Menos tabaco e mais bebidas alcoólicas. O estado da Saúde em Portugal

No consumo de bebidas alcoólicas, cerca de 6,2 milhões de pessoas assumiram tê-las consumido nos 12 meses anteriores ao período do registo, sendo que 1,8 milhões fizeram-no diariamente.

Charles Platiau/Reuters

Entre setembro de 2019 e janeiro de 2020, Portugal registou menos fumadores, com uma contínua prevalência em homens, e cada vez mais consumo de bebidas alcoólicas, refere o Instituto Nacional de Estatística (INE) esta sexta-feira, 26 de junho, ao divulgar os principais resultados do Inquérito Nacional de Saúde 2019.

Segundo os dados recolhidos pelo INE, 17% da população com mais de 15 anos mostrou ser fumadora, menos 3,0 pontos percentuais (p.p) do que em 2014. Os dados referem ainda que 1,3 milhões de pessoas fumavam diariamente e 248 mil optavam por fumar ocasionalmente. Em 2019, o consumo regular de tabaco era superior nos homens, com um rácio de dois homens por cada mulher.

No consumo de bebidas alcoólicas, cerca de 6,2 milhões de pessoas assumiram tê-las consumido nos 12 meses anteriores ao período do registo, sendo que 1,8 milhões fizeram-no diariamente, menos 14 p.p. do que em 2014. Mais de 40% da população em análise, o equivalente a 2,6 milhões referiram ter consumido mais de seis bebidas alcoólicas numa única ocasião ou evento, pelo menos uma vez nos 12 meses anteriores, um aumento de 33,2% relativamente a 2014.

No período em análise, mais de metade da população com idade superior a 18 anos de idade (53,6%) apresentava excesso de peso ou obesidade. Em 2019, a obesidade atingiu 1,5 milhões de pessoas com mais de 18 anos (16,9%), sendo as mulheres mais afetadas que os homens, com 17,4% e 16,4%, respetivamente. De acordo com os resultados, “a obesidade afetava principalmente a população dos 55 aos 74 anos, com valores superiores a 20%”, revela o gabinete estatístico.

A população residente na Região Autónoma dos Açores registava as proporções mais elevadas de pessoas com
um índice de massa corporal classificado como obesidade, destacando-se em particular a população feminina (25,3%). Por sua vez, o Algarve encontrava-se no extremo oposto, com 13,6% da população a registar obesidade,

Assim, a proporção de adultos com excesso de peso ou obesidade aumentou 0,8 p.p. em relação a 2014, principalmente no caso dos homens (mais 1,5 p.p.) e nos grupos etários mais jovens (dos 18 aos 34 anos) e mais idosos (85 ou mais anos), assume o INE no relatório.

Apesar do aumento dos transportes públicos e de se ter registado um aumento na obesidade, a população portuguesa preferiu aumentar o número de deslocações a pé. Cerca de três milhões de cidadãos com mais de 15 anos, preferiu deslocar-se a pé diariamente, com a maior parte das deslocações a demorar menos de 30 minutos. Face a 2014, o número de pessoas que se deslocava a pé subiu 500 mil, com uma proporção maior de homens.

Ainda que se tenha verificado um aumento no número de pessoas que andam a pé, a maioria da população (65,6%) admitiu que não praticava qualquer atividade desportiva de forma regular, enquanto “13,6% das pessoas
referiram praticar exercício físico em um ou dois dias por semana” em comparação com os 15,4% em 2014.

Cerca de 5,9% dos residentes com 15 ou mais anos referiram deslocar-se de bicicleta em 2019, e 0,8% dos inquiridos faziam-no todos os dias. Ao contrário das deslocações a pé, o número de pessoas que se deslocavam de bicicleta
não aumentou em relação a 2014. A proporção de homens que referiram deslocar-se de bicicleta (9,3%) é significativamente superior à registada para as mulheres (3,0%).

Em 2019, perto de 716 mil pessoas com idade superior a 15 anos de idade apresentavam sintomas depressivos de acordo com a metodologia PHQ-8 (Patient Health Questionnaire Depression Scale), que é o equivalente a 8% da população em análise. “Do conjunto de pessoas com sintomas depressivos, cerca de 60% evidenciou sintomas depressivos ligeiros e 40,2% manifestou sintomas depressivos graves”, destaca o INE.

Comparativamente com os resultados do inquérito anterior, conclui-se uma “ligeira diminuição da população com
estes sintomas (10,0% em 2014), devido sobretudo à prevalência dos sintomas ligeiros (que passam de 6,3% em 2014 para 3,2% da população em 2019), uma vez que as pessoas com sintomas graves aumentam 1,1, p.p.”, afirma o relatório divulgado hoje pelo gabinete estatístico.

“A prevalência de sintomas depressivos é mais expressiva para as mulheres e nas faixas etárias mais avançadas. Aproximadamente 70% das pessoas com sintomas depressivos eram mulheres e é na população mais idosa que a proporção de sintomas depressivos atinge valores mais elevados”, indica o INE, destacando que “no caso dos homens, só se verificam percentagens mais elevadas a partir dos 75 anos”.

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