Miau, aqui há gato

Eis um problema da investigação que é feita hoje em muitos sítios do planeta: apenas os que a fazem percebem o seu interesse.

Samuel Perry, da Universidade de Oklahoma, acabou de provar que ter gatos afasta as pessoas da igreja. Este investigador estudou uma amostra de mais de dois mil indivíduos e descobriu que os que nunca puseram os pés numa igreja têm em média dois gatos enquanto aqueles que lá vão têm 1,4. Passando por cima da questão de o que é 0,4 de gato, como a média é 1,4 há muita gente com pelo menos dois gatos que vai à igreja, uma importante pergunta surge: as pessoas não vão à igreja porque têm gatos, ou têm gatos porque não vão à igreja?

Isto além de ser difícil perceber qual é a relevância prática da matéria: se eu perguntar ao meu vizinho quantos gatos tem e ele responder dois, quer isto dizer que vai ou não à igreja? Este é um problema da investigação que é feita hoje em muitos sítios do planeta, apenas os que a fazem percebem o seu interesse. Ou talvez não seja um problema da investigação, apenas de alguns investigadores, mas se a doença pega…

Nesta coisa da criatividade prefiro ficar-me pelos concursos de ideias para batizar os limpa-neves, como o de Manchester, que gastou um milhão de libras em camiões que espalham sal. Entre as sugestões recebidas estão Gritter Thunberg, Spreddie Mercury, Snowbi-Wan Kenobi, Grit Astley, Snowel Gallagher (Noel nasceu em Manchester) e Basil Salty (de Basil Fawlty, personagem da série “Fawlty Towers” interpretada por John Cleese), todos na short list de 24 de que foram escolhidos oito nomes. Agora sabe onde anda o “seu” limpa-neves pela aplicação find my gritter, disponibilizada pela Câmara Municipal.

Mas voltemos ao mundo da investigação. Diego Golombek da Universidade de Quilmes, em Buenos Aires, provou que os hamsters recuperam mais depressa do jet lag se tomarem Viagra. Se for rato e sofrer de jet lag, já sabe. Deitar cedo e cedo erguer dá saúde e faz crescer; agora sabemos também, graças a Peter Jonason da Universidade de Western Sidney, que ser notívago faz-nos psicopatas – deite-se às nove ou…

Masateru Uchiyama, da Universidade Juntendo, em Tóquio, demonstrou que os ratos com transplantes de coração incompatíveis vivem mais tempo se escutarem música clássica – na verdade, pode-se ir mais longe e dizer que vivem mais 26 dias se ouvirem Verdi, 20 dias se for Mozart e apenas 11 se escutarem Enya. Vá lá comprar uns CDs, vá. Em fevereiro de 2015 foi publicado um artigo no “Journal of the American Medical Association” que mostrava que as ventoinhas fazem as pessoas sentir-se mais frescas. E a lista continua…

Há umas centenas de anos, Isaac Newton disse que se foi capaz de ver longe foi porque estava aos ombros de gigantes. Prefiro a versão mais atual de Murray Gell-Mann, que descobriu o quark: se vi mais longe que outros foi porque estava rodeado de anões.

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E se o próximo governador fosse ‘canadiano’?

Com Centeno ou sem Centeno, o país só teria a ganhar se o próximo governador fosse escolhido através de um concurso internacional com critérios bem definidos, de maneira a deixar claro que o mérito deve pesar mais do que o percurso político, as ligações pessoais ou a cor do passaporte. Mas quem quer isso em Portugal?

E depois do adeus

O grande desafio do centro político europeísta passa por conseguir ligar-se de novo às preocupações de crescimento económico, na condição de o fazer propondo também um novo contrato de valor para os cidadãos europeus.

O caso Vaz das Neves

O sorteio de distribuição de processos pelos juízes, feito através de um programa informático desde maio de 2014, tem tantas exclusões que poderá, afinal, ser dirigido quase tão precisamente como um drone em direção ao destino.
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