MBA adaptam-se e respondem com inovação à pandemia

Os programas foram afetados sobretudo na sua vertente internacional. Desde ‘semanas’ adiadas e iniciativas recalendarizadas até experiências imersivas que migraram para o digital – houve de tudo.

Os Master of Business Administration adaptaram-se à realidade imposta pela Covid-19. A semana imersiva do ISEG MBA em Silicon Valley deu lugar, nesta edição, a uma experiência 100% virtual. Organizada em parceria com a Universidade de São Francisco, a experiência californiana é a cereja no topo do bolo do mais antigo MBA de Portugal e único ministrado na Universidade de Lisboa.

Realizada entre 14 e 19 de fevereiro, a semana foi pela primeira vez aberta a empreendedores e incluiu workshops com especialistas, eventos de networking e visitas a empresas tecnológicas. Na segurança das suas casas, os participantes puderam, assim, descobrir os segredos do empreendedorismo de sucesso e vivenciar o maior ecossistema de inovação do mundo.

“O nosso programa habilita os profissionais a fazer frente às transformações e a adaptar-se às novas exigências do mercado do futuro. Nunca tanto quanto hoje, a capacidade de se readaptar é essencial”, explica Paulo Soeiro de Carvalho, Diretor Executivo do ISEG MBA, ao Jornal Económico (JE).

A vertente internacional dos MBA foi a mais afetada pela pandemia, como adianta Ana Côrte-Real, Diretora do MBA Executivo da Católica Porto Business School, ao JE: “Naturalmente, um dos maiores desafios está relacionado com as semanas internacionais previstas e com os professores estrangeiros convidados, que trazem o internacional para dentro do nosso campus”.

À semelhança do ISEG, também a escola de negócios da Universidade Católica no Porto, se viu obrigada a fazer adaptações na 14ª edição, que terminava em julho de 2020 e integrava a Semana no ESADE em Barcelona, e na 15ª edição, cuja semana internacional deveria decorrer em março de 2020 na Alemanha. “Trouxemos Barcelona ao Porto… a equipa de docentes da ESADE, o licenciamento do jogo de gestão inerente, permitiu-nos assegurar a mesma experiência em termos de aprendizagem, e de wrap-up do MBA, no Porto. Podemos dizer que a experiência global é a mesma? Claro que não. A semana internacional inclui uma imersão dos alunos num contexto internacional, com tudo o que sabemos que esta imersão inclui…”, explica Ana Côrte-Real.

A semana na Alemanha colocou mais desafios e já foi duas vezes adiada. Idêntico caminho deverá estar reservado à semana internacional da 17.ª edição. Mas o compromisso mantém-se: “a nossa ideia é garantirmos que aconteça”, adianta a diretora do programa.

Para tentar minimizar o adiamento da experiência, a escola de negócios em colaboração com a parceira Câmara do Comércio e Indústria Luso Alemã, lançou, em novembro, um ciclo de webinars, que permitem aos alunos “conhecerem as várias Alemanhas dentro da Alemanha e as experiências deste conturbado ano em diferentes setores”. Já em fevereiro e março, a opção recaiu numa visita virtual ao Banco Central Europeu e num webinar com a farmacêutica Merck. “Estas iniciativas, algumas com os parceiros previstos das nossas visitas durante a semana na Alemanha, são uma forma de trazer o mundo ao nosso campus, permitindo, de igual forma, um alargar de perspetivas dos nossos MBAs e o acesso a uma interessante rede de contactos”, explica Ana Côrte Real.

Na verdade – salienta – “todos estamos a aprender a estarmos confortáveis sentindo-nos desconfortáveis, criando novas oportunidades e reforçando a importância do que nos distingue, como gestores e como pessoas: a capacidade de trabalharmos a empatia”.

Inovação no Porto
A pandemia foi o acelerador de uma inovação que a Porto Business School (PBS) tinha na forja. Em maio de 2020, menos de dois meses após o início do confinamento, a maior escola de negócios do Norte lançou o The Digital MBA, um programa pioneiro, cuja primeira edição arrancou em novembro com cerca de 40 alunos inscritos, de 14 fusos horários diferentes. “O The Digital MBA é claramente a resposta da Escola ao novo contexto, às novas necessidades e aos novos desafios”, afirma Patrícia Teixeira Lopes, Associate dean da Porto Business School, ao JE. Trata-se de um programa flexível e customizável em que os alunos desenham o seu percurso e têm entre 12 e 48 meses para o concluir, em regime full online ou em regime blended, isto é, com aulas online e no campus.

Não é a única novidade. Neste contexto de pandemia – avança a Associate dean da PBS – “adaptámos e alargámos os nossos programas de MBA para que se pudessem adaptar cada vez mais ao novo estilo de vida dos alunos, permitindo-lhes não só reequilibrar a sua vida pessoal e profissional, como também adicionar valor e felicidade ao seu dia a dia”.

Assim, The Magellan MBA, o programa mais antigo da escola, passou a designar-se The International MBA, apresentando agora “um mindset totalmente global”. Também o MBA Executivo é alvo de novidades: “uma maior customização da jornada de aprendizagem” e um maior “investimento na relação com o tecido empresarial”, através da cocriação de novas disciplinas entre a escola e as empresas. Este ano, a PBS adicionou “uma nova experiência” aos programas: o pre-term. Tem o propósito de harmonizar e dar uma base de conhecimento mais nivelada a todos os participantes.

