“Maternidade sofrida”. Marcelo Rebelo de Sousa lamenta situação do abandono do bebé em caixote de lixo

O Presidente da Republica argumenta que a situação é um “abre olhos” para “realidades sociais muito fortes”.

Uma mulher foi esta sexta-feira detida em Lisboa por suspeita de tentativa de homicídio qualificado do bebé abandonado num contentor de lixo perto da discoteca Lux, em Santa Apolónia, segundo um comunicado da Polícia Judiciária de Lisboa.

A PJ “identificou, localizou e deteve uma mulher, de 22 anos de idade, por fortes indícios da prática de homicídio qualificado, na forma tentada, vitimando uma criança do sexo masculino, recém-nascido, seu filho”, lê-se no comunicado das autoridades.

À saída do Hospital Curry Cabral, em Lisboa, esta manhã, Marcelo Rebelo de Sousa lamentou a situação, anunciado que visitaria o bebé em causa “em breve” em conjunto com Marta Temido e o sem-abrigo que fez a denuncia do crime. “A data irá ser combinada com a Ministra da Saúde e iremos com o senhor [visitar o bebé]”, afirmou.

Quando questionado sobre se este caso poderia ter impacto em Portugal, Marcelo não negou e explicou que a situação é um “abre olhos” para “realidades sociais muito fortes”.

“É muito forte a situação dos sem-abrigo”, começou por dizer “e é muito forte a realidade da maternidade que se sabe também de alguém que é sem-abrigo. Foi uma maternidade sofrida ao ponto de haver a situação que todos conhecem”, contou.

Em conferência de imprensa ao meio dia, a Polícia Judiciária adiantou que o parto foi tido na via pública e que a mulher não deu depois entrada em qualquer centro de saúde ou estabelecimento hospitalar.

Aos jornalistas, o diretor da Diretoria de Lisboa da PJ, Paulo Rebelo, recusou avançar com mais detalhes sobre a identidade da suspeita — nem a nacionalidade, mesmo após o semanário Expresso ter avançado que se trata de uma cabo-verdiana que viva na rua.

O mesmo jornal detalha que o abandono da criança foi um ato lúcido e planeado e que foram as imagens de videovigilância captadas por uma câmara do Terminal de Cruzeiros de Lisboa que permitiu identificar a suspeita — informação que a PJ também não confirmou oficialmente.

Paulo Rebelo limitou-se a descrever a suspeita como “uma pessoa que vive em condições precárias na via pública”, sem antecedentes criminais, que, “na sequência de uma gravidez que teve e que nunca declarou nem manifestou a ninguém, veio a ter o parto e a abandonar o recém-nascido nas condições que são conhecidas”.

O bebé foi encontrado na terça-feira por um sem-abrigo num caixote do lixo, junto a uma discoteca em Lisboa, em estado de “hipotermia grave”, tendo sido transportado “em estado de fragilidade” para o Hospital Dona Estefânia. A suspeita será apresentada a um juiz esta tarde para iniciar a primeira fase de inquérito.

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