor João Galamba venha ao programa. E naturalmente que eu não vou negar o contraditório”, esclareceu Sandra Felgueiras.

Ler mais
Recomendadas

Mau tempo: Aeroporto da Madeira sem qualquer operação de voos hoje

A operação no Aeroporto Internacional da Madeira continua condicionada devido aos ventos fortes e nenhum avião descolou ou aterrou desde as 00h00 de hoje. Mau tempo vai abrandar.

Câmara de Lisboa aprova moção para realização de investimento no SNS sem apoio do PS

A Câmara de Lisboa aprovou esta quinta-feira uma moção do CDS-PP para instar o Governo a realizar com urgência o investimento adequado à normalização da situação dos equipamentos do Serviço Nacional de Saúde da cidade, com os votos contra do PS.

Metade dos hospitais EPE em falência técnica no ano passado

Metade dos hospitais EPE estavam no ano passado em falência técnica, segundo uma análise do Conselho das Finanças Públicas divulgada esta quinta-feira.
Comentários