[weglot_switcher]

Mercados de olhos postos no discurso do presidente da Fed

As expectativas do mercado são de que a Fed mantenha os juros inalterados, contudo o discurso de Jerome Powell vai dar indicações sobre a decisão da reunião de março.
28 Janeiro 2026, 07h10

A sessão desta terça-feira foi relativamente tranquila, focada, maioritariamente, na divulgação dos resultados empresariais.

Mesmo tendo sido tranquila, o ouro continuou a dar sinais. “Depois da montanha-russa de segunda-feira, quando o metal precioso disparou para um nível recorde antes de devolver todos os ganhos e encerrar praticamente no mesmo ponto em que tinha começado, o ouro voltou a ganhar vantagem. As condições de base mantêm-se favoráveis, com tensões geopolíticas elevadas, incerteza económica e um dólar norte-americano mais fraco a funcionarem como fatores de suporte para o ouro”, afirma Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe.

“As negociações entre a Rússia e a Ucrânia parecem estar a estagnar, enquanto o risco de um ataque norte-americano em grande escala ao Irão continua em cima da mesa. Este contexto de turbulência geopolítica global está a reforçar o apelo do ouro enquanto ativo de refúgio. Ao mesmo tempo, a incerteza económica está a ser amplificada por renovadas ameaças tarifárias por parte dos EUA e pelo risco crescente de um encerramento parcial do governo norte-americano, depois de um grupo significativo de legisladores se ter comprometido a recusar apoio a medidas de financiamento associadas ao reforço em curso da aplicação das políticas de imigração”, refere.

As atenções desta quarta-feira estão voltadas para a reunião da Reserva Federal (Fed), sendo o mais expectável que as taxas de juro se mantenham inalteradas, contudo o discurso de Jerome Powell, presidente da Fed, vai dar alguns dados sobre as previsões para a próxima reunião.

“O dólar norte-americano mantém-se sob pressão, num contexto de expectativas mais dovish em relação à Reserva Federal, o que continua a dar suporte ao ouro, tendo em conta a relação inversa entre os dois ativos. Neste enquadramento, o caminho de menor resistência para os preços do ouro continua a apontar para cima, com os investidores atentos a eventuais sinais sobre a trajetória da política monetária da Fed que possam emergir da reunião do banco central agendada para quarta-feira e da conferência de imprensa de Jerome Powell”, declara o analista.

Paolo Zanghieri, economista sénior na Generali AM, afirma que na sua perspetiva a “Fed deve fazer apenas um corte nas taxas de juro este ano”. “A robustez do crescimento do PIB no primeiro trimestre sugere que esse corte não irá acontecer antes de junho”.

Para o analista ainda “persistem dúvidas sobre até que ponto a pressão política influencia as ações da Fed”.


Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.