Mercado automóvel está em crescimento e vai mover-se a eletricidade

Arval, LeasePlan, Mercedes-Benz, BMW, Nissan e Stellantis explicam como tem evoluído o negócio, como estão as empresas a reagir às alterações a nível de mobilidade e respondem se a progressão para a mobilidade elétrica está a ser acompanhado por todos.

1. Como estão as empresas a reagir às alterações a nível de mobilidade? A progressão para a mobilidade elétrica está a ser acompanhado por todos?

2. Quais as expetativas de crescimento na gestão de frotas para 2022? Quais são os principais desafios e constrangimentos?

3. Como evoluiu o negócio em 2019, 2020 e no primeiro semestre de 2021?

 

João Soromenho
Diretor Comercial da Arval

1. A mobilidade nas empresas está efetivamente a mudar e com muita atividade. Um dos indicadores é certamente o facto de assistimos a uma enorme evolução na motivação das empresas para a transição energética nas frotas automóveis – os dados do Arval Mobility Observatory mostram-nos que cerca de 8 em cada 10 empresas portuguesas estimam que estarão a utilizar viaturas com novas tecnologias nos próximos 3 anos. Sentimos esta energia no dia-a-dia! Outro indicador, é com certeza o número crescente de empresas que está a definir objetivos de neutralidade carbónica, com preocupações concretas sobre a mobilidade dos seus serviços e pessoas. Um desafio que carece de ajuda de oferta de infraestruturas de carregamento e que passará numa primeira fase pelo uso combinado de algumas formas de modalidade, mas que evoluirá para uma integração mais ampla do conceito de Mobility as a Service. Outra reação clara das empresas, é naturalmente a tendência de maior abertura para soluções de mobilidade alternativa, onde emergem também em Portugal novas soluções como seja o uso de e-bikes, o aluguer de média duração, o orçamento de mobilidade e a partilha de viaturas dentro da mesma empresa, uma tendência para se pensar no desafio da mobilidade como uma necessidade de todos os colaboradores.

2. A falta de semicondutores e o consequente fecho de produção aliado ao facto dos enormes constrangimentos na logística e oferta de viaturas novas, vem seguramente criar um enorme problema na industria automóvel (sem falar noutros sectores igualmente afetados) e claro, na capacidade das gestoras de frota em responderem às necessidades dos seus clientes . Sem termos ainda uma expectativa de retoma, a escassez de semicondutores não tem precedentes e está a impactar muitas indústrias diferentes em todo o mundo, além do setor automóvel em que para já não se verifica qualquer sinal de sinal de recuperação.
Depois de termos enfrentado o desafio da crise pandémica e tendo-se contudo verificado um crescimento da nossa atividade, mesmo perante tantas adversidades o nosso objetivo é de continuar a crescer e garantir aos nossos clientes e parceiros todo o nosso apoio continuando a disponibilizar todo o tipo de soluções que os ajudem no seu dia-a-dia e na gestão da sua frota automóvel.

3. A Arval Portugal ao longo destes anos tem continuado a crescer a um ritmo acima do mercado, ao mesmo tempo que pretende continuar a sua transformação para se adaptar aos novos desafios, nomeadamente à necessidade de acompanhar e apoiar os seus clientes numa transição gradual para o uso de energias alternativas.
Na Arval temos objetivos claros e bem definidos até 2025 . Um dos nossos grandes compromissos é a diminuição em 30% das emissões de CO2 na frota que gerimos . Na nossa própria frota interna, o objetivo é ser neutro em emissões carbónicas.

