Menos de metade das empresas de turismo investiram em inovação no último ano

“Com este estudo, tentámos perceber qual o patamar em que estão as empresas no que respeita à transformação digital e à inovação”, diz Francisco Calheiros.

Cristina Bernardo

Um estudo realizado pela Nova IMS – Information Management School em parceria com a Confederação do Turismo de Portugal (CTP) que analisou o impacto da economia digital na actividade turística concluiu que 41% das empresas de Turismo investiram em inovação no último ano. Sendo que dessas apenas 13,6% o fizeram diretamente em Inovação Digital.

Isto ocorre apesar de o investimento em Tecnologias Digitais ter vindo a aumentar em 72% das empresas inquiridas, tendo registados essas um crescimento na ordem de 20,6% no último ano.

Pois o inquérito conclui ainda que o investimento em tecnologias digitais tem vindo a aumentar em 72% das empresas, sendo que o mesmo cresceu na ordem de 20,6% no último ano. A maioria deste investimento tem-se situado preferencialmente em cloud services (74%), seguido da melhoria das ferramentas de marketing digital e incremento/integração de redes sociais (ambos com 65%). Do total, 19% das empresas que refere não estar a investir em tecnologias digitais, justifica-o pela dificuldade de recursos humanos disponíveis e com competências nesta área.

Estas são algumas das conclusões do estudo realizado pela Nova IMS – Information Management School em parceria com a Confederação do Turismo de Portugal (CTP) que analisou o impacto da economia digital na actividade turística e identificou o nível de maturidade das empresas nesta matéria.

“Deste estudo conclui-se que existe alguma disparidade em termos da maturidade digital das empresas, sendo que a hotelaria é a que se encontra mais desenvolvida”, diz o comunicado.

Por outro lado, quando considerada a perceção das empresas, relativamente a um ideal de maturidade digital, a maioria (59%) considerou estar em fase de ‘Desenvolvimento’, 31% em ‘Maturidade’ e apenas 9% em estado ‘Precoce’. No entanto, quando aferidas dimensões críticas para a Transformação Digital, e reveladoras do nível de maturidade digital alcançada, “verifica-se que o mesmo é inferior ao percepcionado. Em particular, considerando os domínios da Inovação e da Estratégia Digital, quando um número significativo de empresas se encontra entre num estado de ‘Precocidade’ (17% e 24%) e níveis intermédios (18% e 17%), com menos de 30% num nível de ‘Desenvolvimento’ (29% e 24%)”, refere a nota.

“Com este estudo, tentámos perceber qual o patamar em que estão as empresas no que respeita à transformação digital e à inovação. Atualmente, o digital é uma realidade indiscutível em qualquer actividade e o Turismo não é excepção. Apesar de ainda existirem alguns constrangimentos no investimento nesta área, os empresários têm vindo a fazê-lo e estão conscientes da sua importância”, adianta Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo de Portugal.

Já para Carlos Reis Marques, um dos investigadores do estudo (Nova IMS), “os resultados obtidos demonstram que existem estados de maturidade muito diversos em termos da transformação digital, sendo de destacar que é consensual a convicção de que a inovação nesta área impacta positivamente na criação de valor”.

 

Dificuldades no recrutamento de colaboradores com competências no digital justifica o baixo investimento

No domínio da Inovação Digital, compreendendo a adoção, difusão e implementação de práticas de inovação digital, 29% considera-se em ‘Desenvolvimento’, 23% em ‘Quase maturidade’, 18% num estado de ‘Quase desenvolvimento’, 17% em estado ‘Precoce’ e 13% em ‘Maturidade’, refere o estudo.

Ao serem questionadas sobre o investimento em inovação, a maioria das empresas (53%) refere não investir nesta área, particularmente no digital, fundamentando a sua decisão com base na dificuldade em afetar recursos humanos, bem como nos riscos de não retorno desse investimento. As 41% das empresas que investem em inovação, referem que aplicam 13,6% do mesmo, em média, especificamente em inovação digital.

Do total dos inquiridos, 38% das empresas refere aplicar a inovação na melhoria de produtos/serviços já existentes, sendo o desenvolvimento de novos produtos/serviços a orientação apenas seguida por 18% das empresas. Apenas 3% das empresas possui Certificação na Norma Portuguesa 4457, tendo esta sido desenvolvida para suportar as atividades de IDI nas empresas nacionais, nos diversos sectores de actividade.

 

Mais incentivos fiscais para compensar investimento em inovação

Neste estudo, as empresas foram ainda questionados sobre as medidas a adotar no âmbito da economia digital e as respostas identificaram seis áreas como prioritárias: programa de incentivos fiscais associado aos investimentos em Inovação; apoio à formação de colaboradores em áreas emergentes, com é o caso da transformação digital em geral e da inovação em particular; apoio às atividades de IDI, por via de programas específicos; apoio na aquisição e utilização de tecnologias digitais; maior flexibilidade no relacionamento com os serviços da administração pública, por via do digital; e incentivos ao associativismo como forma de criar valor global no setor, designadamente em atividades de IDI.

 

Ler mais
Recomendadas

PremiumIsraelitas já têm planos para mais hotéis em Lisboa

O grupo Fattal vai abrir um hotel de quatro estrelas na baixa de Lisboa em 2022, num investimento de 20 milhões. A companhia detém 200 hotéis e procura mais oportunidades em Lisboa, Porto, Estoril e Algarve.

PremiumPortugueses dominam negócio milionário dos transplantes capilares

Alta tecnologia e investigação científica promovida por Paulo Ramos, associado aos fundos Vallis-Hermes e a CR7, permitiu criar rede que fatura milhões.

PremiumJerónimo Martins vai investir até 750 milhões para ter mais 290 lojas em 2020

Ara, na Colômbia, vai ter mais 130 lojas, e Biedronka, na Polónia, mais 100. Em Portugal, o Pingo Doce vai apostar num novo conceito de loja.
Comentários