Mercados financeiros dão nota positiva ao desfecho das eleições

Se António Costa assegurar estabilidade política, casas de investimento admitem redução adicional de juros do país e novas subidas de ‘rating’.

A vitória do PS nas eleições legislativas e a perspetiva de que António Costa conseguirá manter a estabilidade política com acordos parlamentares gerou reações positivas em diversos gabinetes de estudos económicos, que apontam para a potencial redução adicional das taxas de juro do país ou mesmo para a possibilidade de subidas de rating.

Filipe Garcia, economista da IMF-Informação de Mercados Financeiros, sublinha ao Jornal Económico que a dívida pública reagiu bem às eleições. “A sensação que fica é que há uma certa continuidade. Aquilo que é percepcionado pelos analistas lá fora é que há continuidade das políticas orçamentais e das regras de Bruxelas”, afirma, lembrando que “Portugal acaba por ser percepcionado como menos problemático que Espanha ou Itália”, num momento em que o Banco Central Europeu é uma espécie de “analgésico” para Portugal. “Para ter grandes alterações na dívida, teria que implicar uma atitude te confronto de Bruxelas e Frankfurt e isso não está a acontecer”.

De facto, na segunda-feira após as eleições, os juros da dívida portuguesa registaram uma evolução positiva. A taxa dos títulos a 10 anos esteve a descer, o que levou a um estreitamento do diferencial face aos juros da Alemanha. Embora Portugal não tenha sido isolado nos países da periferia europeia – Itália e Espanha também registaram ontem uma redução dos custos de financiamento -, várias casas de investimento vieram ontem assinalar os efeitos que as eleições podem ter efeitos positivos nos custos de financiamento do país.

Numa nota sobre as eleições em Portugal, o banco ING assinalou que o reforço do peso eleitoral do PS deverá gerar “um maior foco na prudência orçamental por comparação com o Governo anterior, o que poderá melhorar a ‘fotografia’ orçamental ainda mais, com a consequência de baixar os spreads ainda mais”.

Rating pode subir, admite Bankinter

Além dos juros do financiamento, outra repercussão financeira das eleições pode ser a perceção de risco do país, junto dos investidores. O ministro das Finanças já havia dito na sexta-feira, quando a DBRS subiu o ‘rating’ de Portugal, que a notação de risco noutras agências poderia em breve ser alterada, para níveis mais elevados.

“Se mantivermos a trajetória de avaliações positivas consecutivas nos próximos tempos, diria que num prazo muito curto Portugal poderia atingir, não só nesta, mas em outras agências de ‘rating’, essa classificação A”, uma das classificações mais altas, afirmou Mário Centeno, em declarações à Lusa.

Uma análise divulgada esta segunda-feira pelo Bankinter veio dar mais força às declarações de Mário Centeno. O ‘research’ do banco espanhol sobre as eleições portuguesas considera “expectável” que os mercados reajam positivamente a estas eleições, o que “abre as portas a futuras revisões do ‘rating’ do país, sobretudo por contrastarem com a instabilidade política vivida na maioria dos países europeus”.

Isto porque o banco antecipa que, seja com acordos no Parlamento ou com um governo minoritário, o PS conseguirá assegurar a continuidade da estabilidade verificada nos últimos anos, “marcados por um crescimento económico robusto e pelo cumprimento das metas de Bruxelas (défice de 0,4% em 2018), não obstante a gradual reversão das medidas da austeridade”.

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