 

Ricardo Silva
Diretor Comercial da LeasePlan

1. As questões ambientais e os incentivos fiscais são um forte motivador para as empresas transitarem para os veículos elétricos e as soluções de frotas sustentáveis estão a ganhar cada vez mais importância. Com uma maior consciencialização de como as frotas das empresas podem contribuir para a redução das emissões, temos vindo a desenvolver uma abordagem diferente da gestão de frotas no que diz respeito à sustentabilidade, exemplo disso é o Start Electric, uma solução integrada desenvolvida para incentivar a mudança para um veículo elétrico. Por outro lado, os benefícios fiscais concedidos pelo governo orientam as escolhas dos consumidores e empresas para veículos ambientalmente mais sensíveis. Num contexto fiscal complexo, volátil e, simultaneamente, determinante nos custos totais de utilização de um veículo, o nosso papel de consultores ganha relevância no esclarecimento dos Clientes, ajudando a tomar decisões informadas e, consequentemente, melhores decisões.
Na LeasePlan encorajamos as empresas a encontrar o equilíbrio certo para as suas frotas e a introduzir opções mais responsáveis para chegarem às zero emissões. Nesta medida, será um processo progressivo, embora em aceleração.

2. Este é o tempo de a LeasePlan reafirmar o seu compromisso com a qualidade, espírito inovador e competitividade da nossa proposta de valor. Nesse sentido, continuaremos a acompanhar de perto as tendências do mercado, garantindo que oferecemos as melhores e mais inovadoras soluções aos clientes e que fazemos em paralelo um trabalho de consultoria e acompanhamento que garanta que, à medida que surgem necessidades, conseguimos identificar as soluções mais indicadas para o tipo de utilização de cada cliente.
O desenvolvimento de um showroom dedicado a PME, o lançamento de campanhas para particulares como a “Farto de Stress? Não compre carro” ou desenvolvimento do estudo “Vários caminhos para a Mesma Viagem” Compra, leasing ou renting? elaborado pela equipa de consultoria que analisou os custos de utilização e vantagens e desvantagens de cada modelo para o segmento de particulares e PME, são alguns dos exemplos que confirmam a nossa aposta em oferecer a melhor oferta aos nossos clientes.
Embora com alguns constrangimentos, nomeadamente com a crise de microchips e dificuldade na disponibilização de veículos, estou confiante de que com a recuperação económica que agora se inicia, a procura de soluções de renting como as que a LeasePlan oferece será acelerada. O movimento de procura de serviços de subscrição já vinha a crescer e a minha convicção é que o contexto pandémico e de incerteza ainda veio aumentar essa aceleração. Temos investido bastante e com muito sucesso ao alargar os limites do mercado, trazendo mais clientes de outras soluções para o renting.

3. Apesar da crise que se viveu em 2020 e que se prolongou no arranque de 2021, a performance do renting em Portugal manteve-se estável no que à frota gerida diz respeito. A natureza flexível do produto, tornou mais fácil a adaptação às contingências do período de pandemia, por exemplo através do prolongamento de contratos. Ainda assim, numa perspetiva de recuperação progressiva da economia, acreditamos que a procura por soluções de curto/médio prazo e mais flexíveis pode ser importante para as empresas e para as pessoas. Opções como o Renting de Usados com durações inferiores ao tradicional ou a solução de renting ainda mais flexível, o FlexiPlan, permitem às empresas escolherem a solução de mobilidade em conformidade com a duração de que precisam. Por outro lado, a aceleração da tendência do Car-as-a-Service – com as pessoas a preferirem a subscrição em detrimento da compra – especialmente num contexto incerto e de grande mutação tecnológica como o que a indústria automóvel atravessa, terá certamente um papel na evolução do negócio.

 

Mário Neves
Managing Director da Mercedes-Benz Vans Portugal

1. As empresas demonstram um interesse crescente na mobilidade elétrica, revelando preocupação em desenvolver as suas atividades de forma consciente com o futuro sustentável do nosso planeta, embora ainda não tenha sido atingido o potencial de mercado que se perspetiva alcançar nesta tipologia de veículos.
Existem já setores de atividade que se destacam, como é o caso das entregas e distribuição nas cidades, e do transporte profissional de pessoas.

