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Maxyield diz que guerra no Irão faz mercados tremer mas PSI mostra resiliência entre bolsas da Europa

No PSI, apenas a Galp e a NOS registaram valorizações na primeira semana de março. A Galp beneficiou da subida do preço do crude, enquanto a NOS foi impulsionada pelos resultados de 2025 e um dividend yield de 11,2%. Em contrapartida, o BCP e a Navigator foram os mais castigados.
Sete Magníficas Wall Street
9 Março 2026, 12h49

Em março de 2026, o mundo assiste a um novo capítulo de instabilidade geopolítica com o conflito militar no Irão, que tem impactado diretamente nos mercados financeiros globais e que desencadeou uma onda de instabilidade nos mercados financeiros globais. Segundo uma análise detalhada da Maxyield – Associação de Defesa dos Investidores, a primeira semana do mês foi marcada por uma fuga generalizada ao risco, com a Europa a ser a região mais castigada pela sua dependência energética.

Apesar do cenário adverso, o PSI (Bolsa de Lisboa) demonstrou uma resiliência superior aos seus pares. O índice português recuou 3,6% na semana — uma queda menos profunda que a média europeia — e mantém uma valorização anual robusta de +8,3%.

Nas cotadas destacaram-se a Galp que beneficiou diretamente da escalada do preço do crude e a NOS que foi impulsionada por resultados sólidos e um dividendo atrativo (11,2%).

Pela negativa destacaram-se o BCP e a Navigator já que foram os títulos mais penalizados pela volatilidade.

A Maxyield nota ainda que, apesar da queda, o volume de transações em Lisboa aumentou 17,3% em março, indicando que não houve um “sell-off” massivo, mas sim uma rotação de ativos apoiada por fundos de investimento.

“Apesar da descida semanal de -3,6%, o PSI mantém um crescimento desde o início do ano de +8,3%, suportado por um aumento significativo nos volumes transacionados: de 180,4 milhões de euros em janeiro para 238,9 milhões em fevereiro (+32,4%), e um acréscimo de 17,3% em março. Este crescimento reflete maior exposição a fundos de investimento nacionais e internacionais, sem indícios de sell-off massivo”, diz a Maxyield que sublinha que apenas cinco sociedades cotadas (Teixeira Duarte, Mota-Engil, CTT, Corticeira Amorim e BCP) registam quebras desde o início do ano. O top five positivo inclui NOS, Galp, REN, Sonae e Ibersol.

Impacto do Conflito Militar no Irão nos mercados bolsistas

A guerra direta entre o Irão, os Estados Unidos e Israel começou na manhã de sábado, 28 de fevereiro. A resposta dos mercados foi imediata, embora diferenciada por geografia. Enquanto os índices norte-americanos (S&P 500 e Nasdaq) e o chinês mostraram resiliência na primeira segunda-feira de março, as bolsas europeias e asiáticas registaram quebras acentuadas.

Seguiu-se um processo de quebra generalizada das cotações de intensidade variável, interrompido nos EUA e Europa na 4ª feira e Ásia na 5ª feira, sendo que este desfasamento diário deve-se à disparidade de fusos horários que provocam uma grande diferença temporal diária na abertura, funcionamento e fecho das bolsas.

O pessimismo intensificou-se ao longo da semana, culminando na entrada da Coreia do Sul em bear market na quinta-feira. Na Europa e nos EUA, o “pico” da descida ocorreu na terça-feira, refletindo o receio de disrupções no fornecimento de petróleo e gás e o potencial impacto na inflação e taxas de juro, explica a Maxyield.

No fecho da primeira semana de março, o balanço é pesado já que nos EUA o S&P 500 recuou 2% e o NASDAQ 1,2%.

Na Europa o Stoxx 600 afundou 5,6%, com as principais economias da Zona Euro (Alemanha, França, Itália e Espanha) a registarem perdas superiores ao índice de referência.

Esta maior penalização na Europa deve-se à dependência energética do petróleo e gás, com perturbações no fornecimento e transporte, elevando os preços da energia e reacendendo preocupações com as taxas de juro.

A gravidade do conflito levou a que os índices norte-americanos e as quatro maiores bolsas europeias anulassem todos os ganhos acumulados desde o início do ano, entrando em terreno negativo no cômputo anual.

Perante este quadro de incerteza, a Maxyield aconselha os investidores a manterem a calma. “Recomendamos prudência e perseverança. Evitem decisões precipitadas, que frequentemente geram perdas”, afirma a associação. A entidade sublinha que momentos de crise também geram oportunidades, desde que a análise seja pautada pela racionalidade e não pelo pânico.


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