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Mercado dos bonsai deverá mais do que duplicar até 2033

Impulsionado pela redução do espaço habitacional, pela procura de bem-estar e por um consumo mais consciente, o sector deverá mais do que duplicar até 2033, segundo a Allied Market Research.
@Pixabay
27 Dezembro 2025, 23h56

O mercado global de bonsai está a beneficiar de tendências estruturais como a urbanização, a redução do espaço habitacional e a procura por produtos associados ao bem-estar e à sustentabilidade. Segundo um relatório recente da Allied Market Research, o sector deverá crescer de forma consistente ao longo da próxima década, passando de cerca de 4,9 mil milhões de euros em 2023 para aproximadamente 13,2 mil milhões de euros em 2033, o que representa uma taxa de crescimento anual composta próxima dos 10,5%.

Este crescimento reflete uma mudança nos padrões de consumo, com maior valorização de soluções compactas, duradouras e esteticamente diferenciadas para ambientes urbanos, bem como o reforço do interesse por actividades com componente cultural e terapêutica.

Urbanização e novos estilos de vida impulsionam a procura

À medida que as cidades se tornam mais densas e as habitações mais pequenas, os bonsai afirmam-se como uma alternativa viável às plantas tradicionais. O seu tamanho reduzido, aliado a uma forte componente decorativa, responde às limitações de espaço sem abdicar da presença de elementos naturais no interior das casas.

Além do factor estético, o cultivo de bonsai é frequentemente associado a práticas de atenção plena e redução do stress, o que tem contribuído para o seu enquadramento no mercado mais alargado do bem-estar, um segmento em crescimento em várias geografias.

Tradição asiática com alcance global

O Japão mantém uma posição de liderança no mercado, sustentada por uma longa tradição artesanal e por uma forte procura internacional de exemplares de elevada qualidade. A China regista igualmente um crescimento significativo, impulsionado pelo aumento do rendimento disponível e por um renovado interesse nas artes tradicionais.

Outros mercados asiáticos, como a Coreia do Sul e Taiwan, têm vindo a ganhar relevância, enquanto na Europa o sector beneficia do trabalho de associações especializadas e de uma base de consumidores cada vez mais informada. A Austrália e a Nova Zelândia destacam-se pelo investimento em formação e envolvimento comunitário.

Segmentos e cadeia de abastecimento

Segundo o estudo, os stump bonsai (ou yamadori) lideram o mercado em termos de valor, sendo particularmente apreciados pela sua aparência única e pelo carácter artístico associado à sua origem natural. No entanto, este segmento enfrenta desafios relacionados com a sustentabilidade e a regulamentação da recolha de árvores na natureza.

Ao nível da distribuição, o segmento grossista continua a dominar, fornecendo plantas, ferramentas e acessórios a viveiros e retalhistas especializados. O crescimento do comércio eletrónico tem vindo a simplificar a cadeia de abastecimento e a alargar o acesso ao mercado, tanto para profissionais como para consumidores finais.

A expansão do mercado dos bonsai parece alinhar-se com tendências mais amplas de consumo consciente, sustentabilidade e procura por produtos de valor duradouro. Sem depender de ciclos rápidos de moda, o sector apresenta características de crescimento estável, apoiado numa base cultural sólida e numa adaptação progressiva às novas dinâmicas económicas e digitais.


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