Na vizinha escola de negócios da Invicta, ISAG-European Business School, inovação e adaptação também são palavras-chave em tempo de Covid-19. A 5.ª edição do MBA Executivo do ISAG – EBS está a decorrer desde outubro de 2020, tendo sido aplicado, como em toda a formação executiva da casa, um modelo blended – um processo de ensino aprendizagem que concilia o presencial e o online. Cristina Cunha Mocetão, coordenadora da Formação Executiva do ISAG-European Business School, diz ao JE que nesta edição foram incluídos novos módulos, reforçando competências no domínio da transformação digital, tecnologia, inovação e ‘leadership skills development’, entre outros.

O ISAG respondeu à pandemia com outra novidade: o lançamento em março de 2021 do MBA Executive Programme. Totalmente lecionado em inglês e online, este novo programa tem a duração de 294 horas de formação (síncrona e assíncrona), distribuída por diversos módulos aplicados à gestão empresarial.

Na capital, o ISCTE também respondeu à pandemia. José Crespo de Carvalho, Presidente do Iscte Executive Education, explica ao JE que “a escola passou a ter uma plataforma de e-learning com conteúdos em vídeo e com readings que nos ajudaram a fazer o caminho”. Adianta que houve uma “adaptação forte de cada um dos docentes e novas formas de entrega e de experiência foram criadas no decurso da pandemia”.

Evolução, também, é a tónica na Universidade de Coimbra. Pedro Torres, Coordenador do MBA para Executivos, ministrado na Faculdade de Economia, revela ao JE que foram introduzidas algumas novidades nas unidades curriculares que funcionam numa lógica de seminário para responder aos desafios impostos pela atual situação epidemiológica. Mas também há novidades ao nível dos responsáveis pela sua dinamização.

No outro programa da Universidade, o MBA em Marketing, as novidades implementadas no ano letivo em curso resultaram de “uma reformulação em contexto de acreditação A3ES em articulação com o programa Mestrado em Marketing. Em concreto, passam “pelo reforço da componente marketing e transformação digital, comunicação e empreendedorismo”, explicam Arnaldo Coelho e Paulo Gama, os coordenadores do programa.

 

Crescer em contraciclo
O The Lisbon MBA, joint venture entre a Católica-Lisbon e a Nova SBE, as duas principais escolas de negócios portuguesas, que tem uma parceria com o MIT Sloan School of Management, é o mais internacional dos programas luso e o único a figurar na liga dos campeões. Como lidou com a pandemia? “Respondemos de forma ágil e em colaboração com alunos e professores, garantindo a continuidade dos programas em todas as turmas com o mínimo de disrupção”, diz Maria José Amich, diretora executiva do The Lisbon MBA Católica | Nova, ao JE. O consórcio ministra dois programas: Executive MBA (part-time) e International MBA (full-time).

Segundo esta responsável, as estratégias implementadas visaram “garantir a continuidade sem beliscar a qualidade dos programas” e passarem pelo reforço de webinars e “conteúdos ligados a aspetos comportamentais e emocionais, no sentido de melhor compreender e gerir as próprias emoções, como comunicar, motivar e gerir equipas em tempos de crise, evitar o “burnout”, organizar a gestão do tempo em teletrabalho, promover a motivação e a resiliência, com sessões de mindfulness”. Adicionalmente foram oferecidas sessões de coaching individuais e em grupo a quem quisesse.

Tendo Portugal no horizonte, o Alumni Board do The Lisbon MBA lançou a iniciativa ReImaginar Portugal, que deu lugar a um documento que reúne os contributos de 30 antigos alunos que partilharam a sua visão estratégica para a recuperação sustentada do país. “Esta iniciativa continua agora com um aprofundamento setorial”, adianta Maria José Amich.

Curiosamente, com a pandemia, os dois programas do The Lisbon MBA Católica | Nova revelaram-se mais virtuosos do que nunca. “Em ambos os programas verificou-se um efeito de contraciclo”, diz a diretora, acrescentando que, apesar da manutenção dos “elevados critérios de rigor de admissão”, verificou-se um aumento dos alunos em comparação com o ano anterior. “Tivemos turmas muito diversas em termos de nacionalidade, género e background”, salienta. O International MBA, programa intensivo de 12 meses, destinado a profissionais de alto potencial, com um mínimo de três anos de experiência, arrancou este mês de janeiro com uma nova edição em que perto de 60% dos alunos são estrangeiros, de 16 nacionalidades.

“Julgamos – explica Maria José Amich – que esta tendência de crescimento se deve ao facto de, em tempos de crise profunda, que são também momentos de grandes mudanças, os programas de MBA com comprovado impacto – de que são exemplo os programas do The Lisbon MBA Católica | Nova –, se tornarem mais apelativos para os profissionais que pretendem desenvolver uma visão e um caminho claros para a sua progressão de carreira com impacto, melhorando as suas competências técnicas de gestão de empresas e competências comportamentais e de liderança”.

Como em tudo, também nos MBA a crise pode revelar-se uma oportunidade.

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