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Mercados entram em “nevoeiro de guerra” após escalada com o Irão

O Julius Baer alerta para um possível ponto de viragem na região. Embora o cenário de crise petrolífera de grande escala não seja o mais provável, a incerteza domina o sentimento dos investidores.
Julius Bär verwaltet mehr als 400 Milliarden Franken an Kundenvermögen. (Archivbild)
4 Março 2026, 22h16

O conflito no Médio Oriente atingiu um novo patamar de incerteza, mergulhando os mercados financeiros naquilo que os analistas do banco de gestão de fortunas, Julius Baer, classificam como um “nevoeiro de guerra”. Com as tensões latentes a transformarem-se num choque regional, a instituição financeira suíça admite que a situação é instável, mas mantém uma postura cautelosa, afastando, para já, o cenário de catástrofe iminente.

Segundo Christian Gattiker e a sua equipa de análise, existem dois caminhos críticos: um pico rápido e intenso no preço do crude ou uma perturbação mais prolongada e caótica.

A energia está no centro da tempestade. O Estreito de Ormuz permanece sob vigilância apertada, mas o Julius Baer destaca que o maior perigo reside em eventuais danos físicos nas infraestruturas de petróleo e gás. O cenário base da instituição aponta para um pico de preços intenso, mas de curta duração, minimizando a probabilidade de uma crise energética global de larga escala.

Refúgios tradicionais: Dólar, Ouro e Obrigações

Perante o aumento da volatilidade, os investidores ativaram o “manual de crise”. Assim o dólar americano (USD) e o franco suíço (CHF) fortaleceram-se como portos seguros. Moedas ligadas a exportadores de energia, como o dólar canadiano e a coroa norueguesa, também beneficiaram.

Por outro lado temos o ouro. O metal precioso mantém a sua função de estabilizador de carteiras. O banco mantém uma visão construtiva para o ouro, embora preveja que a contenção de países vizinhos possa limitar novas valorizações explosivas.

No que toca aos títulos de rendimento fixo, as Obrigações do Tesouro dos EUA recuperaram o seu papel de cobertura. O banco suíço recomenda manter exposição a dívida de curto prazo em segmentos de maior risco.

Apesar do nervosismo, o Julius Baer recorda que o histórico de choques geopolíticos no Médio Oriente costuma seguir um padrão: quedas acentuadas mas breves, seguidas de estabilização. Para mitigar perdas, as ações do setor de petróleo e gás continuam a ser recomendadas como uma proteção parcial contra o choque da oferta.

Em suma, embora o episódio possa constituir um “ponto de viragem” para a geopolítica regional, a recomendação para os investidores é de vigilância sem pânico, focando-se em ativos de refúgio e na resiliência histórica dos mercados perante conflitos localizados.


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