Menos emissões e mais reciclagem. Associação Zero destaca 12 números que devem mudar no ambiente

A Associação Zero alerta para alguns números que se têm de melhorar em Portugal, nomeadamente em metas propostas para este ano. No Dia Mundial do Ambiente, em que deve Portugal melhorar?

Yves Herman/REUTERS

No dia em que se celebra o Dia Mundial do Ambiente, a Associação Zero recolheu alguns dos principais valores que têm de mudar em Portugal, fazendo com que o país cumpra os objetivos a que se propôs.

A organização ambientalista destaca 12 números com que os portugueses se devem preocupar, nomeadamente o nível do desperdício de água, o ruído e a reciclagem. Estas são apenas algumas preocupações evidenciadas pela Zero, que já as tem discutido ao longo dos anos.

Quais os 12 números que Portugal deve mudar?

55 µg/m3 – Este valor representa a média anual de dióxido de azoto na Avenida da Liberdade, em Lisboa, registada em 2019. O limite legal anual para a libertação de dióxido de azoto é de 40 µg/m3 e a Zero refere que as cidades “têm de aplicar fortes medidas de restrição do tráfego automóvel e de promoção do transporte público”.

66 dBA – Este é o ruído noturno medido no Campo Grande, que se situa ao lado ao Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. O limite legal para o ruído está fixado em 55 dBA e segunda a Zero, “há um incumprimento generalizado da legislação” relativamente aos voos noturnos.

25,6% – Esta é a percentagem de emissões de gases de efeito de estufa dos transportes no ano de 2018. A Associação Zero esclarece que “o transporte rodoviário será o grande protagonista se não forem tomadas medidas estruturantes na mobilidade” das cidades portuguesas .

30% – A meta para o presente ano está fixada em 20% mas o desperdício de água no setor urbano é 10% maior. A Zero alerta que o Programa Nacional para o Uso Eficiente da Água e que as metas nos setores urbano, industrial e agrícola não serão cumpridas e que para o futuro é preciso “um programa renovado e efetivamente implementado”.

12% – Este é o valor da reciclagem de plástico em 2018, sendo que “só se reciclaram 72 mil das 600 mil toneladas de plástico produzidas nas casas dos portugueses”. A Associação Zero alerta que “é urgente reduzir a produção de plástico e garantir que produtos e embalagens que entrem no mercado acabem reciclados”.

296 – Este é o número de edifícios públicos em que já foi retirado o amianto, sendo que o valor total é de 3.855. A Zero pede que seja divulgada uma lista de edifícios públicos nos quais está presente amianto, “para que se possa comprender o problema e proceder à erradicação do amianto até 2032”.

507 kg – Esta é atualmente a produção anual de resíduos por habitante em 2018, sendo que a meta para o presente ano está fixada em 410 kg por habitante por ano. O “valor real da produção tem aumentado todos os anos”, aponta a Zero, explicando que “Portugal tem de implementar medidas concretas de redução e de reutilizaçao para alterar este descalabro”.

15,5% – Para a Zero, é “urgente apoiar a produção nacional de leguminosas de forma a diminuir a dependência do exterior”, sendo que “em 2018, o país só garantiu a produção de 15,5% do consumido”.

33,5 milhões de litros – Esta foi a quantiddade de óleo de palma utilizado em Portugal no ano passado no gasóleo rodoviário como biocombustível. A Associação Zero pede que Portugal abandone esta “matéria-prima promotora da destruição da floresta tropical” que coloca em perigo ecossistemas sensíveis e a sobrevivência de várias espécies animais.

91 ktep – Esta é a energia que atualmente está a ser fornecida pelos sistemas solares térmicos, cuja meta PNAER para 2020 é de 108 ktep. “Portugal tem um enorme potencial para o uso da energia solar, não apenas na produção de eletricidade”, aponta a Zero, acrescentando que o país ainda está “muito aquém dos objetivos traçados”.

456 – É o número de espécies ameaçadas de extinção só no território nacional, onde se incluem plantas. “É urgente que Portugal coloque em práticas planos de conservação para espécies ameaçadas como o lobo-ibérico ou algumas aves necrófagas”, alerta a Zero, mostrando ainda o sucesso do programa de recuperação do lince-ibérico.

87% – Esta é, atualmente, a área florestal pertencente a proprietários privados. Atualmente existem “400 mil proprietários privados”, senod que “a dimensão média das propriedades é inferior a um hectare em dois terços do país, principalmente a norte do rio Tejo, onde se regista a maior parte da área ardida”.

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