2. O crescimento das frotas estará ligado à capacidade de produção e prevemos que em 2022 não exista um crescimento significativo face a 2021.

3. Em 2020, a pandemia levou a um decréscimo de 28% do mercado total no segmento Vans, sendo que nas frotas este decréscimo foi superior. Já no primeiro semestre 2021, o mercado evoluiu positivamente em 29% e o sector das frotas obteve um crescimento ligeiramente superior.

 

João Trincheiras
Corporate Communications Manager do BMW Group

1. As empresas têm, no geral, vindo a adaptar-se de forma natural às alterações de mobilidade. Cada vez mais assistimos a uma grande consciência ambiental por parte das empresas – que também é acompanhada por incentivos fiscais para uma mobilidade mais sustentável – o que faz com que a mobilidade elétrica esteja a registar um crescimento acentuado. A mobilidade elétrica tem um papel crucial na construção de uma indústria automóvel cada vez mais descarbonizada e acreditamos que todas as marcas têm vindo a fazer o seu caminho. A BMW é uma parte ativa e de referência neste processo, sendo uma das maiores empresas fornecedoras de mobilidade elétrica. Disponibilizamos uma gama cada vez mais completa e diversificada de veículos eletrificados, para que os nossos clientes possam escolher opções mais sustentáveis, inclusivamente no segmento de frotas. A eletrificação é um objetivo estratégico para a BMW e queremos, em 2023, disponibilizar 25 modelos eletrificados na nossa frota, veículos esses com tecnologia e software desenhados em Portugal, pela Critical TechWorks, a nossa joint-venture tecnológica. No entanto, sabemos que não estamos todos a caminhar à mesma velocidade e, por isso, a BMW implementou o conceito de ‘Power of Choice’ (O Poder de Escolha). Por exemplo, com a introdução do BMW iX3, o SUV 100% elétrico, o cliente pode agora escolher o seu modelo X3 com motor elétrico, híbrido ou térmico, consoante o que melhor se adaptar ao que precisa. E importante também destacar que a mobilidade é global e há ainda muitos mercados sem as condições adequadas para esta mudança de mobilidade: não têm, por exemplo, sistemas de carregamento para automóveis eletrificados. Estes mercados têm, ainda, de continuar a recorrer a motores de combustão por alguns anos.

2. Para a BMW, o ano de 2022 vai seguir as tendências e os desafios de 2021. Vamos continuar focados na recuperação do negócio e, em simultâneo, pretendemos gerir o desafio que o impacto da crise dos semicondutores provocou no setor automóvel. No fundo vamos assistir a um acentuado movimento das curvas da oferta e da procura.

3. Em 2019, a BMW registou perto de 14 mil veículos vendidos, correspondendo a um crescimento de 1% face ao ano anterior. Já em 2020 assistimos a uma quebra brusca no negócio, com um decréscimo que chegou a atingir os 85%. No fim do ano passado, registou-se, ainda assim, uma recuperação e a BMW fechou o ano com uma descida nas vendas de apenas 32%, em comparação com período homólogo. Apesar do impacto da pandemia ter-se sentido, novamente, no início deste ano, o mercado automóvel, nos primeiros oito meses, cresceu 10%, tendo a BMW registado um crescimento de mais de 29%, quase o triplo do crescimento do mercado.

 

Rui Alves
Responsável da Área de Frotas da Nissan

1. De uma forma geral empresas de todos os sectores de atividade têm procurado soluções mais amigas do ambiente para as suas frotas.
Temos assistido em 2021 a uma maior procura e mais pedidos de informação sobre os nossos automóveis elétricos. Contudo, dado já se terem esgotado os incentivos do Estado (ainda se mantêm nos veículos comerciais) tem levado alguns potenciais clientes a procurarem soluções menos verdes como os híbridos convencionais.
Os incentivos desempenham um papel importante no processo de decisão pois com frequência vêm resolver dificuldades e custos inerentes à implementação de frotas VE’s, que para além dos veículos inclui, por exemplo, os carregadores e o seu custo de instalação.

