Matosinhos quer manutenção dos postos de trabalho na refinaria da Galp como “plano A”

A autarca revelou que a autarquia reuniu, apenas uma vez, com responsáveis do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) e dos recursos humanos da Galp para a avaliação dos perfis dos atuais funcionários do complexo petroquímico.

A presidente da Câmara Municipal de Matosinhos assumiu hoje, terça-feira, querer o “plano A” para os trabalhadores da refinaria da Galp, que deverá encerrar este ano, que passa pela manutenção dos seus vínculos à empresa.

Durante a reunião pública do executivo municipal, via Zoom, Luísa Salgueiro vincou estar solidária com os trabalhadores que não pretendem soluções alternativas, mas sim a manutenção dos seus postos de trabalho.

A autarca revelou que a autarquia reuniu, apenas uma vez, com responsáveis do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) e dos recursos humanos da Galp para a avaliação dos perfis dos atuais funcionários do complexo petroquímico.

Contudo, a socialista garantiu que a autarquia não irá voltar a participar nesse tipo de reuniões porque não segue o caminho que pretende.

“Para nós não é prioritário participar em reuniões para encontrar o plano B para os funcionários, o que nós queremos é o plano A, que é a manutenção dos seus vínculos com a Galp”, frisou.

A Galp anunciou em dezembro de 2020 a intenção de concentrar as suas operações de refinação e desenvolvimentos futuros no complexo de Sines e descontinuar a refinação em Matosinhos este ano, uma decisão que põe em causa cerca de 500 postos de trabalho diretos e 1.000 indiretos.

A discussão do fecho da refinaria, que ocupou grande parte do período antes da ordem do dia, foi despoletada pelo vereador da CDU, José Pedro Rodrigues, que defendeu uma “transição energética justa e não uma sapatada energética”.

Levantando preocupações com o futuro dos trabalhadores e das atuais instalações, o comunista recordou que há produtos que só são produzidos na refinaria de Matosinhos e não na de Sines, o que vai obrigar o país a importar esses mesmos.

“É importante saber o que vem depois”, ressalvou.

Alinhados, o vereador independente António Parada e o do PSD, Jorge Magalhães, subscreveram estas inquietações e lembraram que os impactos sociais decorrentes desta decisão são grandes.

A decisão de fechar precisa de ser “mais bem fundamentada”, entendeu Luísa Salgueiro.

“Não se pode evoluir para uma sociedade mais justa e sustentável quando deixamos para trás direitos fundamentais dos trabalhadores, daí não podermos acompanhar uma decisão [fechar a refinaria] como esta”, salientou.

Sobre a situação dos trabalhadores, a autarca afirmou não haver ainda uma solução formal.

Além disso, Luísa Salgueiro partilhou ter pedido informações ao Governo, que ainda não obteve, frisando que o mesmo não pode deixar de assumir responsabilidade no futuro da refinaria, dado ser um dos acionistas da Galp com uma participação de 7%, através da Parpública.

Os trabalhadores da refinaria vão protestar frente à Câmara Municipal do Porto na quinta-feira, pelas 14h30.

Esta concentração surge depois de um plenário de trabalhadores junto à Câmara Municipal de Matosinhos a 12 de janeiro e de uma manifestação a 2 de fevereiro em frente à sede da Galp e à residência do primeiro-ministro, em Lisboa.

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