Matos Fernandes: “O Governo quer mesmo que exista uma refinaria de lítio em Portugal”

Numa audição parlamentar sobre o encerramento da refinaria de Matosinhos da Galp, o ministro disse que ainda não existe uma localização para uma eventual futura refinaria de lítio em Portugal.

O ministro do Ambiente disse hoje que a intenção do Governo é que seja instalada uma refinaria de lítio em Portugal. Esta refinaria é uma fábrica que serve para preparar este mineral para a fabricação de baterias para carros elétricos.

Portugal tem a nona maior reserva mundial de lítio e o país pode vir a aumentar a sua produção anual nos próximos anos se vários projetos atualmente no papel forem para a frente. Em termos de produção, ocupa a sexta posição a nível mundial entre oito países produtores, com este lítio a destinar-se à indústria de cerâmica. A ideia no futuro é que o lítio que vier a ser extraído nos próximos projetos tenha como destino o fabrico de baterias para carros elétricos. A procura por este minério a nível mundial tem vindo a crescer fortemente.

“O Governo quer mesmo que exista uma refinaria de lítio em Portugal, quer aproveitar o metal que tem”, disse hoje João Pedro Matos Fernandes.

Na audição parlamentar de ambiente e energia onde foi abordado o encerramento da refinaria de Matosinhos da Galp, o ministro avançou que ainda não existe nenhuma localização fechada para esta refinaria, se vier a avançar.

Matos Fernandes apontou que esta infraestrutura pode ficar mais distante das minas, ao contrário das lavandarias de minérios, que tem de ficar próxima da mina.

“A refinaria de lítio não e uma parte de negocio muito dependente da logística. O que é fundamental é que a lavandaria esteja ao lado da mina”, para que “grandes blocos” sejam transportados sem a necessidade de percorrer muitos quilómetros.

Passada esta fase, “temos concentrado de 6% de lítio: em vez de toneladas são quilos”, afirmou, apontando que “já há autarquias que desejam essa refinaria” como a de “Vila Pouca de Aguiar”, no distrito de Vila Real.

Sobre os impactos ambientais de uma infraestrutura destas, destacou que “uma refinaria de lítio não tem uma chaminé, tem uma grande estacão de tratamento de aguas residuais” para que a água usada na “atividade de refinação seja tratada”.

“Entre a extração do lítio e a fabricação de baterias, as duas principais parcelas deste negócio que acrescentam mais valor a economia, e que podem pagar melhores salários são a refinação e fabricação [das baterias]”, segundo o governante.

O Governo português está a preparar-se para, no terceiro trimestre de 2021, lançar um concurso para atribuir direitos de prospeção e pesquisa para apurar, em 11 áreas do país, se e onde existe lítio, a sua quantidade e qual a viabilidade económica da sua extração.

Na quarta-feira, a Galp disse que ainda não tomou nenhuma decisão sobre o futuro da refinaria de Matosinhos após o encerramento da sua atividade. Para já, a petrolífera garante que vai manter em funcionamento do parque logístico de combustíveis em Leça da Palmeira.

“Sobre a refinaria de lítio, não temos qualquer projeto concreto, para além do parque logístico. E estamos a desenvolver estudos enquadrados no âmbito da transição energética e da sustentabilidade ambiental”, disse ontem o administrador da Galp, José Carlos Silva, no Parlamento.

“Estamos a avaliar oportunidades onde se inclui a cadeia de valor das baterias e também do hidrogénio verde, que tem estado de fora desta conversa, mas é de facto um tema central e importante no âmbito da transição energética”, explicou o responsável da petrolífera em audição na comissão parlamentar de ambiente e energia.

Sobre o acordo com a Savannah Resources, disse apenas que “é uma das oportunidades que estamos a desenvolver para a cadeia de valor das baterias em Portugal, mas é um projeto [refinaria de lítio] que ainda está em estudo”.

Na terça-feira, a empresa mineira Savannah Resources sediada em Londres – que detém a concessão da mina de lítio do Barroso, distrito de Vila Real – anunciou um acordo com a Galp que vai permitir à petrolífera ficar com 50% da produção anual da mina e 10% da concessão.

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