2. Não é esperado para 2022 uma recuperação total da produção automóvel. Na realidade, a visibilidade sobre o tema dos semi-condutores continua curta e instável.
Assim, os maiores desafios para a Gestão de Frotas para 2022 serão o planeamento e a flexibilidade. O planeamento será essencial para prever as necessidades e respetivos calendários e a flexibilidade aconselha a ter mais que um plano (ter um bom plano B ou até um plano C), pois as capacidades de produção são e continuarão a ser, incógnitas por mais alguns meses.

3. O negócio de Frotas na Nissan está a registar um nível de volume acima de 2020, mas as perspetivas até final do ano são menos animadoras. Os constrangimentos de produção vão limitar o crescimento do negócio, que deverá encerrar 2021 sem crescimento de volume face a 2020 (e, assim, mais baixo do que em 2019).
Do ponto de vista da qualidade dos negócios, também registamos uma evolução face a 2020.

 

André Silveira
Corporate Communication & MBC PoS Coordinator da Mercedes-Benz Cars

1. A Mercedes-Benz tem uma ambição concreta: ser uma Marca totalmente isenta de emissões de CO2 até 2039. Esta meta está a ser planeada com o lançamento de produtos que permitem um faseamento de modelos híbridos e totalmente elétricos durante os próximos anos. Fruto desta estratégia, a Mercedes-Benz é hoje a marca com maior portfolio de modelos eletrificados, bem como aquela com maior quota de mercado xEV em Portugal (híbridos e elétricos).

2. Não comentamos sobre expetativas de vendas. No entanto, estamos preparados para o futuro com uma forte ofensiva de produto nos vários segmentos.

3. Têm sido anos difíceis ao nível de vendas, muito devido à pandemia Covid-19 que afetou, e muito, os mercados mundiais e o nosso quotidiano. Consequentemente, estamos a assistir à escassez de fornecimento de determinados componentes essenciais à industria, como é o caso dos semicondutores, algo que está igualmente relacionado com os desafios criados pela pandemia e que deverão afetar os negócios de vendas na área automóvel e industria mundial.

 

Jorge Magalhães
Diretor Comunicação e Relações Institucionais do Stellantis Group Portugal

1. De uma forma geral, todas as empresas estão a reagir de forma interessada às novas soluções de mobilidade, em particular no que diz respeito à eletrificação das viaturas. No entanto, como é natural no mindset empresarial, têm como objetivo atingir um impacto económico que no mínimo seja neutro na evolução das motorizações ICE para as LEV. Daí que cada vez mais a componente do custo total de utilização e do uso das viaturas seja levado em linha de conta aquando das decisões relativas às políticas de frotas de cada empresa.
Por outro lado, estamos a verificar que a dimensão da empresa e a sua projeção internacional é igualmente um fator que aumenta fortemente o interesse em acelerar a evolução para uma mobilidade elétrica. Normalmente têm objetivos próprios de descarbonização das suas atividades económicas, bem como interesse em apresentar uma redução da sua pegada ecológica na sociedade.

2. As expetativas para 2022 são de crescimento da procura de viaturas em gestão de frotas, tendo em consideração, quer a redução do impacto da pandemia nas atividades económicas, quer as restrições de fornecimento de viaturas no segundo semestre de 2021, associadas às limitações das produções industriais provocadas pela crise dos semicondutores. Uma questão que vai condicionar o crescimento da atividade da gestão de frotas para 2022 vai ser precisamente a capacidade de o setor automóvel corresponder à procura com volume de viaturas por parque do mercado.

3. De 2019 para 2020, o negócio teve uma quebra significativa pelo efeito que se verificou a partir de março 2020 com os impactos da pandemia Covid-19.
No primeiro semestre de 2021, registou-se uma recuperação importante devido à melhoria das expectativas do mercado das empresas.

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