Máximo dos Santos alerta para a necessidade de uma estratégia de saída do regime das moratórias

Luís Máximo dos Santos defende que “os fundos europeus sejam aplicados em bons projetos e de forma eficiente para assim se gerar crescimento”. No primeiro podcast do Banco de Portugal, o Vice-Governador reconhece que as moratórias foram importantes para gerir no imediato a crise, “mas haverá um momento em que terão de cessar e aí vai ter de se pensar numa estratégia de saída”, alerta.

Cristina Bernardo

A propósito da publicação da Sinopse de Atividades de Supervisão Comportamental, o Banco de Portugal lançou o BdP Podcast, uma nova forma de comunicar com o público. No primeiro episódio, é entrevistado o Vice-Governador do Banco de Portugal, Luís Máximo dos Santos, que fala da importância das moratórias de crédito em contexto de pandemia, dos desafios que a crescente digitalização dos serviços bancários coloca à supervisão comportamental e do papel que a conta de serviços mínimos bancários tem num período de contração económica.

Dos temas abordados por Luís Máximo dos Santos, o destaque vai para “o caráter articulado da resposta à crise provocada pela pandemia”; para a “necessidade de uma estratégia de saída do regime das moratórias”; para o “reconhecimento internacional da supervisão comportamental do Banco (presidência da Finconet)”, e para a importância que atribui a que “os fundos europeus sejam aplicados em bons projetos e de forma eficiente para assim se gerar crescimento”.

Numa entrevista conduzida pelo diretor de comunicação da instituição, Luís Máximo dos Santos começou por elogiar as moratórias como “um instrumento absolutamente indispensável para lidar com a situação inédita com que fomos confrontados. Pois se elas não existissem tínhamos imediatamente uma vaga de incumprimento dos créditos e isso teria um impacto tremendo nas empresas, nos particulares e até no próprio sistema financeiro”.

“Mas não vai ser uma panaceia”, avisa o Vice-Governador. Máximo dos Santos reconhece que as moratórias foram importantes para gerir melhor a conjuntura e ganhar tempo, “mas haverá um momento em que terão de cessar e aí vai ter de se pensar numa estratégia de saída” refere.

Luís Máximo dos Santos lembra que a recuperação da atividade económica não vai ser de um dia para o outro e diz que é provável que alguns dos beneficiários das moratórias continuem a não conseguir pagar os créditos quando as moratórias cessarem.

“Já há um aumento dos incumprimentos no sistema”, revela.

Mas reconhece que “pela primeira vez se conseguiu uma resposta articulada e completa por parte das autoridades. Houve medidas de política monetária (BCE); houve medidas de natureza orçamental; houve medidas de natureza macro e microprudencial; e houve medidas de natureza comportamental”. A atuação articulada foi a nível europeu, refere Máximo dos Santos, ao mesmo tempo que elogia os planos de preparação para o futuro, como o programa europeu de recuperação. Isto, na opinião do Vice-Governador do banco central, marca a diferença face às crises anteriores.

“Do ponto de vista do que era preciso fazer, as coisas foram feitas. Mas isto é só a primeira fase”, avisa. É preciso ver como é as diferentes economias vão recuperar, diz, lembrando que tem de haver uma diferente alocação de recursos. “Os programas financiados com os fundos europeus terão de ser bem gizados e ser eficientes, para produzir mais crescimento”, defende o Vice-Governador.

Máximo dos Santos defende que  “pandemia veio acelerar tendências que estavam em curso, como a digitalização, mas também está a construir um novo mundo”.

A digitalização dos serviços bancários veio dar mais relevância à supervisão comportamental. “O processo de transformação digital oferece oportunidades muitíssimo boas, mas também comporta enormes riscos”, defendeu referindo-se à segurança e comportamentos imponderados dos consumidores.

“As questões comportamentais na economia têm vindo a ganhar peso”, diz ainda o administrador do Banco de Portugal com o pelouro da supervisão comportamental.

O BdP tem acompanhado, junto das instituições de crédito, o lançamento de determinados produtos e promove junto dos clientes a necessidade de assegurarem uma atuação ponderada, explicou. Máximo dos Santos salientou a importância de a digitalização funcionar como instrumento de inclusão financeira.

O Vice-Governador salientou ainda o facto de a Diretora de Supervisão Comportamental do Banco de Portugal ter sido eleita presidente da organização internacional Financial Consumer Protection Organisation (FinCoNet).

Sobre os serviços mínimos bancários diz que estas contas têm crescido, citando o relatório que diz que cresceram 49,2% em junho deste ano face a junho do ano passado e 13,4% desde o final do ano passado. Máximo dos Santos defende que estas contas têm potencialidade para crescer.

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